Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

“Daily Show.” Jon Stewart deixa recados misteriosos em noite de despedidas

  • 333

Crítico do período Bush, o humorista despediu-se quinta-feira do seu “Daily Show. Entre amigos e com algumas lágrimas à mistura, houve ainda tempo para recados importantes

A televisão nos Estados Unidos continua a mudar a passos largos. Depois de David Letterman se ter despedido do seu “Late Show”, agora foi Jon Stewart a abandonar o ecrã.

Tudo aconteceu na última noite no canal Comedy Central (em Portugal, o episódio será emitido pela SIC Radical na próxima quinta-feira), mas o rol de convidados era demasiado grande para o tempo regular do programa. Nada que não tivesse solução: duplicar o tempo de emissão.

Durante quase uma hora, Stewart recebeu amigos e individualidades naquela que seria a sua última vez à frente das câmaras do programa. “Que grande, grande noite”, prometia o apresentador. Cumpriu.

Começou por falar sobre o debate republicano que acontecia em simultâneo por Cleveland, explicando que não tinha correspondentes em número suficiente para que conseguissem cobrir os trabalhos. Primeira boca para o partido que tem pelo menos 17 personalidades na corrida para a nomeação às eleições presidenciais do próximo ano.

Claro que os correspondentes não estavam disponíveis para eventos políticos. Era a despedida do amigo Stewart e não podiam deixar de marcar presença. Nomes como Lewis Black, John Hodgman, Kristen Schaal ou Steve Carell apareceram e agradeceram a capacidade e a coragem do humorista, mas o momento alto da noite terá acontecido com Stephen Colbert, que vai substituir Letterman no "Late Night". Sem esquecer a vinda de Craig Kilborn, anterior apresentador do programa, ao último do seu sucessor.

“És irritantemente bom naquilo que fazes. E todos nós, que fomos sortudos o suficiente para poder trabalhar contigo durante 16 anos – e podes editar isto depois – fazemos melhor o nosso trabalho porque pudemos assistir como tu fazias o teu. E somos melhores pessoas por te ter conhecido”, declarou Stephen Colbert, levando Jon Stewart às lágrimas (é ver o vídeo no início do texto).

“Eu sei que não estás a pedir isto, mas, em nome de tantas pessoas cujas vidas mudaste durante os últimos 16 anos, obrigado!” E mudou mesmo. Se não fosse o segmento Colbert Report, o programa homónimo nunca teria existido e a rampa de lançamento para Colbert não estaria montada.

A candidata democrata Hillary Clinton, o Governador da Nova Jérsia Chris Christie e o senador John McCain também deixaram as suas mensagens de agradecimento. Foi em redes sociais como o Twitter que o mundo da política agradeceu ao homem meio-pivot-meio-humorista que dava graça às noites da televisão norte-americana. Vai fazer falta.

E antes do fim, um aviso de Stewart. “Digo-vos isto esta noite, amigos: a melhor forma de nos defendermos contra as tretas [bullshits] é sermos vigilantes. Por isso, se sentirem alguma coisa, digam alguma coisa.” Uma clara alusão ao slogan norte-americano da luta contra o terrorismo e que, na verdade, pode ser aplicada a qualquer outra realidade.

Crítico do período em que George W. Bush comandou os destinos dos Estados Unidos, numa época marcada pelo realismo ofensivo do pós-11 de Setembro, Jon Stewart acabou por se tornar um pouco a voz da América.

O país e o mundo não serão os mesmos sem Jon Stewart no ecrã. Chegava a hora do fim. O programa foi encerrado com uma atuação de Bruce Springsteen, num último “momento de zen” do programa. Em setembro, o testemunho é passado a Trevor Noah.