350 computadores distribuídos no Algarve
Crianças algarvias já têm Magalhães
Tem o Windows, 1 Gigabyte de RAM, 30 Gigas de disco, câmara de vídeo, folha de cálculo, processador de texto, Powerpoint e até o Messenger. Por incrível que pareça e a um preço máximo de 50 euros, o Magalhães tem tudo.
Com uma autonomia de seis horas, o novo computador começou hoje a ser distribuído também no Algarve. "Fomos a única região do país a conseguir ter três escolas com computadores logo no dia do arranque", diz orgulhoso Luís Correia, director regional de Educação do Algarve.
A primeira delas foi a EB1 Coca-Maravilhas, em Portimão, que esta manhã recebeu perto de 200 mini-computadores portáteis. No Algarve, a tarefa de distribuição ficou a cargo do secretário de Estado da Administração Local, Eduardo Cabrita.
"Vocês sabem quem foi Magalhães? Deu a volta ao mundo, não foi?", pergunta a uma plateia de crianças que não largam os PC miniatura que têm ao colo. "Vocês, com este Magalhães, vão navegar muito mais, vão chegar a toda a informação, para aprenderem mais e melhor", assegura.
"Nós às vezes trabalhamos no Governo em coisas muito abstractas, mas aqui sentimos mesmo que estamos a mudar o Mundo", confidencia, fazendo a defesa do programa do Governo. "No 1.º ciclo, terem um computador é um mundo completamente novo e isso quer dizer que as prioridades que estabelecemos há quatro anos estão a ser realizadas", declara perante as crianças, embora algumas estejam mais atentas aos jogos do portátil.
"Ah, é verdade! E com este computador, só podem jogar se fizerem os trabalhos de casa - "mo work, no play", diz satisfeito o governante, revelando uma das funções do pequeno portátil.
O salto tecnológico que faz as delícias dos mais novos, deixa aliás o Governo tão ou mais contente do que as próprias crianças. "Esta é uma prioridade que vale a pena" - enfatiza o secretário de Estado - "que vai produzir efeitos daqui a 15 ou 20 anos, para estarem ao nível dos melhores em qualquer parte do mundo", diz Eduardo Cabrita.
Só no Algarve, durante o dia de hoje, foram distribuídos perto de 350 computadores, já que para além de Portimão (que tem o 1º ciclo e jardim de infância), também Albufeira (escola de Vale Carro) recebeu 130 e Faro 22 (escola da Ilha do Ancão).
Os Magalhães destinam-se a todas as crianças do 1.º ao 4.º anos, entre os 6 e os 10 anos, e deverão chegar a todos os estabelecimentos de ensino até ao final de Dezembro, segundo as estimativas do Governo.
"Está dependente, sobretudo, da capacidade de produção da fábrica, não é uma questão orçamental", esclarece o secretário de Estado. Sem desvendar qual o modelo de negócio, ou a parte que cabe ao Estado suportar nos custos de produção, Eduardo Cabrita adianta apenas que no projecto 'e-escolinhas' também as operadoras de telecomunicações têm um forte papel a desempenhar.
Optimus, Vodafone, TMN e Zon são os quatro fornecedores de acesso à Internet que comparticipam no custo do Magalhães, mas ao contrário dos outros computadores do programa 'e-escolas', aqui os preços dos computadores não estão dependentes do acesso ou fidelização à Internet.
Em Portimão, o município decidiu, para já, cobrir os custos - cerca de 500 mil euros -, para que todos os alunos do 1.º ciclo tenham acesso grátis à Internet durante nove meses.
Dependendo dos escalões de acção social, os computadores portáteis Magalhães podem custar entre 50 e 20 euros, e no escalão mais baixo são totalmente grátis. Segundo as estimativas do Governo, até ao final do ano deverão ser colocados nas escolas perto de 500 mil Magalhães, dando assim a volta, se não ao Mundo, pelo menos a todos os alunos do 1.º ciclo do ensino básico.


Mário Lino
A escola EB1 Coca-Maravilhas recebeu 200 mini computadores
