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Sete álbuns para salvar esta semana (e agosto e talvez o ano)

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Isto não é uma lista de discos para ouvir no verão ou no inverno, na primavera ou no outono. É simplesmente um ato de partilha (e recomendamos que utilize a caixa de comentários para deixar as suas sugestões, porque nós damos mas também queremos receber)

Helena Bento

Jornalista

Beach House – "Depression Cherry"

Construído no interior desse muralha de shoegaze herdeiro dos My Bloody Valentine e Slowdive, "Sparks", single do novo álbum dos Beach House, com data de lançamento prevista para 28 de agosto, é somente um pedaço de qualquer coisa que tivemos o privilégio de descortinar há dias e que ainda não sabemos bem o que é (ou não sabemos de todo), mas suspeitamos que será grande, muito grande.

Gravado e produzido por Victoria Legrand e Alex Scally, com o apoio de Chris Coady (Lower Dens, Future Islands, Blonde Redhead), num estúdio em Bogalusa, estado do Louisiana (EUA), o novo álbum, "Depression Cherry", é descrito assim no press release assinado por Victoria e Alex: "No geral, este álbum representa um retorno à simplicidade, com canções estruturadas à volta de uma melodia e poucos instrumentos. Com o sucesso crescente de 'Teen Dream' [2010] e 'Bloom' [2012], os palcos e as salas maiores conduziram-nos naturalmente para um lugar mais alto e mais agressivo, longe das nossas tendências naturais. Aqui, continuamos a deixar-nos evoluir, enquanto ignoramos absolutamente o contexto comercial em que existimos".

O disco, composto por nove faixas, vai ser apresentado em Portugal a 23 e 24 de novembro, no Armazém F, em Lisboa, e no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, respetivamente. Entretanto, deixamos aqui duas sugestões: o videoclip de "Sparks", evidentemente, e a curta-metragem que a Pitckfork TV apresentou um ano depois do lançamento de "Bloom" e que acompanha a banda por terras áridas de Tornillo, no Texas, onde foi gravado o álbum.

Lower Dens – “Escape From Evil”

Lançado em março deste ano, o terceiro álbum dos norte-americanos Lower Dens é descrito como sendo um álbum sobre "as crises comuns da vida": os vícios, o medo e a morte e o medo da morte, a culpa, obrigação, desespero, abandonando assim outros temas já explorados, como o transhumanismo, a tecnologia e as questões ambientes. A apresentação é feita por Jana Hunter, líder da banda, numa das entrevistas que deu em vésperas do lançamento do disco.

"Escape From Evil" (que se segue a "Twin-Hand Movement", de 2010, e "Nootropics", 2012), foi produzido por Jana Hunter em colaboração com Chris Coady, a quem nos referimos aqui pela segunda vez, e é composto por dez faixas, entre elas o single "To Die in L.A.".

Em novembro, os Lower Dens regressam a Portugal para apresentar o álbum, depois de duas visitas ao país, em 2010 e 2012 (na primeira edição do Primavera Sound). Temos duas oportunidades para os ver: em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, dia 21, e em Braga, no espaço Gnration, no dia 22.

Pega Monstro – “Alcachofra”

Há quem diga que o primeiro álbum das Pega Monstro, formadas em 2010 pelas irmãs Maria e Júlia Reis, era ótimo (apesar de ter gerado discórdia no café, que é como quem diz, e nas redes sociais, onde as opiniões não se podiam ter dividido mais) e que o novo álbum, lançado este mês (julho), é ainda melhor e não deixará lugar para dúvidas.

Não é óbvio que isso aconteça, assim como não é óbvio, absolutamente nada, que seja melhor do que o primeiro, "Pega Monstro", extraordinário de uma ponta à outra. Seja como for, "Alfarroba", produzido por Leonardo Bindilatti (de Iguanas e Putas Bêbadas), é um álbum para ser ouvido, falado e elogiado durante o tempo que o tempo quiser, que esperamos que seja muito.

Tame Impala – “Currents”

Falar sobre álbuns lançados recentemente (e já se percebeu que esse é o critério que orienta esta seleção) implica falar sobre o novo dos australianos Tame Impala. Lançado há meia dúzia de dias, "Currents" vem dar força à ideia tomada já por certa de que há nos Tame Impala de Kevin Parker um impulso para a recriação que não obedece senão ao que vem de dentro. Há nisto uma série de riscos, já se sabe, mas eles não parecem importar-se muito com isso. Ainda não chegaram onde desejam e é provável que nunca cheguem (apesar de nós já os vermos lá no alto), mas vão continuar a tentar. Oh, se vão.

"Let It Happen", um dos singles do novo álbum, está entre esses pequenos milagres a que, de tempos a tempos, temos o privilégio de assistir. Em agosto, os Tame Impala regressam a Portugal, e a Paredes de Coura, para apresentar "Currents", que se segue a "Innerspeaker" (2010) e "Lonerism" (2012).

Sharon Van Etten – “I Don't Want to Let You Down”

Um ano depois do soberbo "Are We There", Sharon Van Etten regressa com o EP "I Don't Want to Let You Down". Numa entrevista recente à NPR, Sharon explica quem é essoutra pessoa a quem se dirige nas cinco canções que compõem o disco. "É alguém com quem ainda me preocupo, mas não quero voltar a falar."

Já o sabíamos. Em "Tell Me", incluída em "Tramp" (2012), e que aqui ganha nova vida com a gravação ao vivo, Sharon Van Etten canta: "Às vezes eu não penso em ti / Às vezes eu vivo a minha vida".

Produzido por ela em colaboração com Adam Granduciel (com quem trabalhou também em "Are We There"), "I Don't Want To Let You Down" é intímo, é confissão, à semelhança dos álbuns anteriores. Não esperávamos senão vê-la assim, franca, despindo-se de várias camadas, do excesso, do que não é absolutamente essencial, a contar o que lhe vai na alma.

Mac DeMarco – “Another One”

O álbum tem data prevista de lançamento para agosto (dia 7, através da editora Captured Tracks), mas já há quatro canções a circular pela Internet (legalmente) e a dar razões aos fãs para o elogiar até ao tutano: "Another One", que dá título ao disco (no videoclip, Mac DeMarco aparece a tocar com uma t-shirt e uma máscara do Michael Jackson, tendo como pano de fundo o mar), "The Way You'd Love Her", "I've Been Waiting for Her" e "No Other Heart", partilhada há um par de dias.

O "mini-álbum", composto por oito faixas ("oito canções frescas", segundo o músico canadiano), segue-se a "2" (2012) e a "Salad Days", um dos grandes álbuns de 2014, belo e brilhante, que conquistou a crítica e as gentes.

Wilco – Star Wars

Quatro anos depois, os Wilco, de Jeff Tweedy, regressam como um novo álbum, "Stars Wars". Composto por 11 faixas e com um título tão sugestivo quanto a capa (um gato sentado numa almofada tendo atrás de si um ramalhete de rosas), o disco foi lançado de surpresa em julho e pode ser descarregado gratuitamente no site da banda. Deixamos o aviso: o download está disponível apenas por um período limitado (30 dias), sendo por isso de aproveitar. Ou esperar pelo lançamento físico, ainda sem data prevista.

A ideia de lançar um álbum de surpresa não é pioneira (várias bandas já o fizeram), mas ainda assim impõe-se a pergunta: porquê? Porquê lançar um disco sem aviso e oferecê-lo? A resposta é dada pelo próprio Jeff Tweedy via Instagram: "Bem, a principal razão, e creio que nem sequer precisamos de outras, é porque achámos que seria divertido. Há alguma coisa mais divertida do que uma surpresa?".

"Stars Wars", nono álbum de estúdio da banda americana, tem sido descrito como o melhor regresso a essa pedra rara e delicada que é "Yankee Hotel Foxtrot" (2002), que catapultou os Wilco para um lugar de ouro, sem dúvida merecido.