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Três novos discos e um livro para celebrar Amália

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Bob Lampard Rancurel

Seis grandes vozes do fado são protagonistas de um disco de homenagem a Amália Rodrigues que a Universal vai editar a 10 de julho. Carminho, Gisela João, Ana Moura, Camané, António Zambujo e Ricardo Ribeiro surgem num disco que contará ainda com Caetano Veloso, Mayra Andrade, Bonga e Celeste Rodrigues e que tem por diretor artístico Ruben Alves, o realizador do filme “Gaiola Dourada”, que aqui faz uma “aventura diferente” daquele que é o seu terreno habitual, como ele mesmo explicou ao Expresso, notando que o seu trabalho neste projeto não se relaciona diretamente com a música mas com o processo de escolha daqueles que participam no disco. 

As canções escolhidas incluem alguns clássicos, mas traduzem sobretudo “escolhas pessoais dos artistas”. Entre os temas já gravados, Ricardo Ribeiro canta ‘Grito’, António Zambujo faz uma versão de ‘Estranha Forma de Vida’, Carminho interpreta ‘Com Que Voz’, Gisela João canta ‘O Medo’ e, com Camané, faz um dueto em ‘Meu Amor, Meu Amor’. Caetano Veloso dá voz a ‘Naufrágio’. Bonga gravará um dueto com Ana Moura (por confirmar). Instrumentalmente há um ponto de partida ligado às tradições do fado, mas há liberdade para cada um procurar o seu caminho revela Ruben Alves, deixando claro que a “base é fadista clássica”, cabendo a cada um a forma de encontrar o seu modo de “homenagear Amália em 2015”. A imagem a usar na capa resultará de um desafio a ser colocado ao português Vhils.

Com o disco está a ser preparado um documentário, realizado pelo próprio Ruben Alves, mas que só deverá surgir mais perto do Natal. “A ideia é aqui a de fazer percursos emocionais de pessoas que se encontraram com o fado e ver como esta música urbana cresceu e evoluiu com o povo português”, explica o realizador. 

Já em junho, e pela Valentim de Carvalho, chega ao mercado uma reedição de “Fado Português”, álbum que Amália Rodrigues editou em 1965 e que inclui ‘Gaivota’, ‘Erros Meus’ ou o próprio tema-título, que usa um poema de José Régio. A reedição, que assinala os 50 anos do disco, foi preparada por Frederico Santiago, que confirmou ao Expresso que uma das principais preocupações técnicas foi o respeitar da mistura em mono original, que assim surge pela primeira vez em CD, retomando “o som de Hugo Ribeiro” (o técnico que gravou as sessões). O CD 1 incluirá a totalidade do alinhamento do álbum original e junta temas do EP “Amália Canta Luís de Camões” de outros mais EP da época. No disco dois haverá registos de ensaios em estúdio, que recuam a 1963, alguns deles com Alain Oulman, incluindo dois inéditos absolutos, avança Frederico Santiago, que lembra que estas gravações correspondem às primeiras sessões de Amália nos estúdios de Paço de Arcos. O responsável por esta reedição nota que o auge discográfico do relacionamento de Alain Oulman com Amália “terá sido ‘Com Que Voz’” (de 1970), mas é em ‘Fado Português’ que sente o que foi “o auge da criação entre os dois”.

Em setembro a Valentim de Carvalho lança ainda em disco a gravação de um concerto de homenagem ao fadista Filipe Pinto, que decorreu em 1962 no Teatro Tivoli, em Lisboa. Incentivada por Amália, nesta homenagem vários grandes nomes do fado, como Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo ou Fernando Farinha, subiram ao palco para cantar dois temas. “Amália cantou oito, foi um minirrecital”, revela Frederico Santiago. 

Hoje é apresentado, na Fundação Amália Rodrigues (na Rua de São Bento), às 15h, o livro de Ramiro Guiñazú “Amália no Mundo”. Editado pela Tradisom, este volume de 320 páginas junta “tudo o que foi editado por Amália e contém as capas todas e explicações”, descreve o editor José Moças, que chama a atenção para uma lista completa, por ordem alfabética, de todas as canções de Amália que o livro inclui nas últimas páginas. Este volume é fruto de uma admiração antiga do autor, um argentino que, em criança, de viagem a Portugal, visitou Amália com os pais, nascendo logo uma grande admiração pela fadista.