Na penúltima tarde de campanha, António Costa e Pedro Santana Lopes
percorreram as ruas de Lisboa com estados de espírito diferentes. O pano de fundo, entre os candidatos e os jornalistas que acompanham as campanhas, eram as diferentes sondagens, já conhecidas ou vias de ser publicadas nas próximas horas.
Os estudos de opinião dão uma vantagem a António Costa
, entre 5% e 12%. O candidato socialista, no final de uma arruada pelo Chiado e pela Baixa, quis arrefecer as euforias. "Se queremos ganhar, é preciso votar. Não nos podemos fiar nas sondagens, pois o importante são os votos".
Minutos antes, durante um passeio entre o Saldanha e o Bairro Azul, também Santana encarara os números com prudência, mas por motivos opostos. "As sondagens são indicadores. Respeito-as, mas estou a lutar e luto até ao dia em que acaba a campanha para ganhar as eleições", afirmou.
Nestas alturas, Santana recorda sempre o que se passou há oito anos, quando foi eleito presidente da Câmara. Entrou no período de reflexão com um atraso em relação a João Soares que chegou aos 10 pontos. Contados os votos, foi ele o vencedor.
Alegre apresenta Costa como o homem capaz de "unir a esquerda"
Na tarde em que um agradável sol de Outono voltou a Lisboa, outro aspecto fazia o contraste entre as duas campanhas. Com Santana, havia poucas dezenas de pessoas e as bandeiras cabiam numa mão. Curiosamente, todas do CDS/PP, nenhuma do PSD ou da coligação Lisboa com Sentido. O que pauta a marcha do grupo é o passo acelerado de Santana, que todos arrasta.
Na comitiva de Costa, entre o Chiado (primeiro, num jantar na Cervejaria Trindade) e a Baixa, estiveram dirigentes históricos do PS, como Jorge Sampaio, Almeida Santos e Manuel Alegre. O poeta fez a intervenção política da tarde, num discurso frente ao largo da Rua Augusta.
Alegre fez a exaltação da história pátria e da cidade de Lisboa, começando pelos "homens bons das crónicas de Fernão Lopes" e terminando no 25 de Abril, depois de ter passado por Camões e por Pessoa. E apresentou Costa como o homem capaz de "unir a esquerda".
Ao longo do percurso, na comitiva, encabeçada por uma banda, estiveram várias centenas de pessoas. Bandeiras da candidatura e tarjas de freguesias enchiam a linha de horizonte. Do céu caíram confetis e, até, rosas, lançadas do passadiço do elevador de Santa Justa.
A três dias da ida às urnas, na campanha do actual presidente da Câmara, começa a haver sinais festivos.