Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Vencedor do Prémio Pessoa diz que é necessário saber o que foi feito na ciência em Portugal

  • 333

O historiador de ciência foi no ano passado laureado com o Prémio Pessoa 2014, um galardão no valor de 60 mil euros.

Luís Barra

Henrique Leitão, a quem foi atribuído o Prémio Pessoa 2014, disse que o galardão representa "uma honra enorme", mas também uma "responsabilidade".

Helena Bento

Jornalista

"Receber este prémio é de facto uma honra enorme - e por isso uma ocasião de alegria - mas sou perfeitamente consciente de que é uma responsabilidade ainda maior, e portanto traz consigo também alguma apreensão", disse Henrique Leitão, vencedor do prémio Fernando Pessoa 2014, na cerimónia de entrega do galardão, que teve lugar na Culturgest, em Lisboa. 

Henrique Leitão é investigador principal no Centro Interuniversitário da História das Ciências e Tecnologia e docente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Esta quarta-feira, durante uma cerimónia que contou com a participação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e de Francisco Pinto Balsemão, presidente do Grupo Impresa, o historiador aproveitou para chamar a atenção para a importância da disciplina de história da ciência, a que se dedica há vários anos. 

"Em torno da noção de ciência articulam-se ideias tão importantes como as de crescimento, progresso, liberdade, desenvolvimento. Em torno da ideia de ciência articula-se a própria ideia de modernidade", referiu o investigador, que por isso defende que a ciência está intimamente relacionada com outros campos e disciplinas, contagiando-os. 

Segundo Henrique Leitão, a ciência tem ainda uma influência "determinante" na ideia de construção de modernidade e, consequentemente, na "imagem que um povo, uma cultura, ou uma região faz de si próprio e da sua história". 

Focando-se no caso português, o historiador referiu que é necessário abandonar a "tentação comparativa"que prevaleu durante décadas nos estudos histórico-científicos. O importante, disse Henrique Leitão, não é saber se "a ciência em Portugal foi melhor ou foi pior, se foi mais ou se foi menos", mas em saber "exatamente o que foi feito e como". Esse é um dos grandes desafios académicos, considerou.