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Portugal na mira dos patrões dos videojogos

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Há cada vez mais portugueses que gostam de videojogos. E é isso que explica que Lisboa tenha sido escolhida pela Sony, um dos três gigantes desta indústria, para lançar “Until Dawn”, a grande aposta desta temporada na PS4

No coração da capital portuguesa, algures entre a zona dos Anjos e o Martim Moniz, uma pequena rua com ar abandonado e gasto, foi eleita pela Sony, um dos três gigantes mundiais dos videojogos, para acolher o lançamento de “Until Dawn”, a nova saga de terror americano.

A identificar o local do evento estava um cartaz tipo “outdoor” do jogo cumprimenta os convidados que atravessam o pátio lisboeta até ao interior da Taberna das Almas. Lá dentro, a cena repete-se. Pósteres, consolas, cartazes e música soturna publicitam o jogo de terror, passado numa cabine. O local reflete o jogo: viga de madeira, chão assoalhado, cadeiras e mesas antigas, tudo se apresenta em tons rústicos dignos de uma cabine de férias numa cabine de montanha.

Ao longo do dia, fãs, jornalistas, celebridades são convidados a experimentar o jogo, morrendo vezes e vezes sem conta às mãos de um “serial killer” depois de uma curta apresentação e sessão de perguntas com o diretor criativo de “Until Dawn”, Will Byles.

O entusiasmo, esse vai flutuando de acordo com quem ouve. Os jornalistas mostram-se calmos e menos curiosos do que os fãs; eufóricos, esses, questionam o diretor criativo sobre vários aspetos do jogo Ao fim da tarde, as celebridades divertem-se e veem o produto final para o qual contribuiram com a voz.

A escolha dos ambientes

A eleição de Lisboa para lançar um evento desta envergadura mostra que alguma mudou no mercado ibérico. Até aqui, os videojogos não eram conhecidos por atrair muitos portugueses e, por isto mesmo, as empresas do sector nunca acharam que o nosso mercado merecesse um grande esforço (e investimento) promocional.

Para escolher os sítios onde realiza os eventos promocionais, a Sony tenta aproveitar ao máximo o ambiente local e a arquitetura da cidade. O objetivo é criar eventos que combinem Portugal com a imagem da empresa e cativar jogadores. Que o diga Miguel Cunha, coordenador de marketing, que abriu a sua apresentação falando da capital portuguesa: “Mostrar não só os nossos jogos, como os cantinhos de Lisboa” diz Miguel Cunha e o esforço nota-se.

Miguel Cunha mostra-se otimista quanto ao investimento da Sony em Portugal

Miguel Cunha mostra-se otimista quanto ao investimento da Sony em Portugal

Expresso

Dar aos jogadores portugueses, o que os jogadores querem

Para Miguel Cunha, o investimento da Sony é a continuação de um trabalho de 10 anos que procura “encarar o mercado português como encaramos os maiores mercados” através de um gabinete português, focado em investir só em Portugal.

A companhia acredita que os jogadores portugueses têm cada vez mais pedido e aclamado por eventos em que possam conhecer não só jogos como também ter a chance de falar com criadores e pessoas envolvidas na produção dos maiores títulos da PS4.

Miguel Cunha acredita ainda que a empresa tem trabalhado de forma “personalizada” para dar aos jogadores aquilo que eles querem e que a Sony se encontra na vanguarda na forma de lidar com fãs de videojogos.

Quando questionado sobre a falta de investimento dos competidores diretos Nintendo e Microsoft, Miguel Cunha “acha que não é o seu lugar comentar o que a competição faz”, admitindo apenas que com maior investimento de outras empresas, o mercado seria maior e melhor para todos.

Para a Sony uma das chaves do sucesso para aumentar este mercado é a dobragem dos jogos em português uma área em que tem investido, inclusive com “Until Dawn”, pois “põe fim a barreiras e abre o acesso a mais jogadores”.

Um passo pequeno, mas um passo mesmo assim

O investimento da Sony em Portugal tem sido claro, com vários eventos temáticos que reúnem fãs com jogadores, contudo ainda há um longo caminho a andar: Os eventos são de pequena dimensão e as entradas limitadas a convite.

Ao longo do dia, os convidados foram divididos em vários eventos que separaram os jornalistas durante a manhã, fãs à tarde, e celebridades ao fim do dia. A decisão da Sony prende-se por questões logísticas, contudo a empresa mostra vontade e espaço para criar eventos de maior dimensão. Só o tempo dirá se esta aposta forte se concretizará ou se irá trazer frutos.