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Cultura

Novo Museu dos Coches é inaugurado mesmo com obra inacabada

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Com inauguração marcada para 23 de maio, o novo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, abre as portas sem museografia instalada e sem as infraestruturas terminadas, num edifício que deveria ter sido inaugurado há mais de dois anos.

Beatriz Cardoso Alves

A obra do novo Museu dos Coches está dada como concluída há cerca de dois anos e meio, mas o edifício está longe de ter todas as suas valências a funcionar. No espaço expositivo ainda não estão todos os coches que deveriam estar, a museografia não existe e as infraestruturas complementares, como a cafetaria, o restaurante, a ponte pedonal e a biblioteca vão permanecer fechadas até estarem verdadeiramente terminadas daqui a uns meses.

Mesmo assim, as portas abrem ao público dia 23 de maio, data em que há 110 anos a Rainha D. Amélia inaugurou o museu mais visitado do país. “A estrutura precisa de ser utilizada, para que se perceba quais podem ser os seus defeitos e para que o possa ser acionado o seguro que todas as grandes obras mantêm durante cinco anos” avançou Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, em conferência de imprensa.

O novo museu receberá a visita de 350 mil pessoas por ano, estima ainda Barreto Xavier. Mas para o chefe da pasta da Cultura este limite será ultrapassado dada a riqueza da coleção que “vários especialistas classificam como única no mundo”.

O museu que custou entre cerca de 40 milhões de euros, verba proveniente das contrapartidas do Casino de Lisboa através do Ministério da Economia e do Turismo de Portugal, tem um orçamento anual que ascende a 2,7 milhões de euros, dos quais 500 mil virão diretamente do Estado. Estima-se que o restante seja proveniente da receita de bilheteira e do apoio mecenático da Fundação Millennium BCP. “A participação do estado e os valores que arrecadamos com as visitas são muito importantes, mas a participação de privados é necessária”, disse Barreto Xavier, acrescentando que “hoje em dia essa comparticipação é comum a quase todos os museus internacionais”.

Do núcleo de Vila Viçosa vieram para a capital 26 coches, que completam a coleção já exibida em Lisboa, tornando, tornando possível observar todo o acervo do século XIX num só espaço, e permitindo ainda fazer um percurso pela história dos transportes reais desde o século XVII até ao século XIX, atravessando seis mil metros quadrados de área expositiva.

O antigo museu vai permanecer aberto ao público no Picadeiro Real do Palácio de Belém, onde se mantêm em exposição todos os instrumentos utilizados naquele espaço. Lá dentro, seis coches e berlindas guardam a memória do primeiro museu. Também visitável, o Picadeiro Real será associado ao novo edifício num bilhete só ou em separado, ou seja, o visitante pode optar por visitar um ou os dois espaços.

No fim de semana de abertura, dias 23 e 24 de maio, a entrada é gratuita. O preço dos bilhetes ainda não está definido mas sabe-se já que estudantes, crianças com menos de 12 anos e idosos com mais de 65 têm entrada gratuita.