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Três Monet pelo preço de dois

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'La Jetee' estava escondida nas costas do quadro 'Etude de Ceil' datado de 1868. A peça de Monet foi esta quarta-feira oficialmente reconhecida e registada

Rob Stothard / Getty Images

Os melhores negócios são aqueles em que as pessoas recebem coisas de graça, especialmente se se tratar de uma obra de um dos mais conceituados pintores dos séculos XIX e XX. Mas foi isso mesmo o que aconteceu a um galerista, que descobriu uma obra inédita de Monet nas costas de um de outros dois quadros que adquirira do mesmo autor

Não haverá quem não goste de bom negócio, ainda mais se este envolver a compra de quadros de um dos maiores pintores dos séculos XIX e XX. Mas foi isso que aconteceu a Jonathan Green, um negociante de arte britânico que adquiriu dois quadros de Claude Monet num leilão em Paris. De regresso à sua galeria Richard Greene, em Londres, verificou, com grande surpresa, que por trás de uma das telas havia... um terceiro quadro.

Curioso em descobrir o que se escondia atrás do quadro, Green procurou ajuda especializada. A tarefa de resgatar o quadro extra em segurança coube a Jane McCausland, especialista na complicada tarefa de tratar e preservar papel. Depois de um tarefe morosa e delicada, fez-se a descoberta surpreendente: o quadro preso era um terceiro e até agora desconhecido Monet.

A obra inédita, 'La Jetee', é uma variante de um dos quadros mais conhecidos do pintor impressionista francês, 'Etude de Ceil', datado de 1868 e uma das obras mais antigas de Monet, ainda antes de tornar-se mundialmente reconhecido.

Citado pelo “The Guardian”, Jonathan Green diz que “pinturas a pastel de óleo de Monet são incrivelmente raras". "Servem como pistas do passado do artista e indicam o futuro que ele eventualmente seguiu. Podemos ainda ver o seu fascínio naquela altura pela luz”, acrescenta ao diário britânico.

A veracidade do quadro é confirmada pela sua origem: um leilão da coleção de Ann-Marie Durant-Ruel, que recebeu os quadros das mãos do próprio Monet como prenda de casamento. Ann-Marie foi neta do negociante de arte e artista Paul Durand-Ruel, o pai do impressionismo e mecenas de Monet, que acabou por imortalizar.

Esta ligação entre o impressionista mais conceituado e o fundador do género dá um valor acrescido aos raros quadros de Monet a pastel de óleo. As duas primeiras obras do autor tinham sido catalogadas em 1974, no guia de obras de Monet elaborado por Daniel Wildenstein, um conceituado negociante e historiador de arte. A terceira peça, recém-descoberta, foi esta quarta-feira oficialmente reconhecida e registada.

Os três quadros vão agora ser exibidos em conjunto, na feira de arte londrina Masterpiece 2015, esta quinta-feira, onde serão colocados à venda, desta vez num pacote de três, por dois milhões de euros.

Não é a primeira vez que se faz uma descoberta do género. Já em fevereiro deste ano, a fundação Barnes encontrou dois rascunhos inéditos de Paul Cézanne nas costas de duas importantes obras do artista que estavam expostas na galeria da fundação, em Filadéfia, Estados Unidos.