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Rita no País das Maravilhas (parte 2)

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Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso revela em exclusivo que sonhos são esses.

Não cabe aqui discorrer sobre o significado, nem tampouco a interpretação, dos sonhos de Rita Redshoes. Ela que em 1996 já cantava com os Atomic Bees. Que em 2003 atuava como teclista ao lado de David Fonseca. E que em 2008 fez publicar o seu primeiro álbum a solo. “Sonhos de uma Rapariga Quase Normal” é editado a 20 de maio, pela Guerra & Paz, e desse livro não se pode dizer, como Álvaro de Campos dizia das cartas de amor de Fernando Pessoa, que todos os sonhos de Rita Redshoes são rídiculos. O Expresso publica hoje o segundo desses sonhos.

Rita in Wonderland

Estou no meu quarto, na casa onde nasci e vivi até aos 5 anos. Está escuro e estou sozinha, só eu e os meus brinquedos. Um gorila, um palhaço, um piano de brincar, a piscina da Barbie, uma boneca preta que adorava e um quadro de ardósia. Tenho medo e levanto-me para tentar acender a luz. Oiço um barulho e fico, assustada, junto à cama à espera que um dos meus pais me venha buscar. Não aparece ninguém e, de repente, a minha cama fica muito maior do que eu. E não é só a cama, são os brinquedos, as janelas, o candeeiro do tecto, o tapete – crescem, crescem e eu sou minúscula, uma migalha ali perdida.

Fico ainda com mais medo e encolho-me com pavor do que me vá acontecer a seguir. Fecho os olhos e tapo os ouvidos, mas a sensação que me percorre é estranha e incómoda. Sinto uma pressão no pescoço e no topo da cabeça, abro os olhos e estou colada ao tecto. Lá em baixo a minha cama minúscula e tudo o resto parece agora uma casa de bonecas em miniatura. A escova do cabelo, a almofada, o interruptor da luz, os cortinados, tudo diminuído, quase invisível a olho nu. Este processo de encolher e crescer repete-se vezes sem conta até que me sinto tonta e maldisposta. Suplico que o tormento acabe e eu possa voltar a dormir. Ao fim de algum tempo de sofrimento, vejo-me deitada novamente na minha cama, desta vez tudo com o seu tamanho normal e sossegado. Dobro as pernas, ponho a mão direita debaixo da almofada e sinto que posso continuar a dormir descansada.

  • Rita no País das Maravilhas

    Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.