Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Morreu o rei dos blues

  • 333

B.B. King estava hospitalizado e morreu enquanto dormia

VALENTIN FLAURAUD/Reuters

B.B. King morreu esta quinta-feira. Tinha 89 anos e era o maior músico de blues que a América e o mundo mais veneravam. Sofria de diabetes e estava hospitalizado em estado grave.

O grande guitarrista de jazz, que pegou nos blues e os elevou à forma máxima da grandeza musical, influenciado gerações de músicos, de Eric Clapton a Stevie Ray Vagham, morreu esta quinta-feira em Los Angeles, Estados Unidos.

Há 20 anos tinha-lhe sido diagnosticado diabetes. Fora hospitalizado em abril, poucos dias depois de sofrer uma desidratação causada pela doença.

"Ser um cantor de blues é como ser negro duas vezes", escreveu na sua autobiografia, "Blues Are Around Me", sobre a falta de respeito que sentia comparado-se a músicos de rock e de jazz. 

"Enquanto o movimento de Direitos do Homem lutava pelo respeito dos negros, eu sentia que lutava pelo respeito dos blues", disse. Conseguiu o que queria.

A sua carreira começou nos anos 40, altura em que fazia autênticas digressões por bares de música negra. A ascensão não foi fácil. Uma década depois continuava na senda de reconhecimento percorrendo mais e mais bares e pequenas salas de concertos - em 1956 atuou 342 noites - até que, já nos anos 70 ser cabeça de cartaz num espetáculo de blues no grande Carnegie Hall, em Nova Iorque. Nos anos 90 juntou-se a músicos de rock e acabou por gravar com nomes como U2 e Eric Clapton.

Pelo meio ficaram atuações extraordinárias no Festival de Jazz de Montreux, no Newport Folk Festival e no Fillmore West, em San Francisco. Aí conseguiu definitivamente alargar a sua audiência e os fãs chegaram de todos os géneros musicais.

A sua voz profunda e ressonante, apesar de ter, como dizia, dedos estúpidos, conseguia tirar da guitarra um som imediatamente reconhecível. O seu estilo inconfundível de dedilhar as cordas com uma mão esquerda excecional à qual chamava "a borboleta", King ajudou a criar o início do rock. A emoção que conseguia tirar da guitarra foi copiada vezes sem conta por guitarristas de rock brancos. Jeff Beck e Bonnie Raitt foram dois deles.

O seu talento continuou a ser reconhecido por todo o mundo e em 2003 a revista "Rolling Stone" colocou-o em terceiro lugar na lista do 100 melhores guitarristas de sempre, atrás de Hendrix e Duane Allman.

O nome B.B. surgiu do alcunha que, numa rádio de Memphis (Tennessee), lhe colaram para a vida "Blues Boy". Ficaram as iniciais a que se acrescentou King, o rei do Blues nunca mais deixaria de ser o maior.

[Notícia atualizada às 9h30]