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Crianças prostitutas

O fenómeno da prostituição infantil atravessa uma preocupante fase de crescimento no Gana. É uma antítese que se alastra pelas ruas e becos de Accra: muitos jovens sobrevivem à custa da profissão mais antiga do mundo.
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Projecto de cartaz da campanha contra a prostituição infantil
Projecto de cartaz da campanha contra a prostituição infantil

Um estudo conduzido pela Organização Internacional do Trabalho desvenda uma realidade alarmante, traduzindo a gravidade do problema em números: 125 bordéis só na região da Grande Accra, com jovens com idades a rondar os 12 anos.

Que há homens que desejam e procuram os serviços destes jovens, (infelizmente) já sabemos. Mas o que é que leva crianças que ainda nem 10 anos têm (as mais novas têm 9, segundo o estudo supra mencionado) a dedicarem-se a esta actividade?

Além dos factores mais óbvios, entre os quais estarão a pobreza e a falta de apoio familiar, encontramos um tridente de outras causas que contribuem para este triste cenário:

1. Práticas tradicionais: os casamentos forçados e, muitas vezes, precoces, implicam frequentemente a existência de um dote, sendo que as noivas são forçadas a encontrar meios económicos para o conseguir. Outra prática frequente em áreas mais remotas é o trokosi, que consiste na oferta, por parte de alguém que tenha cometido um crime, de uma jovem rapariga da família a uma espécie de santuário, como "indemnização". Uma vez internadas, estas raparigas são alvo de exploração sexual às mãos de "profetas" e, quando libertadas, tendem a enveredar pelos caminhos da prostituição.

2. Medo de estigmatização: as crianças alvo de exploração sexual não reportam a situação às autoridades locais, com receio de serem estigmatizadas pela sociedade.

3. Turismo sexual: há uma percepção cada vez maior de que o Gana é um país seguro para pedófilos satisfazerem os seus desejos, devido aos fracos mecanismos de protecção e reacção da legislação ganesa contra este problema.

Outros estudos indicam, ainda, que os jovens dispõem de quartos para desempenharem a sua actividade, cedidos por um senhorio, que tratam por "pai". Várias raparigas afirmaram que serviam cerca de 10 clientes por dia e que parte significativa do dinheiro que recebiam ia parar às mãos do senhorio, como pagamento pela cedência dos quartos.

Este é outro dos casos sobre o qual nos estamos a debruçar presentemente. É um problema que extravasa fronteiras, sendo que a extinção do mesmo é uma meta virtualmente inatingível. Porém, é possível tentar (ou melhor, sonhar, já que o trabalho desenvolvido nesta área é feito disso mesmo, de sonhos) diminuir os seus efeitos e procurar entidades responsáveis. É com esse objectivo que estamos a preparar uma campanha que será lançada no Dia Mundial do Turismo, 27 de Setembro, cujas comemorações deste ano terão lugar no Gana, com vista a sensibilizar a comunidade mundial para o problema e a pressionar o Governo ganês a ratificar o já assinado (em 2003) Protocolo Facultativo para a Convenção dos Direitos da Criança sobre venda de crianças, pornografia e prostituição infantil.

Keep on dreaming, já sei. Mas sonhar não custa. O sonho comanda a vida, como dizia o outro, e o nosso sonho pode mudar a vida de muitas crianças. Para que deixem de ter de trabalhar à noite, para poderem voltar a ter aquilo que ela traz de melhor: sonhos.


Opinião


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