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Morreu Omar Sharif, o Dr. Jivago

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Omar Sharif, um dos grandes nomes do cinema na década de 1960, morreu aos 83 anos, vítima de ataque cardíaco

Helena Bento

Jornalista

MOHAMED OMAR/EPA

Omar Sharif, conhecido pela sua participação nos filmes "Lawrence da Arábia" e "Doutor Jivago" (de que foi a grande estrela), morreu esta sexta-feira, aos 83 anos, num hospital do Cairo, vítima de um ataque cardíaco, revelou o seu agente.

O ator egípcio foi nomeado para o Óscar pelo seu papel em "Lawrence da Arábia", realizado em 1962 por David Lean, tendo ainda sido galardoado com um Globo de Ouro. Em 1965, foi-lhe atribuído o mesmo galardão pelo seu desempenho no filme "Doutor Jivago" (adaptado do romance de Boris Pasternak), em que fazia de Yuri.

A participação em "Lawrence da Arábia", que descreveu como um "gesto louco" feito por um "homem brilhante e extraordinário" (entrevista ao "The Guardian", em 2012), tornou-o conhecido em Hollywood, papel ao qual se seguiriam outros dois, em "Behold a Pale Horse" (1964), ao lado de Gregory Peck e Anthony Quinn, e no épico "Genghis Khan", de 1965, com o qual venceu sete Óscares. 

Omar Sharif nasceu em 1932, em Alexandria. Estudou na Victoria College e depois na Royal Academy of Dramatic Art, em Londres. Estreou-se como ator no cinema egípcio em 1954, tendo participado em mais de 20 filmes no seu país, muitos deles ao lado da sua mulher, Faten Hamama (o casal viria a divorciar-se em 1974).

Da sua carreira que se prolongou por 51 anos, destacam-se ainda os filmes "Funny Girl: Uma Rapariga Endiabrada", com Barbra Streinsand, cujas cenas de amor foram fortemente criticadas pelo Governo egípcio (que chegou a exigir, embora sem efeito, que lhe fosse revogada a cidadania egípcia), o western "MacKenna's Gold" e "Mayerling", uma história de amor trágica em que contracenou com Catherine Deneuve e Ava Gardner, os três realizados na década de 60. Omar Sharif participou ainda em várias séries e outros projetos de televisão.

Recentemente, participou no filme "Um Castelo em Itália" (2013), de Valeria Bruni Tedeschi, e na curta-metragem "1001 Inventions and the World of Ibn Al-Haytham", de Ahmed Salim, ainda por estrear. Além do cinema, dedicava-se ao bridge, desporto do qual se dizia um apaixonado, e ao trabalho humanitário, tendo recebido a medalha Sergei Eisenstein da UNESCO pelo seu contributo para o cinema e para a diversidade cultural. 

Em maio deste ano, o filho revelou que o ator fora diagnosticado com a doença de Alzheimer.