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Rita no País das Maravilhas (parte 4)

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Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.

Não cabe aqui discorrer sobre o significado, nem tampouco a interpretação, dos sonhos de Rita Redshoes. Ela que em 1996 já cantava com os Atomic Bees. Que em 2003 atuava como teclista ao lado de David Fonseca. E que em 2008 fez publicar o seu primeiro álbum a solo. “Sonhos de uma Rapariga Quase Normal” é editado a 20 de maio, pela Guerra & Paz, e desse livro não se pode dizer, como Álvaro de Campos dizia das cartas de amor de Fernando Pessoa, que todos os sonhos de Rita Redshoes são rídiculos. O Expresso publica hoje o quarto desses sonhos.

   para ouvir enquanto lê o que aí vem

Estou de barba, sou Jesus Cristo cantor

Era a festa de casamento de um casal amigo. O casal era amigo, mas ao longo do sonho nunca se revelou. Ou seja, eram amigos, mas não sabia quem eram.

No local da festa havia quatro plataformas. Em cada uma passava-se algo diferente. Na primeira, os comes e bebes, na segunda, um salão de jogos, na terceira, uma pista de dança e na quarta plataforma, um jardim com cascatas. 

Todos os convidados homens estavam vestidos de mulher, alguns deles lindos, ao estilo dos anos 20. Plumas, brilhantes, todos muito glamorosos.

A dada altura ouve-se uma sirene como que a chamar-nos para algo importante que iria ter lugar. O acontecimento passava-se na quarta plataforma, onde se ia dar início a um concurso de melhor acrobacia e mergulho na água. Inscrevi-me e fui a vigésima a mostrar os meus dotes. Não me correu nada bem, dei apenas um salto tímido para a água e a minha acrobacia foi uma mera cambalhota para trás. Enfim. Na soma das classificações do júri arrecadei um mísero ponto. Zarpei dali, envergonhada, e fui ver o que se passava na pista de dança.

Havia um palco com uma banda a tocar música gótica. Estavam todos vestidos de monges e o vocalista chegou-se ao microfone e disse: – Eh, Rita, anda daí cantar uma canção connosco.

Corei de vergonha, mas senti que não tinha alternativa a subir ao palco e dar uns gritos por cima daquelas guitarras ensurdecedoras. No camarim estava uma senhora com um fato preparado para eu vestir. Era também de monge, mas resolveram juntar-lhe uma barba. Olhei-me a um espelho que estava por ali perdido e senti-me Jesus Cristo. Entrei em palco e encarnei o espírito gótico, fazendo daquele momento uma bela performance. Pisguei-me dali mal pude e saí para a rua na esperança de poder descansar um pouco daquelas andanças. Não tive tempo porque ouvi chamar o meu nome nas colunas: – Urgente, Rita, tem de comparecer na plataforma um.

Corri até lá e, no meio da sala, estava uma jaula com leões. Lá dentro andava uma mulher vestida com fato azul-celeste e luvas cravejadas de brilhantes. Ela era uma espécie de contorcionista e ao mesmo tempo domadora. Olhou para mim e disse:

– Até que enfim, estava a ver que não chegavas e não podia começar o meu número!

– Mas o que é que eu tenho de fazer?

– Apenas tirar fotografias e tomar conta do leão mais pequeno.

– Ai não, isso não posso fazer. O leão não é assim tão pequeno e não tenho máquina fotográfica comigo.

Mas não tive hipótese, já me tinham espetado com uma máquina ao pescoço e o leão, que de pequeno tinha pouco, já vinha a caminho da porta da jaula.

Com os nervos, desatei a tirar fotografias de olhos fechados à espera do ataque do bicho quando chegasse ao pé de mim. Como nunca mais levava uma dentada, abri os olhos para ver o que tinha acontecido e não é que o leão se tinha transformado num pequeno peluche cor-de-rosa com cara de ouriço? Peguei-lhe ao colo, pu-lo no ombro e continuei com o meu serviço. A contorcionista domadora deu início ao seu número, que era muito inovador. As pernas e os braços cresciam-lhe e voltavam ao seu tamanho normal em segundos e assim ela conseguia dominar os bichos e tocar com o dedo mindinho do pé direito no lóbulo da orelha esquerda.

Gritei:

– Isto vai dar umas fotos incríveis. 

  • Rita no País das Maravilhas

    Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.

  • Rita no País das Maravilhas (parte 2)

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  • Rita no País das Maravilhas (parte 3)

    Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso revela em exclusivo que sonhos são esses.