Três anos depois, o "Yes we can" de Barack Obama soa falso, os EUA continuam longe de Quioto, Guantánamo mantém-se como prisão, a crise económica levou a América para parâmetros sociais inesperados (45 milhões de americanos abaixo do limiar da pobreza, o que nos EUA equivale a agregados familiares com rendimento inferior a 1300 dólares), o desemprego está nos 8,5% e, desde Roosevelt e da Grande Depressão, nenhum Presidente foi reeleito com desemprego acima dos 7,4%.
Popularidade em queda
Em três anos, a popularidade de Obama caiu. Até na Europa, que tantas esperanças tinha na nova Administração, a popularidade baixou, embora, asseguram vários analistas, menos do que por terras do Tio Sam. Esta proximidade Obama-Europa, que lhe tem servido de escudo protetor em diversas ocasiões, está, agora, a ser usada pelos seus opositores mais conservadores.
Tido como simpatizante da ideia do Estado-providência do Velho Continente, o Presidente sofre com a crise que se vive deste lado do Atlântico. À direita não se cansam de dizer que os EUA já têm problemas suficientes e dispensam novos sarilhos com sistemas de Saúde e de Segurança Social suportados pelas finanças públicas. Mitt Romney, um dos favoritos à nomeação republicana, acusa Obama de ser socialista - o insulto político mor - e afirma que uma sociedade de direitos adquiridos não funciona numa Europa falida e muito menos nos EUA.
Tea Party e Ocupy Wall Street cercam Obama
Como todos os reformadores de centro, Obama tem de enfrentar os ataques dos republicanos, mais agressivos do que nunca, ou não estivessem em plenas primárias, e os remoques vindos da esquerda pelo falhanço das políticas ambientais, pela ausência de medidas punitivas para os responsáveis pela crise de 2008, pela manutenção de Guantánamo, por ter esquecido as promessas para a Educação.
Quem mais afeta o Presidente: os indignados do movimento Occupy Wall Street ou o Tea Party? Como escreve nesta edição Denis Sieffert, da Politis, "Obama é ameaçado, sobretudo, por si mesmo".
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