Crítica de livros: 17 a 24 de Janeiro
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0:00 Sábado, 17 de janeiro de 2009
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O "Livro" em movimento
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| "Rua dos Douradores" chegou a ser o título que Pessoa pensou para o seu "Livro" |
Uma Nova Edição do "Livro do Desassossego" prolonga uma Polémica que vem de Longe.
A história da edição do "Livro do Desassossego" fornece matéria para um relato exaltante. A edição princeps (Ática) é de 1982, prefaciada e organizada por Jacinto do Prado Coelho, a partir da recolha e transcrição de textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Em 1986, apareceu outra edição, feita por António Quadros, com pouco peso nesta história. Etapa mais importante foi a que se cumpriu em 1990-1991, com uma nova edição do "Livro do Desassossego" (Presença), em dois volumes, de Teresa Sobral Cunha (T.S.C.). A novidade mais visível desta edição era o facto de o primeiro volume ser atribuído a Vicente Guedes e a Bernardo Soares e o segundo só a Bernardo Soares. Em 1997, T.S.C. ensaiou uma nova edição do "Livro" (Relógio D'Água), com um corpus mais vasto de textos e transcrições corrigidas. "Ensaiou" porque o trabalho ficou-se pelo primeiro volume, atribuído agora só a Vicente Guedes. Razão desta interrupção: os direitos da obra pessoana tinham regressado novamente aos herdeiros, que fizeram um contrato com a Assírio & Alvim. Para essa editora, Richard Zenith preparou uma outra edição do "Livro", saída em 1998, que se tornou de uso corrente. Mas já em 1991 Zenith tinha traduzido para inglês o "Livro". E, na sequência desse trabalho, envolveu-se numa polémica com T.S.C., que o acusou de utilizar o seu trabalho de transcrição dos textos, sem respeito pela deontologia do trabalho científico. Esta acusação é reafirmada numa nota da Introdução a esta nova edição do "Livro", onde se prossegue "a mesma linha editorial" das edições anteriores. Mas esta é "alargada no seu corpo textual e majorada nas transcrições, nas conjugações textuais e na detecção de lógicas discursivas de um continuum produtivo" (pág. 32). Acrescentemos: largamente "majorada" em relações a todas as edições existentes, o que significa que contém materiais do espólio que ou tinham escapado aos outros editores ou cuja pertença ao corpus do "Livro" foi tida por duvidosa.
Uma linha editorial importante aqui prosseguida consiste em considerar que o "Livro do Desassossego" é afinal dois livros (compilados num volume único): um primeiro livro que integra o primeiro ciclo de produção, o dos anos de 1912 a 1921, atribuível ao heterónimo Vicente Guedes, atestado por vários testemunhos; e o dos anos de 1928-1934, atribuível ao "semi-heterónimo" Bernardo Soares, que se substitui a Vicente Guedes. Para este segundo livro, Pessoa teria mesmo pensado num outro título: "Rua dos Douradores".
Como é óbvio, esta "linha editorial" parte de uma hipótese interpretativa: edição e exegese entram em colaboração recíproca, o que está longe de ser pacífico enquanto metodologia. A decisão editorial de T.S.C. implica uma ordenação cronológica dos textos (desafiando assim os que sempre apontaram tal tarefa como muito difícil, senão mesmo impossível), condição para delimitar cada um dos livros. A editora explica o seu critério de maneira bastante menos tranquilizadora do que aquela com que justifica a atribuição do primeiro "Livro" a Vicente Guedes: "Para uma aproximação ao tempo de factura dos documentos sem data conciliaram-se nexos conceptuais, tipos de discurso, morfologias documentais: as grafias, as tintas, a mancha textual, as numerosas datas do segundo Livro." À ordenação por manchas temáticas, inaugurada por Jacinto do Prado Coelho, contrapõe-se aqui uma ordenação cronológica, o que dá ao "Livro" muito mais um carácter de diário. E, reiterando a ideia de dois livros autónomos, surge um "prefácio" a abrir cada um deles (na edição de Zenith, só há um texto com função prefacial). Já no que diz respeito à convocação de Vicente Guedes para a função autoral, a decisão de T.S.C. (pese embora o que ela representa para os hábitos do leitor) surge apoiada por argumentos mais fortes. R. Zenith, por sua vez, argumenta em sentido contrário, de modo a justificar a decisão de optar pela autoria única de Bernardo Soares.
Esta guerra editorial tem as suas razões legítimas e seria inevitável. Mas não pode dispensar um debate público alargado por quem tem autoridade científica para o fazer. O problema não é haver duas edições do "Livro", mas o silêncio, ou a privatização da discussão, em torno delas. Texto de António Guerreiro
Fotografia de Alberto Frias
Pessoa, tão Grande e tão Pouco
Ao contrário do que possa parecer, há um enorme "deficit" no estudo da obra de Fernando Pessoa. Nos últimos anos, um trabalho editorial intenso, ampliou-a imenso. Mas a esse acréscimo não correspondeu um trabalho de leitura e comentário à altura da importância que o poeta alcançou internacionalmente. Não há um anuário, não há uma revista de estudos pessoanos, e a bibliografia passiva não tem sofrido grandes alterações qualitativas. Por outro lado, o vasto universo pessoano não tem dado lugar, como devia, a estudos pluridisciplinares e a aproximações vindas de outros saberes que não apenas os estudos literários (por exemplo, a filosofia) Veja-se a proliferação de estudos sobre um poeta como Celan, para percebermos a diferença. Em contrapartida, o trabalho de edição tem sido o domínio forte no âmbito pessoano e tem sido aí, muito mais do que no campo das leituras, que a obra de Pessoa tem tido movimento.
Livro do Desassossego
Fernando Pessoa
Relógio D'Água
2008
658 págs.
€30
Lisboa -História Física,e Moral
José-Augusto França
Livros Horizonte
2008
869 págs
€49,50
História Leitura obrigatória para conhecer a cidade e reflectir os seus múltiplos aspectos culturais e sociais.
A reconstrução de Lisboa, depois do terramoto de 1755, transformou-a, por via do iluminismo, numa cidade pioneira, cronologicamente, entre São Petersburgo, na marca oriental, e Washington, na marca ocidental. A fundamentação histórica e sociológica deste facto, a projecção de Lisboa no país e o seu reconhecimento na Europa constituem o núcleo da inovadora tese de doutoramento de José-Augusto França ("Une Ville des Lumières, La Lisbonne de Pombal"), defendida, em 1963, na Sorbonne. Pela sua metodologia e pela sua influência futura, esta tese marcou uma viragem profunda nos estudos de história de arte e urbanismo. Depois, muitos outros estudos notáveis de José-Augusto França se sucederam acerca da cidade e de grandes figuras e acontecimentos de várias épocas. Em "Lisboa -História Física e Moral", a sua mais recente obra, as preocupações e exigências do historiador e do crítico respondem a uma motivação primordial: "A civilização tem origem na cidade e, por isso, deve sempre pôr-se em questão a própria cidade -como o é, para que é. E se o é." Esta obra remonta à pré-história, à formação da capital em 1147 e -através de pontos de referência, de rupturas, de criação e de inovação -avança até aos nossos dias. Coloca-nos perante conjunturas significativas: a crise de 1383/85, que consolidou a independência; a expansão marítima, com os "Painéis de São Vicente de Fora" e os Jerónimos; a ocupação filipina, com os projectos e obras de Tersi e Baltazar Alvares; a Restauração, com os primeiros jornais e as academias; e, com o ouro, diamantes e madeiras do Brasil, a irrupção do barroco, com a opulência da talha e o esplendor da azulejaria. A seguir, detém-se no terramoto e, sobretudo, na definição do traçado da Baixa pombalina e na singularidade da arquitectura. Em relação ao século XIX, trata, nomeadamente, da Corte no Brasil, das invasões francesas, das lutas entre liberais e absolutistas, da introdução do romantismo e, ainda, das Conferências do Casino, da abertura da Avenida, da criação do Zé Povinho e do Grupo do Leão. As revoluções de 1910, 1926 e 1974 são outros marcos com reflexos na política, na sociedade e na cultura. Resultado de mais de meio século de trabalho intenso, este livro apresenta três desafios para o século XXI: o governo do território e a qualidade de vida urbana; a relação/integração de uma Grande Lisboa, de aquém e além Tejo, como "metrópole capital do futuro"; e a classificação da Baixa pombalina no Património Mundial da UNESCO. Edição valorizada com três índices remissivos, este livro é de leitura obrigatória para conhecer Lisboa e reflectir acerca da cidade, no passado e no presente, nos inúmeros aspectos históricos, culturais e sociais. Nele, José-Augusto França reafirma a sua erudição e sabedoria, com inesgotável vontade de analisar e compreender. António Valdemar
Musicofilia
Oliver Sacks
Relógio D'Água
2008
Tradução de Sofia Coelho e Miguel Serras Pereira
371 págs.
€18
Neurologia O misterioso fenómeno da música à luz da ciência pelo neurologista mais popular do mundo.
A literatura das "case stories" não é propriamente escassa. Desde que A.J. Luria começou a escrever sobre os seus pacientes, muita gente lhe seguiu o exemplo, nem sempre com o reconhecimento da autoridade científica. O que Oliver Sacks tem de especial, além das credenciais científicas indiscutíveis, é uma personalidade onde se combinam saber, experiência e cultura, no sentido mais amplo. A eventual ligação entre o temperamento científico e o artístico foi em tempos sugerida por Fernando Lopes-Graça, ao notar que, globalmente, os cientistas pareciam ter mais apreciação por música clássica do que as pessoas de letras. "Musicofilia" não confirma nem desmente essa hipótese, mas talvez a ilustre na prática. Com efeito, é difícil imaginar, digamos, Harold Bloom a escrever de forma tão interessante sobre a música. Fenómeno misterioso, sem aparente função no processo evolutivo (Steven Pinker, citado neste livro, chamou-lhe "cheesecake auditivo" e aventou tratar-se de um produto acidental, "doses purificadas e concentradas" de sinais, esses sim, com utilidade adaptativa), a música é uma das poucas actividades que activa a quase totalidade do cérebro. Com o desenvolvimento das técnicas de imagiologia, cada vez sabemos mais coisas sobre esse órgão e descobrimos que ele é de facto diferente nos músicos. Para que conste: "O corpo caloso, a grande comissura que liga os dois hemisférios do cérebro, está aumentado nos músicos profissionais e parte do córtex auditivo, o planum temporale, tem um aumento simétrico nos músicos com ouvido absoluto." Também é "maior o volume de matéria cinzenta nas áreas motora, auditiva e visual-espacial do córtex, assim como no cerebelo". Ou seja, aprender música desde a infância pode fazer desenvolver o cérebro. Outros efeitos abordados por Sacks têm a ver com alucinações, amusia (o equivalente musical da afasia), capacidades extraordinárias savants musicais; um homem que é atingido por um raio e fica obcecado por música de piano) e, claro, as mais diversas terapias, em especial as que têm a ver com recuperação de memória. Ao contrário do que acontece noutros livros de Sacks, aqui nem todos os capítulos têm a ver com casos individuais. Com tudo o que o autor tem para dizer, é uma vantagem para o leitor. Luís M. Faria
O inferno são os outros
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| "Como ser bom?" é a questão que atravessa toda a obra de Iris Murdoch |
Um romance de amor que se lê como uma história de suspense.
Radley Pearson é um escritor de meia-idade com um livro na cabeça. Como qualquer escritor com um livro na cabeça, Bradley precisa de silêncio. É por isso que decide ausentar-se de Londres, onde mora sozinho num pequeno apartamento, rodeado de pó e literatura. Falhado o seu casamento com Christian, que emigrara, entretanto, para os EUA, de onde acaba de regressar na condição de viúva, resta a Bradley a amizade, não isenta de rivalidade, com Arnold Baffin, autor mais novo e de sucesso que ele próprio ajudou a lançar mas por cuja obra foi perdendo admiração. Do rol das personagens principais consta também Rachel, mulher de Arnold, dona de casa dedicada, apesar de descontente com o seu limitado papel, a irmã de Bradley, Priscilla, mulher de Roger, do qual decidiu separar-se da pior maneira, e Julian, a jovem filha do casal Baffin. No início do romance, Bradley tem as malas feitas e está pronto a partir. Mas todos os aludidos acima, mais o desprezado ex-cunhado Francis, acabarão por lhe entrar, literal e teatralmente, casa dentro (Murdoch publicou uma versão para palco de "O Príncipe Negro" em 1989), retendo-o em Londres, num corrupio de toques de campainha e bateres de porta que fazem com que o leitor se sinta numa plateia, assistindo a uma comédia de enganos. E, de facto, esta é uma comédia de enganos. Negra.
Como sempre em Murdoch, a acção alia-se à reflexão. Neste livro, que vai buscar título a "Hamlet" (peça e personagem presentes em alguns momentos-chave do romance), a escritora irlandesa leva longe o cruzamento entre os dois planos. O próprio Bradley, enquanto protagonista e narrador, vai intercalando os acontecimentos com as suas observações a posteriori, já que tudo o que nos é narrado teve lugar no passado. Mas não só ele. Em quatro posfácios, assinados por quatro das personagens, outras tantas visões nos desconcertam, confrontando-nos com a pergunta: o que é a verdade?
Eros e Tanatos jogam aqui ao gato e ao rato, e, mesmo se o rato ganha aparentemente a partida, a serenidade final de Bradley permite-nos pensar que a redenção é possível. Murdoch crê no amor como caminho para o conhecimento (e o verdadeiro conhecimento é necessariamente bom). Não o encara, contudo, como expressão beatífica que nos conduziria para fora do mundo (embora Bradley se encontre, de certa maneira, fora do mundo); ao invés, ele é condição de aproximação aos outros. Uma aproximação cheia de escolhos, mal-entendidos e sofrimento: mas sem os outros seria fácil ser bom. E "como ser bom?" é a interrogação ontológica radical que trespassa toda a obra de Iris Murdoch. Colocada, claro, com ironia e recorrendo a personagens a quem gostamos de tratar pelo nome. Um grande livro. Ana Cristina Leonardo
O Príncipe Negro
Iris Murdoch
Relógio D'Água
2008
Tradução de José Miguel Silva
372 págs.
€17
Os Despautérios do Padre libório e Outros Contos Pícaros
António Manuel Couto Viana
Opera Omnia
2008
118 págs.
€10
Contos Um cáustico e divertido conjunto de histórias em que não deixa de transparecer uma ferida nostalgia.
Felizmente ainda vai havendo casos em que as celebrações literárias dispensam mediatismos, discursos de encomenda ou booktrailers não poucas vezes ridículos. De facto, dificilmente poderia ser mais discreta a "edição comemorativa de 60 anos de vida literária" de António Manuel Couto Viana. Em formato de bolso e com um grafismo sóbrio, "Os Despautérios do Padre Libório e Outros Contos Pícaros" constitui a segunda incursão do autor, mais conhecido como poeta e memorialista, na arte do conto (a primeira intitulou-se "Meias de Seda Vermelha e Sapatos de Verniz com Fivela de Prata", Prefácio, 2004). E é, de novo, com enorme destreza que Couto Viana nos relata estes episódios pícaros, por vezes na fronteira com o escatológico. Veja-se a ironia de um título como 'Um Amos Húmido', que, defraudando banais expectativas, remete afinal para um acidente urinário que trocou as voltas a Eros. Há momentos que chegam a ser hilariantes, em particular o delicioso remate do último conto. Entre derrames amorosos e fezes clericais, a escrita vigorosa de Couto Viana observa sempre uma tensão, um rigor vocabular e um humor atento que a colocam muito acima da boçalidade em que incorrem tantos prosadores contemporâneos. Sirva de exemplo de estilo (creio que o autor não desdenharia o termo) o seguinte trecho: "Levava com ele, como impedido, o Ezequiel, um mancebo frágil, de carnação tenra, rostozinho de anjo barroco, um sorriso doce de virgem, cujas complacências enchiam de satisfação as camaratas e a gula erótica de alguns monhés sem fácil acesso às fêmeas da casta." Outro aspecto a destacar é o facto de estes contos nunca cederem à redundância do mero ornamento ou do pormenor inútil, demonstrando antes uma notável economia narrativa. Talvez haja locuções que soarão, a ouvidos mais castos, politicamente incorrectas, como a referência à "pretalhada rebelde, armada pela cobiça dos grandes impérios coloniais", ou a defesa de uma ditadura que fez dispersar "a chusma de varinas, operários, fadistas, marujos e magalas". Mas não confundamos essa voz com a do autor deste comovente livro de contos. Se afastarmos com cuidado a cortina do humor, talvez consigamos ver um palco de terna nostalgia, os restos desse "país perdido" que é a infância. Manuel de Freitas
És Mesmo Tu?
Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina
2008
32 págs.
€11,90
Livro Ilustrado Uma conversa em rima onde o mundo se revela à distância de uma frase.
Livros com texto em rima pensados para os mais novos redundam muitas vezes em péssimos versos, rimas forçadas e histórias que perdem o seu sentido em prol da sonoridade. Exactamente o oposto de "És Mesmo Tu?", livro ilustrado que reflecte o esmero editorial da Planeta Tangerina e onde a harmonia entre enredo, ritmo e rima marcam cada página. Explorando o património das lengalengas e das velhas nursery rhymes, Isabel Minhós Martins cria um texto cuja riqueza assenta na sonoridade e no modo como esta contém uma narrativa que se acompanha com suspense até ao desenlace. Uma bota perdida é o pretexto para o início de uma conversa entre dois amigos e a vontade de a encontrar o motivo que desencadeia a sucessão de referências a outros amigos e colegas de escola. Interligando-se ao ritmo das perguntas sucessivas, os nomes e as características de cada colega desfilam em catadupa, fazendo avançar a narrativa em direcção à resolução do mistério da bota e recriando o universo que rodeia as duas personagens, onde se misturam a crueza da visão infantil com os afectos ("A Natacha sei quem é. Mas a Vanda... Qual Vanda? A que tem a mania que manda!"). As ilustrações de Bernardo Carvalho surgem como um contraponto linear ao texto, uma resposta visual às referências que vão sendo apresentadas, mas ainda assim rica em pormenores e eficaz no acrescentar de possibilidades extraverbais. Com uma paleta de cores fortes e o recurso a manchas e linhas de contornos básicos, as ilustrações convocam rostos que ocupam quase toda a página e onde as características destacadas pelo texto são exageradas ou encenadas de um ponto de vista simultaneamente ingénuo e acutilante, confluindo no rosto de espanto que antecede o desenlace da história, um final brilhante onde se percebe que a digressão por tantos nomes terá sido apenas um pretexto para uma conversa sem limites. Sara Figueiredo Costa
Ora Parte um Prato!
M. Diogo (ilust.)
Edições SSCML
2008
15 págs.
€10
Infantil Era uma vez um prato que ensina a comer bem.
Um prato mágico ensina, como uma dança, a mistura dos alimentos, mostra e aconselha o que se deve ou não comer, durante, antes e depois das refeições. No fim do dia, entre bocejos, o prato não se despede sem lembrar, em sete janelinhas, o que nunca deve ser esquecido para além dos alimentos. Eis um livro delicioso para a faixa etária dos 4-6 anos, quando é decisivo transmitir conceitos básicos. À venda, por enquanto, apenas na Livraria Municipal, na Avenida da República, 21, em Lisboa. Luísa Mellid-Franco
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