25/05/2012 atualizado às 0:15

Cronologia: Dois meses de rebelião

A morte de um antigo líder do PC chinês juntou a primeira multidão na Praça de Tiananmen. Os protestos contra a falta de reformas no país arrastaram-se durante quase dois meses e terminaram num banho de sangue. Em rigor, ninguém sabe quantas pessoas foram mortas em Tiananmen.

Cristina Pombo
9:30 Quinta feira, 4 de junho de 2009

15 de Abril: O antigo chefe do Partido Comunista chinês, Hu Yaobang, morreu de ataque cardíaco, aos 73 anos. Apoiantes do ex-líder juntaram-se, para chorar a sua morte, na Praça de Tiananmen. Ao mesmo tempo que expressavam a sua tristeza, manifestavam insatisfação com o impasse nas reformas no país.

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18 a 21 Abril: As demonstrações de insatisfação alastraram-se a outras cidades e universidades em todo o mundo. Estudantes e trabalhadores gritaram "slogans" de liberdade e democracia e apelaram ao fim da ditadura.

22 de Abril: Dezenas de milhares de estudantes juntaram-se na Praça de Tiananmen para uma homenagem póstuma a Hu Yaobang, ignorando os avisos do Governo de que os manifestantes seriam severamente punidos.

26 de Abril: O jornal do Governo "The Peoples Daily" publica um editorial intitulado "A necessidade de uma posição firme contra os tumultos", acusando os protestantes de rejeitarem o Partido Comunista. A ira pública aumentou.

4 de Maio: Dezenas de milhares de estudantes chineses levaram a cabo, em pelo menos cinco cidades, as maiores manifestações pró-democracia, em 40 anos, desde que os comunistas chegaram ao poder.

13 de Maio: Antes de uma visita do então líder soviético Mikhail Gorbachev ao país, centenas de estudantes iniciaram uma greve de fome na Praça de Tiananmen, para exigir reformas políticas. Responsabilizavam o Governo de ter ignorado os seus pedidos de diálogo e garantiam ter o apoio da opinião pública.

15 de Maio: Mikhail Gorbachev chegou a Pequim para uma cimeira que tinha por objectivo colocar um ponto final nas relações de hostilidade entre os dois países comunistas. Os protestos obrigaram ao cancelamento dos planos para receber o líder russo na Praça de Tiananmen, o que representou um grande embaraço para o Governo chinês.

19 de Maio: Zhao Ziyang, secretário-geral do Partido Comunista da China, visitou os estudantes na Praça de Tiananmen e faz uma última tentativa para estabelecer um acordo. Sem sucesso.

20 de Maio: Foi declarada a Lei Marcial em vários zonas de Pequim e as tropas avançaram para o centro da cidade. Um elevado número de civis tentou bloquear os veículos militares, barricando as ruas. Os soldados foram impedidos de disparar contra os civis.

24 de Maio a 1 de Junho: As manifestações em Tiananmen continuaram numa atmosfera de calma aparente. Nas instalações do Governo, contudo, os líderes chineses planearam uma nova ofensiva para pôr fim ao caos na capital.

3 de Junho: Durante a noite, centenas de soldados avançaram para o centro de Pequim. As pessoas amontoaram-se nas ruas, na tentativa de os pararem, levantaram barricadas nas ruas que davam acesso à Praça de Tiananmen. Enquanto os militares tentavam romper com veículos blindados, alguns soldados abriram fogo contra os civis desarmados. Vários foram mortos ou feridos.

4 de Junho: Ao nascer do dia, a capital acordou, em estado de choque, da noite mais sangrenta vivida em Pequim desde o início do regime comunista. Centenas de residentes curiosos e revoltados concentraram-se junto aos soldados alinhados que voltaram a abrir fogo. O Governo congratulou-se com a grande vitória da intervenção militar e afirmou que ninguém foi morto na Praça de Tiananmen. Não se sabe, em rigor, quantas pessoas ali morreram.

5 de Junho: O exército controlou totalmente Pequim.

9 de Junho: Deng Xiaoping fez a primeira declaração pública depois dos acontecimentos em Tiananmen. Num discurso de agradecimento aos chefes militares, elogiou os seus esforços e culpou os contra-revolucionários pelos tumultos, acusando-os de quererem derrubar o comunismo.

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