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Crónica

Morreu Sofia Morais. Demasiado cedo

Lembro-me do dia em que chegaram ao Expresso para um ano de estágio curricular. Eram duas amigas, vindas da Universidade Nova: a Sofia e a Mafalda, uma mais afoita e sorridente, a outra reservada e de ar sério. Uma ficou, a outra gostava de rádio e foi para a TSF. Morreu esta segunda-feira, aos 46 anos

Lembro-me do dia em que começaram o estágio curricular no Expresso em julho de 1992. Era o tempo em que este semanário só tinha edição em papel, saía uma vez por semana – ao sábado, e a redação não ocupava todo o prédio do número 37 da Rua Duque de Palmela, em Lisboa. Não havia telemóveis, mas tínhamos telex para receber notícias do exterior. E um fax.

Chegaram as duas, uma mais conversadora e sorridente, a outra mais reservada. A mais conversadora gostava de rádio e chamava-se Sofia Morais. A amiga mais tímida, Mafalda Ganhão, queria fazer ‘jornalismo de escrita’.

A Sofia deixou o Expresso nos primeiros meses de 1993 e entrou na TSF em novembro de 1996. Tinha o hábito de dançar na redação, porque dançava com as palavras, como lembra o Fernando Alves nesta crónica.

De tempos a tempos, espaçadamente, falávamos ao telefone. Combinámos inúmeros almoços e ela prometia sempre que viria tomar um café ao Expresso. Não veio, nem virá nunca. Morreu esta segunda-feira de manhã, cedo demais, injustamente demais. De cancro, essa praga traiçoeira que surge de rompante. Tinha 46 anos.

Até sempre, Sofia. Nós beberemos um café a falar de ti.

P.S. O velório é a partir das 16h00 na casa mortuária da Santa Casa da Misericórdia de Tomar. O funeral sai de Tomar amanhã, terça-feira, para o crematório de Coimbra. Às 16h00