| Países como Nós II: uma iniciativa Expresso e PwC |
Croácia: o turismo além do "Sol & Mar"
A Croácia tem vindo a consolidar a sua posição como um dos principais destinos turísticos do Sudeste da Europa. Dotada de uma herança cultural extraordinariamente rica, uma boa oferta gastronómica e de um clima mediterrânico, a Croácia é, cada vez mais, um destino trendy, onde o sector das viagens e turismo contribui com 26,5% para o PIB.
Durante anos, a Croácia foi conhecida como um destino "sol & mar". Combatendo a sazonalidade, a sua estratégia de promoção turística para 2020 deverá apontar para o reforço de outros segmentos, sem abandonar a definição estratégica como destino mediterrânico marítimo. Simultaneamente, a Croácia definiu também a melhoria do ambiente de investimento como uma prioridade, adotando medidas no sentido de maior competitividade fiscal, em particular no que respeita ao investimento.
Em Portugal, o sector das viagens e turismo corresponde a 15,2% do PIB. O "clima e luminosidade, cultura e tradição, hospitalidade e diversidade concentrada" são fatores distintivos, conduzindo à aposta em dez produtos estratégicos. Esta diversidade de produtos e o seu cruzamento em marcas, regiões e mercados dispersam o valor da promoção turística, dificultando a alavancagem do que será o core turístico nacional.
O futuro do turismo em Portugal deve passar por uma definição clara da estratégia turística para o país, tendo por base o "sol & mar", com particular necessidade de desenvolvimento da componente náutica, defesa do golfe, e complementada pelos "short breaks", estes compaginados com o turismo de negócios e com a aposta adequada na promoção de rotas culturais e temáticas. As ofertas regionais e restantes segmentos deverão surgir em contexto de complementaridade de upselling de consumo.
Assim, será importante construir-se uma "marca Portugal" coerente e entendível: definindo os segmentos estratégicos, identificando as regiões competitivas e com real vocação turística e inovando em produtos complementares mas não contraditórios com a estratégia definida. Assim, caso não se consiga explicar de forma clara e efetiva a estratégia turística nacional, deveremos refletir se estamos no caminho adequado!
César Gonçalves Partner da PwCPortugal
Chaves para o sucesso do turismo
Se a tudo isto somarmos o peso do turismo no PIB português - 9,2% -, aliás um dos maiores de entre os países da OCDE, torna-se bastante óbvio o carácter crucial desta atividade na economia portuguesa.
Por isso, há uma mudança estratégica que tem norteado a atuação do Governo. É que, embora a procura turística apresente um crescimento, na última década também a oferta tem registado um crescimento acelerado. Demasiado acelerado, se comparado com o aumento do número de turistas. Por isso, todas as atenções têm agora de passar a estar concentradas na procura. A prioridade tem de ser 'vender'. As inaugurações de megaprojetos, a meio caminho entre o turismo e o imobiliário, podem ser momentos simpáticos de promoção política, mas a sua fatura está a revelar-se em alguns casos bem pesada. A partir de agora, temos de nos focar nos problemas reais das empresas: de tesouraria, de reestruturação financeira e de reabilitação de unidades hoteleiras. O Governo apresentou já linhas para ir ao encontro destas necessidades.
O mundo do turismo é cada vez mais competitivo e os nossos concorrentes cada vez mais agressivos. Assim, na promoção da marca Destino Portugal, temos de concentrar recursos e ganhar escala. A reorganização regional já iniciada tem esta principal finalidade. A comunicação tem de ser cada vez mais segmentada, capaz de utilizar canais muito específicos (com particular reforço dos online) e estar cada vez mais vocacionada para a comercialização. O Governo aposta também em novos segmentos, como o do turismo residencial, para o qual o nosso país é um mercado de enorme potencial.
Temos de ser capazes de nos impor, não apenas como um destino clássico de sol e mar, mas que a isso acrescenta cultura, natureza, cidades, bem-estar, gastronomia e vinhos. A nossa dimensão geográfica, que por vezes vemos como uma desvantagem, pode ser, para o turismo, uma verdadeira vantagem competitiva, pela enorme variedade de experiências que consegue concentrar em pouco tempo e espaço.
E, por último, como portugueses temos também de estar conscientes da importância que o turismo tem para a economia portuguesa, e de que todos nós, voluntária ou involuntariamente, podemos contribuir para o seu sucesso. De cada vez que encontramos um turista na rua, no trabalho, ou no metro somos verdadeiros embaixadores do Destino Portugal. E, certamente não por acaso, a simpatia e a hospitalidade aparecem sempre como algumas das principais marcas do nosso país.
Cecília Meireles, secretária de Estado do Turismo
Portugal ou fora de Portugal?
Factos são factos: o nosso país não é atrativo para investidores internacionais no sector do turismo.
Marcas de luxo como Orient Express abandonaram Portugal e os principais operadores turísticos dizem que somos caros. América do Sul, Marrocos, Tunísia, Turquia, Croácia, Azerbaijão atraem investidores turísticos e nós não. Os nossos tradicionais clientes fogem para destinos mais baratos. Porquê? Falta fazer o quê?
Começamos pelo "porquê?". Em Portugal, comparando com países concorrentes e considerando o volume e o risco do investimento para a produção de equipamentos turísticos, temos piores resultados. Com esta simplicidade, somos preteridos porque não somos competitivos na maioria dos casos dado que:
- O preço por metro quadrado de construção é caro.
- Impostos de todo o tipo sobre o terreno, preço de mão de obra, exigências ridículas de pretensa qualidade na construção e juros durante o tempo do investimento que a burocracia torna imprevisível, tornam o preço da construção elevadíssimo.
- Custo da operação: caro. Fomos arrastados para custos e vícios de país rico em que o trabalho, água, eletricidade e todos os fatores de produção são onerados violentamente e sem qualquer aderência à nossa realidade limitada de absorção de custos.
- Os impostos são elevados e imprevisíveis. As constantes mudanças de direção entre incentivo e penalizações aos investimentos são desconcertantes. O recente aumento do IVA de 10% e 17% em restauração e golfe são exemplos claros.
Ao mesmo tempo, a concorrência faz tudo para o custo da construção ser baixo (oferecem-se terrenos para turismo), para os custos de operação serem baixos (incentivos na eletricidade e água) e para os resultados serem compensadores do risco de investimento, atuando fiscalmente.
O que fazer nas condições atuais? Algumas pistas:
- Criar um sistema de impostos competitivos (pior do que Espanha por favor não, porque estão à porta...).
- Criar nova legislação turística e urbanística adaptada à época atual onde os custos têm de ser baixos.
- Criar um sistema de compromisso Estado-investidores estável durante o período de recuperação do investimento, em fatores críticos como impostos (IVA), energia, água, legislação laboral, etc.
- Para terminar, dadas as reconhecidas vantagens do nosso país em matérias de segurança, clima ou qualidade das pessoas, há que investir em novas ideias e algum investimento crítico necessário para potenciar o investimento existente.
Duas notas: a ASAE visitou recentemente um dos melhores restaurantes do país e levantou um auto ao estabelecimento e ao gerente porque o prato "posta mirandesa" devia ser "posta à mirandesa", dado a carne não ter certificado de origem!
O Sporting de Braga está em 1º lugar no campeonato, compete com os grandes, com investimentos não comparáveis e na próxima época, tudo indica, estará na Liga dos Campeões! Conclusão: é possível, mas é preciso focar nos resultados.


César Gonçalves Partner da PwCPortugal
