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Wayward Pines. Onde o paraíso é em casa

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É aqui que tudo acontece. Em Wayward Pines, a vida é totalmente diferente

D.R.

Blake Crouch criou uma prisão paradisíaca e M. Night Shyamalan trouxe-a para os lares dos telespectadores. “Wayward Pines” não é uma série. É um evento para conhecer em dez capítulos de tirar o fôlego. Começa esta quinta-feira à noite na FOX.

Ethan Burke acorda sem saber onde se encontra. A memória prega-lhe partidas, sente-se dorido e os seus ferimentos parecem-se com os que sofreu durante a Segunda Guerra do Golfo. Terá sido vítima de um acidente. Ao caminhar, descobre que nada lhe é familiar, talvez nem mesmo a própria existência. Só sabe seis coisas: o nome do atual Presidente dos Estados Unidos, a aparência do rosto da mãe, que é capaz de tocar piano e de pilotar helicópteros, que tem 37 anos e que precisa de encontrar um hospital, tão rápido quanto possível.

Ruas perfeitamente alinhadas, casas de aspeto cuidado, jardins arranjados, famílias felizes com crianças a brincar despreocupadamente pela rua. À primeira vista, um paraíso na terra. No entanto, o agente especial dos serviços secretos sabe que toda aquela perfeição é falsa. Sabe-o porque está ali com uma missão. Encontrar dois dos seus companheiros de profissão, desaparecidos depois de chegarem a Wayward Pines. O que lhes aconteceu é um mistério que terá de ser revelado.

Sem carteira,  dinheiro ou identificação, sente-se ainda mais perdido. Os pertences são parte de quem é e só Beverly, empregada de bar interpretada por Juliette Lewis, se oferece para o ajudar. A ligação entre os dois acontece de imediato e a jovem dá-lhe desde logo uma pista: a morada de uma casa onde Burke acaba por encontrar um dos seus colegas. No verso do bilhete, uma chamada de atenção: Em Wayward Pines não há grilos. Um estranho facto que adensa o mistério sobre este local verdejante em que todos vivem numa aparente harmonia. Será a pequena cidade no estado do Idaho uma experiência científica? O que estará para lá dos muros e dos penhascos que envolvem a cidade perfeita? 

À medida que a trama avança, Ethan Burke apercebe-se de que tudo ali é muito sinistro. Da enfermeira Pam (Melissa Leo), que vai do prestável ao maquiavélico em segundos, ao Xerife Pope (Terrence Howard), que gere Wayward Pines à sua maneira, todas as personagens escondem algo. E são várias as que tentarão prejudicá-lo.

“Twin Peaks”, 
sempre “Twin Peaks”

Blake Crouch , autor do livro que deu origem à série — a primeira produção televisiva da FOX Networks Group (FIC, FOX e FX Productions) —, confessa que se o ano de 1990 não tivesse acontecido daquela forma, “Wayward Pines — Paraíso” (Suma de Letras, Penguin Random House) nunca teria chegado ao papel. O universo de “Twin Peaks”, obra-prima de David Lynch e Mark Frost que conquistou a crítica durante a primeira temporada — com a investigação da morte de Laura Palmer no centro dos acontecimentos — era o preferido do pequeno fã de 12 anos.

“Pines nunca teria existido” e Crouch poderia nunca se ter tornado escritor se os pais não o deixassem ficar acordado até mais tarde para que acompanhasse as diligências do agente Dale Cooper às quintas-feiras à noite. As revelações são feitas no posfácio da obra literária, onde o autor conta ainda que tentou escrever um argumento seu para uma terceira temporada de “Twin Peaks”. A título pessoal, sem que mais ninguém tivesse acesso à continuação que criara para a sua história.

Se são várias as fontes ligadas à produção de uma terceira temporada de “Twin Peaks” que afiançam que o argumento para um novo capítulo — composto por 9 episódios a filmar a 35 mm —, escrito por Lynch e Frost já está pronto, esta poderá nunca chegar aos ecrãs. No último mês, David Lynch anunciou que ia abandonar o projeto que faria renascer a série de culto.

Voltemos a Wayward Pines, cidade que também é “bela por fora, mas com um intenso negrume nas entranhas”. Depois de uma antestreia no Hulu Plus — serviço de televisão ‘over-the-top’ concorrente do Netflix e fruto de uma parceria entre a  NBC Universal Television Group, a FOX e a Disney/ABC Television Group  —, o primeiro episódio de “Wayward Pines” foi apresentado simultaneamente em 126 países. Esta primeira incursão televisiva de M. Night Shyamalan (realizador de cinema vencedor de vários prémios da indústria, entre os quais se destacam as seis nomeações ao Óscar por “Sexto Sentido”) estreia na FOX portuguesa às 23h10. Até lá, conheça as personagens.

ETHAN BURKE, O AGENTE ESPECIAL

FRANK OCKENFELS

Matt Dillon, nomeado para um Óscar de Melhor Ator Secundário pelo seu papel em “Colisão”, vive Ethan Burke, um homem que procura a verdade acima de tudo.


PAM, A ENFERMEIRA

Melissa Leo no papel da misteriosa enfermeira de Wayward Pines

Melissa Leo no papel da misteriosa enfermeira de Wayward Pines

JAMES MINCHIN

Melissa Leo veste o uniforme de enfermeira e é ela a responsável por tratar dos doentes no hospital local. Pam não é o que parece e o tempo mostrará quais são as suas verdadeiras intenções naquele paraíso de onde ninguém pode sair. Os mandamentos da cidade são para cumprir e os que fugirem serão punidos.


JENKINS, O PSIQUIATRA

Toby Jones no papel de Dr. Jenkins

Toby Jones no papel de Dr. Jenkins

JAMES MINCHIN

Toby Jones, galardoado ator de teatro, televisão e cinema, interpreta o misterioso médico de Wayward Pines. Procura convencer os pacientes de que sofreram um grave acidente e de que poderão ter alguma doença psiquiátrica, mas o seu papel na pequena cidade é muito maior do que se pensa.


BEVERLY, A PROTETORA

JAMES MINCHIN

Ela sentirá na pele o que acontece aos dissidentes. Beverly (Juliette Lewis) será o exemplo de que as ordens são para cumprir e que a severidade é marca registada em Wayward Pines. Não é uma questão de vingança. Quando o telefone toca, todos os residentes são chamados a agir.


POPE, O XERIFE

BRENDAN MEADOWS

Claro que a cara não nos é estranha. Terrence Howard é uma das maiores estrelas do mundo FOX na atualidade. Depois de “Empire”, onde interpreta Lucious Lyon, o ator surge no papel de Arnold Pope, um homem respeitado que não gosta que agentes federais se metam no seu caminho. Burke vai estar em apuros.



[Texto publicado originalmente na edição da 09/05/2015 da E, a revista do Expresso]