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“Once Upon a Time” é o grande vencedor do festival Filmes do Homem

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Foram ao final desta tarde anunciados os prémios cinematográficos Jean Loup Passek, que o Filmes do Homem atribui homenageando o crítico e programador de cinema francês que doou parte do seu rico espólio ao município de Malgaço e que constitui o grosso do Museu de Cinema Local

"Once Upon a Time", longa-metragem do turco Kazim Oz, é o grande vencedor desta primeira edição do certame, e retrata uma numerosa família curda que deixa a região de Batmaan em direção à cidade de Ancara, para trabalhar na agricultura, com salários baixos, combinando o retrato das personagens, a sua sensibilidade e sentido de entreajuda, e denunciando o sistema em que perdura a servidão humana.

O melhor filme português foi "Aqui tem Gente", de Leonor Areal, que acompanhou a luta desigual, mas tenaz, pelo direito à habitação dos moradores do bairro da Torre, no concelho de Loures, muitos dos quais ciganos e originários de países africanos, com destaque para o papel ativo das mulheres.

Finalmente, o prémio para melhor curta-metragem foi ganho pelo palestiniano Mahdi Fleifel, com "Xenos", em torno da figura de Abu Eyad e outros refugiados em busca de uma nova vida em Atenas, vindos do campo de refugiados Ain el-Helweh, à procura de uma porta para a Europa e confrontados com um país da União Europeia em colapso económico, político e social.

Durante seis dias, Melgaço foi o ponto privilegiado para analisar o que tem sido feito em cinema documental sobre temáticas como fronteira, migrações, identidade e memória. Numa região de alto índice migratório cuja história passa pelos Estados Unidos da América, pelo surto para o Brasil e, finalmente, nos anos 60 do século XX, a demanda para a França e Alemanha, criar um festival com estes tópicos é um achado e uma oportunidade para repensar o impacto da nossa história migratória inclusivamente na reescrita da nossa própria história enquanto povo e enquanto país.

Passaram por Melgaço 35 convidados, entre realizadores e produtores de cinema, compositores consagrados que também têm trabalhado para bandas sonoras de filmes, como Luís Cília e Sérgio Godinho, e outras personalidades ligadas aos temas em debate, como investigadores locais e universitários. Foi possível assistir a quase três dezenas de filmes, apresentados no centro cultural da vila e em freguesias vizinhas, bem como na localidade de Abro, na Galiza.

Pela primeira vez, decorreu um curso de verão intitulado "Fora de Campo", encontro de reflexão e debate pluridisciplinar em torno do tema Cinema e Migrações, juntando a abordagem artística, tecnológica e das ciências sociais e humanas às experiências cinematográficas.

Esta noite, aproveitando a beleza da torre de menagem da vila, será homenageado Manoel de Oliveira, e projeta-se o clássico sobre a temática emigratória nacional, realizado antes de abril de 74 por Christian de Chalonge, “O Salto”, raras vezes apresentado em Portugal.