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Responsável por galeria de arte roubou mais de 140 quadros, que substituía por falsificações

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De entre as 143 obras roubadas, muitas eram da autoria do pintor chinês Qi Baishi

AFP

Xiao Yuan não se limitou a roubar alguns dos quadros mais famosos da China. Ao longo de dois anos foi substituíndo as obras de arte por cópias da sua autoria. Admitiu o crime depois de ter sido descoberto, mas defendeu-se, considerando a prática “normal”

Não é raro ir a uma exposição e ouvir alguém dizer "Eu conseguia fazer isto!"enquanto olha para um quadro. Talvez tenha sido isso que Xiao Yuan pensou quando decidiu falsificar 143 quadros da galeria pela qual era responsável, para vender os originais.

O homem, de 57 anos, confessou perante o tribunal esta terça-feira ter roubado a Academia de Belas-Artes de Guagnzhou no sudeste da China, durante dois anos - entre 2004 e 2006. Em sua defesa, escreve a “BBC News”, alegou que a prática parecia ser algo habitual, uma vez que notou a existência de falsificações na galeria logo no primeiro dia de trabalho, além de que a presença dos verdadeiros quadros carecia - segundo ele - de maiores condições de segurança.

Mas Xiao Yuan não deixou também de partilhar ter sido ele próprio surpreendido, ao perceber que muitas das suas falsificações foram sendo trocadas por outras pinturas falsas. “Percebi facilmente porque os outros trabalhos eram de péssima qualidade”, declarou.

Entre os trabalhos roubados estão “Tigre” e vários trabalhos de QI Baishi, peças de Zhang Daqian e "Pedras e Pássaros", de Bada Shanren.

O falsificador disse ainda não saber quem roubou as suas falsificações, mas afirmou que professores e estudantes podiam levar obras para casa para estudar e analisar.

Da coleção de 143 quadros roubados, Xiao Yuan vendeu 125, que lhe renderam 5 milhões de euros entre 2004 e 2011. Os 18 quadros restantes que estavam ainda na sua posse, estão avaliados em quase 10,2 milhões de euros.Só a transferência dos quadros e também das falsificações para outras galerias pôs termo ao roubo das obras de arte,

Levado à justiça, depois de um funcionário ter descoberto o que se passara, Xiao Yuan, que se manteve diretor-bibliotecário na universidade até 2010, admitiu a sua culpa no processo por corrupção e mostrou-se arrependido. Aguarda agora a leitura da sentença.