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Ruth Rendell, escritora de policiais, morreu aos 85 anos

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Ruth Rendell, entrevistada em 2005 em Nova Iorque.

Seth Wenig/Reuters

Ruth Rendell é autora de mais de 60 romances. Morreu este sábado. Amigos e colegas de trabalho recordam-na como uma "grande escritora" e uma "grande amiga", "que vai fazer muita falta". 

Helena Bento

Jornalista

A escritora de policiais britânica Ruth Rendell morreu este sábado de manhã, em Londres, aos 85 anos. A escritora estava internada desde janeiro, depois de ter sofrido um AVC.

Num comunicado da chancela editorial onde eram publicados os seus livros, a Hutchinson, que pertence ao grupo Penguin Random House UK, a família da baronesa Rendell of Babergh pede privacidade.

"Ruth era muito admirada por toda a indústria editorial pela sua obra brilhante. Uma observadora elegante e perspicaz da sociedade, muitos dos seus premiados thrillers evidenciam as causas com que ela se preocupava profundamente", disse a baronesa Gail Rebuck, presidente da Random House UK, acrescentando que Ruth Rendell era uma "grande escritora, defensora da justiça social, uma mãe e avó orgulhosa, uma amiga leal e generosa", e "provavelmente a pessoa mais literata", que conheceu.

"Os seus amigos vão sentir muita falta da sua maravilhosa companhia e do seu contributo único para as suas vidas", disse a baronesa, citada pelo "The Guardian".

Ruth Rendell é autora de mais de 60 romances. Assinava também com o pseudónimo Barbara Vine. Estreou-se em 1964 com o romance "From Doon with Death", depois de uma curta carreira como jornalista do extinto "Chigwell Times".

Foi também nesse romance que surgiu pela primeira vez o famoso inspetor-chefe Reginald Wexford, dando assim início a uma série de livros tendo como protagonista o inspetor.

Em 2013, em entrevista ao semanário britânico "The Observer", Ruth Rendell disse que Wexford era, "de alguma forma" a própria autora, "embora não inteiramente". "Wexford partilha das minhas opiniões na maior parte das coisas, por isso é relativamente fácil pô-lo na página". 

A maior parte dos seus romances estão traduzidos em mais de 20 línguas e foram adaptados ao cinema (por Claude Chabrol, em 1995, e Pedro Almodóvar, em 1997) e à televisão. O realizador francês adaptou o livro "A Judgement in Stone", que foi traduzido em português e lançado pela Gradiva e Círculo de Leitores com o título "Sentença em Pedra".

Em Portugal tem ainda publicados "O Jogo da Navalha", "Perdidos no Bosque", "Vaidade Fatal", "A Árvore das Mãos", "Um Bando de Corvos", entre outros títulos.

Também Susan Sandon, diretora executiva da Cornerstone, que gere a editora Hutchinson, dedicou algumas palavras à escritora: "Ruth era adorada como escritora e como amiga - por mim, e por muitos de nós. A sua escrita e companhia enriqueceu as nossas vidas. Erudita, inteligente e infinitamente divertida, Ruth vai fazer-nos muita falta".

Também citado pelo "The Guardian", Ian Rankin, escritor escocês, disse que Ruth Rendell era "provavelmente a melhor escritora viva de policiais", acrescentando que "se a ficção criminal está hoje em dia de boa saúde, com os seus praticamente a esforçar-se por melhorar a sua arte e mantê-la fresca, vibrante e relevante, isso deve-se em grande parte a Ruth Rendell".

Segundo a BBC, a escritora deixou um romance inédito que será publicado em Inglaterra em Outubro com o título "Dark Corners".