18 de abril de 2014 às 20:05
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Países como Nós II: uma iniciativa Expresso e PwC

Croácia: o turismo além do "Sol & Mar"

Com uma boa estratégia de diversificação, o sector das viagens e turismo já contribui com 26,5% para o PIB.

César Gonçalves Partner da PwCPortugal César Gonçalves Partner da PwCPortugal

A Croácia tem vindo a consolidar a sua posição como um dos principais destinos turísticos do Sudeste da Europa. Dotada de uma herança cultural extraordinariamente rica, uma boa oferta gastronómica e de um clima mediterrânico, a Croácia é, cada vez mais, um destino trendy, onde o sector das viagens e turismo contribui com 26,5% para o PIB.

Durante anos, a Croácia foi conhecida como um destino "sol & mar". Combatendo a sazonalidade, a sua estratégia de promoção turística para 2020 deverá apontar para o reforço de outros segmentos, sem abandonar a definição estratégica como destino mediterrânico marítimo. Simultaneamente, a Croácia definiu também a melhoria do ambiente de investimento como uma prioridade, adotando medidas no sentido de maior competitividade fiscal, em particular no que respeita ao investimento.

Em Portugal, o sector das viagens e turismo corresponde a 15,2% do PIB. O "clima e luminosidade, cultura e tradição, hospitalidade e diversidade concentrada" são fatores distintivos, conduzindo à aposta em dez produtos estratégicos. Esta diversidade de produtos e o seu cruzamento em marcas, regiões e mercados dispersam o valor da promoção turística, dificultando a alavancagem do que será o core turístico nacional.

O futuro do turismo em Portugal deve passar por uma definição clara da estratégia turística para o país, tendo por base o "sol & mar", com particular necessidade de desenvolvimento da componente náutica, defesa do golfe, e complementada pelos "short breaks", estes compaginados com o turismo de negócios e com a aposta adequada na promoção de rotas culturais e temáticas. As ofertas regionais e restantes segmentos deverão surgir em contexto de complementaridade de upselling de consumo.

Assim, será importante construir-se uma "marca Portugal" coerente e entendível: definindo os segmentos estratégicos, identificando as regiões competitivas e com real vocação turística e inovando em produtos complementares mas não contraditórios com a estratégia definida. Assim, caso não se consiga explicar de forma clara e efetiva a estratégia turística nacional, deveremos refletir se estamos no caminho adequado!

César Gonçalves Partner da PwCPortugal

Chaves para o sucesso do turismo


Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo
No ano passado, Portugal recebeu mais de 14 milhões de turistas, sendo 53% desses turistas estrangeiros. Este facto traduziu-se em 39,5 milhões de dormidas, sendo 66% de estrangeiros. Estes dados demonstram o carácter maioritariamente exportador do sector do Turismo. O facto de o número de hóspedes ter crescido 3,8% e o de dormidas 5,9% demonstra a capacidade de resistência deste sector, mesmo em momentos adversos.

Se a tudo isto somarmos o peso do turismo no PIB português - 9,2% -, aliás um dos maiores de entre os países da OCDE, torna-se bastante óbvio o carácter crucial desta atividade na economia portuguesa.

Por isso, há uma mudança estratégica que tem norteado a atuação do Governo. É que, embora a procura turística apresente um crescimento, na última década também a oferta tem registado um crescimento acelerado. Demasiado acelerado, se comparado com o aumento do número de turistas. Por isso, todas as atenções têm agora de passar a estar concentradas na procura. A prioridade tem de ser 'vender'. As inaugurações de megaprojetos, a meio caminho entre o turismo e o imobiliário, podem ser momentos simpáticos de promoção política, mas a sua fatura está a revelar-se em alguns casos bem pesada. A partir de agora, temos de nos focar nos problemas reais das empresas: de tesouraria, de reestruturação financeira e de reabilitação de unidades hoteleiras. O Governo apresentou já linhas para ir ao encontro destas necessidades.

O mundo do turismo é cada vez mais competitivo e os nossos concorrentes cada vez mais agressivos. Assim, na promoção da marca Destino Portugal, temos de concentrar recursos e ganhar escala. A reorganização regional já iniciada tem esta principal finalidade. A comunicação tem de ser cada vez mais segmentada, capaz de utilizar canais muito específicos (com particular reforço dos online) e estar cada vez mais vocacionada para a comercialização. O Governo aposta também em novos segmentos, como o do turismo residencial, para o qual o nosso país é um mercado de enorme potencial.

Temos de ser capazes de nos impor, não apenas como um destino clássico de sol e mar, mas que a isso acrescenta cultura, natureza, cidades, bem-estar, gastronomia e vinhos. A nossa dimensão geográfica, que por vezes vemos como uma desvantagem, pode ser, para o turismo, uma verdadeira vantagem competitiva, pela enorme variedade de experiências que consegue concentrar em pouco tempo e espaço.

E, por último, como portugueses temos também de estar conscientes da importância que o turismo tem para a economia portuguesa, e de que todos nós, voluntária ou involuntariamente, podemos contribuir para o seu sucesso. De cada vez que encontramos um turista na rua, no trabalho, ou no metro somos verdadeiros embaixadores do Destino Portugal. E, certamente não por acaso, a simpatia e a hospitalidade aparecem sempre como algumas das principais marcas do nosso país.

Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo

Portugal ou fora de Portugal?


José Carlos Pinto Coelho, Onyria Resorts

Factos são factos: o nosso país não é atrativo para investidores internacionais no sector do turismo.

Marcas de luxo como Orient Express abandonaram Portugal e os principais operadores turísticos dizem que somos caros. América do Sul, Marrocos, Tunísia, Turquia, Croácia, Azerbaijão atraem investidores turísticos e nós não. Os nossos tradicionais clientes fogem para destinos mais baratos. Porquê? Falta fazer o quê?

Começamos pelo "porquê?". Em Portugal, comparando com países concorrentes e considerando o volume e o risco do investimento para a produção de equipamentos turísticos, temos piores resultados. Com esta simplicidade, somos preteridos porque não somos competitivos na maioria dos casos dado que:

- O preço por metro quadrado de construção é caro.

- Impostos de todo o tipo sobre o terreno, preço de mão de obra, exigências ridículas de pretensa qualidade na construção e juros durante o tempo do investimento que a burocracia torna imprevisível, tornam o preço da construção elevadíssimo.

- Custo da operação: caro. Fomos arrastados para custos e vícios de país rico em que o trabalho, água, eletricidade e todos os fatores de produção são onerados violentamente e sem qualquer aderência à nossa realidade limitada de absorção de custos.

- Os impostos são elevados e imprevisíveis. As constantes mudanças de direção entre incentivo e penalizações aos investimentos são desconcertantes. O recente aumento do IVA de 10% e 17% em restauração e golfe são exemplos claros.

Ao mesmo tempo, a concorrência faz tudo para o custo da construção ser baixo (oferecem-se terrenos para turismo), para os custos de operação serem baixos (incentivos na eletricidade e água) e para os resultados serem compensadores do risco de investimento, atuando fiscalmente.

O que fazer nas condições atuais? Algumas pistas:

- Criar um sistema de impostos competitivos (pior do que Espanha por favor não, porque estão à porta...).

- Criar nova legislação turística e urbanística adaptada à época atual onde os custos têm de ser baixos.

- Criar um sistema de compromisso Estado-investidores estável durante o período de recuperação do investimento, em fatores críticos como impostos (IVA), energia, água, legislação laboral, etc.

- Para terminar, dadas as reconhecidas vantagens do nosso país em matérias de segurança, clima ou qualidade das pessoas, há que investir em novas ideias e algum investimento crítico necessário para potenciar o investimento existente.

Duas notas: a ASAE visitou recentemente um dos melhores restaurantes do país e levantou um auto ao estabelecimento e ao gerente porque o prato "posta mirandesa" devia ser "posta à mirandesa", dado a carne não ter certificado de origem!

O Sporting de Braga está em 1º lugar no campeonato, compete com os grandes, com investimentos não comparáveis e na próxima época, tudo indica, estará na Liga dos Campeões! Conclusão: é possível, mas é preciso focar nos resultados.

José Carlos Pinto Coelho, Onyria Resorts

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