O militar Costa Martins fez bluff no 25 de Abril. Estava responsável pela tomada de um dos pontos estratégicos, o aeroporto de Lisboa, onde chegou sozinho mas anunciou que a zona estava cercada por forças militares.
Estava tudo estudado e programado, José Inácio da Costa Martins deveria ter o apoio das forças terrestres, "que deveriam ter secundado a aproximação, mas atrasaram-se", recordou o militar de Abril Tasso Figueiredo.
Costa Martins percebeu que "estava sozinho, mas disse que o aeroporto estava cercado por forças militares", lembrou o amigo desde os tempos de conspiração.
Depois do sucesso da operação, António Spínola convida-o, a 31 de Maio de 1974, a desempenhar as funções de membro do Conselho de Estado.
Costa Martins seria também convidado para o cargo de ministro do Trabalho dos governos provisórios do primeiro-ministro Vasco Gonçalves. Aceitou a função que ocupou até ao final de 1975, altura em que Vasco Gonçalves perde a sua influência na sequência do Verão Quente. Com a transição do poder para o Almirante Pinheiro de Azevedo, o então major Costa Martins abandona também o cargo e o país.
Tasso Figueiredo recorda que a sua carreira seria "reconstruída" muitos anos mais tarde, "a partir de um processo judicial que moveu contra o Estado, representado pela Força Aérea". Foi então que viu resposta a sua antiguidade e acabou promovido no posto de Coronel, sem nunca ter voltado às fileiras.
Atualmente dividia o seu tempo entre a sua casa de Lisboa e o Algarve. O coronel da Força Aérea José Inácio da Costa Martins, nasceu em Messines, em 1938, e faleceu sábado à noite vítima de um acidente aéreo. A aeronave onde seguia caiu próximo da localidade de Ciborro, concelho de Montemor-o-Novo, numa herdade junto à pista particular de onde levantou voo.
Nota da Direcção do Expresso
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