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A crise como um épico

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Miguel Gomes retrata tempos conturbados do passado recente

D.R.

“As Mil e Uma Noites, Volume Um, O Inquieto” estreou esta semana nas salas de cinema nacionais. Miguel Gomes cria uma ficção de longa duração — e por isso dividida em três volumes — a partir da realidade portuguesa

Oh venturoso Rei, fui sabedora de que num triste país entre os países, onde se sonha com sereias e baleias, o desemprego propaga-se. (...) Neste país onde as coisas não são o que aparentam ser, os homens do poder passeiam-se em camelos e escondem uma permanente e vergonhosa ereção ; aguardam pelo momento da coleta de impostos para poderem pagar a um certo feiticeiro (...)”. Xerazade cala-se, mas narra toda a história.

Formalmente organizado consoante “As Mil e Uma Noites” originais, este filme — dividido em três partes — é o retrato de um país a atravessar um tempo negro e tenso. “O Inquieto” inaugura uma história baseadas em testemunhos verídicos que retratam a sociedade portuguesa no meio da crise, num período de assistência financeira que obrigou ao cumprimento de um pacote de medidas de austeridades acordadas entre a Troika e o governo português. Claro que “As Mil e Uma Noites” é um trabalho de ficção, mas o realizador Miguel Gomes incluiu depoimentos da vida real no filme.

D.R.

Do elenco profissional desta produção cinematográfica rodada em película, fazem parte a atriz Crista Alfaiate (no papel de Xerazade), Luísa Cruz, Teresa Madruga, Adriano Luz, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Joana de Verona e Rogério Samora.

Filme longo, denso e difícil (ou não fosse ele a realidade ficcionada dos últimos tempos), estreou esta semana em Portugal. No total, são seis horas de filme repartidas por três volumes. O segundo, “O Desolado”, tem estreia marcada para 24 de setembro, ao passo que o terceiro e último capítulo deste épico, “O Encantado”, chega às salas a 1 de outubro.