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Escritor comparado a Kafka vence prémio que tinha Mia Couto entre os finalistas

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Júri do Man Booker International Prize deliberou e diz que o vencedor dispõe de uma "escrita absolutamente deslumbrante".

Helena Bento

Jornalista

László Krasznahorkai, escritor húngaro, venceu o Man Booker International Prize. O seu nome foi anunciado esta terça-feira à noite, numa cerimónia realizada no Museu Victoria and Albert, em Londres.

A presidente do júri, Marina Warner, comparou a sua obra à de Franz Kafka – que o vencedor do prémio assumiu como seu herói literário, numa entrevista recente ao "The Guardian" - e Samuel Beckett.

“Sinto que encontrámos aqui alguém dessa ordem", referiu Marina Warner, que descreveu a escrita de László Krasznahorkai como "absolutamente deslumbrante", comparando-a a uma peça musical. "No início não se sabe onde se está, é estranho, mas depois começa a parecer natural, é-se arrastado pelo ritmo. É um autor difícil, da mesma forma que Beckett ou Dante eram difíceis. Kafka também tinha essa qualidade".

László Krasznahorkai, disse ainda a presidente do júri, é um “escritor visionário de uma intensidade extraordinária e uma voz que capturam a textura da existência do dia a dia em cenas que são assustadoras, estranhas, terrivelmente cómicas e, muitas vezes, devastadoramente bonitas”.

Nascido em 1954 na cidade de Gyula, na Hungria, László Krasznahorkai ganhou notoriedade com a publicação, em 1985, de “Satantango”, seu primeiro romance, adaptado para cinema por Béla Tarr, com a colaboração do autor.

Também "Az ellenállás melankóliája" (em inglês, “The Melancholy of Resistance”), publicado quatro anos depois, em 1989, deu origem a um filme do realizador húngaro ("Werckmeister Harmonies"). O romance, que lhe valeu em 1993 o prémio German Bestenliste para melhor obra literária do ano, foi descrito pelo júri do Man Booker International Prize como "uma visão, satírica e profética, da província histórica tenebrosa que se dá pelo nome de civilização ocidental". 

O Man Booker International Prize, que complementa o Booker Prize (um dos mais prestigiados prémios literários britânicos) é atribuído de dois em dois anos a um autor de ficção com obra publicada em língua inglesa, original ou traduzida, e reconhece um corpo de obra e não um título específico. 

Tem o valor de 60 mil libras (cerca de 82 mil euros). Caso seja atribuído a um autor traduzido, este pode escolher um tradutor para inglês da sua obra a quem é atribuído em paralelo um prémio no valor de 15 mil libras (cerca de 20 mil euros). Esse prémio vai ser agora atribuído a George Szirtes e Ottilie Mulzet, tradutores do escritor húngaro.

Este ano, pela primeira vez, a lista de finalistas do prémio integrava oito autores traduzidos para inglês e autores de seis nacionalidades que nunca tinham sido incluídas antes. 

Além de László Krasznahorkai, eram candidatos ao prémio Mia Couto (Moçambique), César Aira (Argentina), Hoda Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (Estados Unidos da América), Ibrahim al-Koni (Líbia), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (África do Sul). 

Nenhum dos escritores selecionados foi finalista de qualquer edição anterior do Man Booker International Prize. Em 2013, o prémio foi atribuído a Lydia Davis. Philip Roth foi distinguido em 2011 e Alice Munro, contista canadiana, que viria a ser galardoada com o Nobel quatro anos depois, em 2009.