Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Morreu a escritora e artista plástica Ana Hatherly

  • 333

Nascida no Porto em 1929, Ana Hatherly teve um percurso transversal no cinema, artes plásticas, poesia e prosa, cruzando quase sempre as diferentes expressões artísticas

A escritora e artista plástica Ana Hatherly, um dos nomes da vanguarda da poesia experimental, morreu esta quarta-feira, aos 86 anos, num hospital em Lisboa, disse à agência Lusa fonte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Nascida no Porto em 1929, Ana Hatherly teve um percurso transversal no cinema, artes plásticas, poesia e prosa, cruzando quase sempre as diferentes expressões artísticas. Tem o nome inscrito na vanguarda da poesia e na forma como o poema é escrito no papel, tornando-se numa obra visual.

Autora do primeiro poema concreto escrito em Portugal, Ana Hatherly é “um dos nomes mais relevantes das vanguardas literário-artísticas portuguesas da segunda metade do século XX”, que explorou “as questões da visualidade do texto e do ato da escrita (desde a sua origem), associando-as a uma profunda pesquisa sobre os processos criativos”, afirma a Fundação Calouste Gulbenkian, numa nota enviada à agência Lusa.

No campo da escrita, “o labirinto, leitmotiv na obra de Ana Hatherly, dir-se-ia a o motor da narrativa que aborda temáticas a impossibilidade e a incomunicabilidade”.

Licenciada em Filologia Germânica e doutorada em Estudos Hispânicos, Ana Hatherly tem ainda formação em cinema e música e foi professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde cofundou o Instituto de Estudos Portugueses.

A autora foi ainda uma das fundadoras do PEN Clube Português e tem o nome inscrito na criação das revistas “Claro-Escuro” e “Incidências”.

Iniciou a carreira literária em 1958 - celebrou 50 anos em 2008 -, tendo publicado nos primeiros anos as obras “Um ritmo perdido” e “As aparências”.

“Eros frenético”, “Anagramas”, “A dama e o cavaleiro”, a série “Tisanas” (algumas das micronarrativas desta série foram transpostas para teatro), “Rilkeana”, “A mão inteligente” e “O cisne intacto: Outras metáforas - Notas para uma teoria do poema-ensaio” são algumas obras publicadas por Ana Hatherly, traduzida em mais de uma dezena de línguas.

A Sociedade Brasileira de Língua e Literatura distinguiu-a em 1978. Em 2009 foi distinguida como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi ainda premiada pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo PEN Clube.

De acordo com a Fundação Calouste Gulbenkian, está em curso a tradução para língua francesa da novela “O Mestre”. No prelo estão também um volume de homenagem publicado pela Universidade Federal Fluminense no Brasil e outro de ensaios, pela Theya, que completa uma trilogia sobre o barroco.

O espólio da autora está à guarda da Biblioteca Nacional, no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea, e parte da biblioteca pessoal está na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Nas artes visuais, tem obra presente em várias coleções, nomeadamente na Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Museu do Chiado, Coleção Berardo e Cinemateca Portuguesa.