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Hélia Correia vence Prémio Camões

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Hélia Correia é a vencedora do Prémio Camões 2015. O júri reuniu esta quarta-feira no Rio de Janeiro e distinguiu a autora de "A Terceira Miséria", uma homenagem à Grécia

Ana Baião

A escritora portuguesa Hélia Correia é a vencedora do Prémio Camões 2015. O anúncio foi feito esta quarta-feira no Rio de Janeiro. A escolha de Hélia Correia para a 27.ª edição do Prémio Camões foi feita por unanimidade numa reunião do júri, que contou com Rita Marnoto, professora na Universidade de Coimbra, Pedro Mexia, crítico literário e escritor, Inocência Mata, professora nas universidades de Lisboa e de Macau, e pelos escritores Affonso Romano de Sant'Anna, António Carlos Secchin e Mia Couto.

Hélia Correia, nasceu em Lisboa em 1949. É licenciada em Filologia Românica e fez uma pós-graduação em Teatro Clássico. Para além do seu trabalho como autora de romance, novela e conto, faz traduções. Em 2013, venceu o Prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da sua obra , e o Prémio Literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa pela sua obra A" Terceira Miséria".

O Prémio Camões, com o valor de 100 mil euros, foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989 como forma de reconhecer autores "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da literatura de língua portuguesa em todo o mundo", sustenta a organização. 

O primeiro distinguido, em 1989, foi o escritor português Miguel Torga. Depois disso, e por ordem cronológica, o brasileiro João Cabral de Mello Neto, o moçambicano José Craveirinha e o português Vergílio Ferreira . Em 1993, a brasileira Rachel de Queiroz, à qual se seguiu Jorge Amado no ano seguinte. Em 1995, José Saramago, depois Eduardo Lourenço, o angolano Pepetela e o brasileiroAntónio Cândido.

Em 1999, Sophia de Mello Breyner Andresen, e em 2000, o brasileiro Autran Dourado. Depois, o poeta portuense Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, e o brasileiro Rubem Fonseca. Em 2004 o galardão volta a contemplar uma escritora portuguesa, Agustina Bessa-Luís.

Depois Lygia Fagundes Telles, do Brasil, o angolano Luandino Vieira  e António Lobo Antunes. Em 2008 é a vez do brasileiro João Ubaldo Ribeiro, e em 2009 do cabo-verdiano, Arménio Vieira, seguido por Ferreira Gullar do Brasil. Em 2011, o galardão distingue o pela terceira vez um escritor do Porto, Manuel António Pina.

E em 2012,  Dalton Trevisan  do Brasil, a que se segue Mia Couto. No último ano foi a vez do brasileiro Alberto da Costa e Silva. Registe-se que antes de Hélia Correia vencer a edição de 2015, o jornalista e escritor Manuel António Pina tinha sido o último português a ser distinguido com este galardão.

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