18 de abril de 2014 às 0:59
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Corremos nus pela Europa fora

Nos tempos de Durão envergávamos uma tanga a tapar-nos as vergonhas. Hoje perdemos a tanga e a vergonha. Abrimos garrafas de champanhe por prevermos um défice abaixo dos 7,3%. Portugal é o país stripper da Europa.
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
100 reféns - Corremos nus pela Europa fora

Celebrar um défice por este se situar abaixo do previsto (7,3%) seria normal se o número apresentado não fosse absurdamente elevado. Faz lembrar alguém que vai ao dentista e que ao sair da consulta manda assar um porco porque não lhe arrancaram o último dente que lhe resta na boca. Recuando no tempo: "Os senhores [do PS] deixaram Portugal de tanga", disse então o primeiro-ministro Durão Barroso, em resposta à alegada falta de solidariedade política do PS em relação ao programa de emergência, apresentado e discutido na Assembleia da República. (17-04-2002).

Durão Barroso não foi suficientemente teso para aguentar a tanga que o espartilhava e foi laurear a pevide para Bruxelas, munido de uns largos boxers, corria o ano de 2004, deixando então o menino nos braços de um atarantado Santana Lopes. Este, pouco habituado a mudar fraldas, deixou o miúdo de tal forma inflamado que o Presidente Jorge Sampaio achou por bem intervir e deixar a criança à guarda de alguém responsável até ter uma família de acolhimento.

E aí entrou a família socialista, cheia de promessas, pó de talco e fraldas com abas largas para o menino não ficar com as virilhas assadas, transbordava esperança. Sim, esta mesma família que hoje em dia não se percebe bem se é um Governo ou um grupo de vendedores de divida pública ambulante. Eles vão a todo lado, do Brasil a Timor, do Rato a Algés, dos Emiratos à China, do Qatar a Vila Real de Santo António.

Passam mais tempo a hipotecar o futuro deste país lá fora do que por cá a resolver os incontáveis e intocáveis problemas que os próprios criaram. Chegam a regozijar-se por vender a dívida pública portuguesa a taxas que fariam corar qualquer economista alcoolizado há vinte anos atrás. Durante o mês de janeiro, quantos dias esteve o primeiro-ministro em Portugal? A dívida de um país é hoje oferecida sabe-se lá a quem, em que termos e em que esquinas, como quem vende algodão doce ou chupa-chupas numa feira popular. No final, está visto quem é que vais chupar com isto tudo.

Resumindo: se há uns anos nos encontrávamos de tanga, hoje em dia corremos nus pela Europa e mundo fora, sem sabermos se devemos finalmente parar e pedir ajuda ou se continuar a fugir dela como o diabo da cruz. Corremos até se nos acabar o fôlego. E ele está a acabar. Entretanto, de cabedal e chicote na mão, Angela Merkel, a implacável dominadora alemã, espera por nós.

Comentários 11 Comentar
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TM
Como é elucidativo na foto que está tesa pois não se notam as vergonhas?
Mas deixemos de tristezas da era paleolítica da tanga de Durão, agora estamos na era do Armani e Sócrates até vai a NY comprar fatinhos o que demonstra que o país vai de vento em popa mas só para alguns.
VIVA PORTUGAL UM PAÍS ACOLHEDOR E TOLERANTE.
NY ??? Não , ele não veste qualquer trapinho . Ver comentário
Re: NY ??? Não , ele não veste qualquer trapinho . Ver comentário
comentário maldoso
Caro Tiago, o seu comentário esconde uma parte da verdade. Nos primeiros anos de governação Sócrates, o défice foi dominado para valores inferiores a 3%. Nunca tal antes tinha acontecido. Em 2008 rebentou a crise internacional e pouco depois foi preciso acudir aos bancos nacionais, ao BPN, aumentar os subsídios de desemprego, etc, tudo despesa pública.

Quando um país está semi-despido e vem um vendaval, é difícil de resistir com roupa no corpo. Foi o que aconteceu com Portugal, no estado em que Durão Barroso, Guterres e Cavaco deixaram a nossa economia, era difícil o governo de Sócrates ou outro qualquer terem resistido. Até lhe digo mais: se este governo não tivesse colocado o nosso défice abaixo dos 3%, já há muito que o FMI andaria por aqui.

Uma vez que presumo que lhe paguem para fazer estes comentários, talvez fosse bom que eles fossem um pouco mais construtivos e não tanto "bota-abaixo". Para comentários facciosos já chegam os dos comentadores anónimos!
Re: comentário maldoso Ver comentário
Re: comentário maldoso Ver comentário
Re: Concordo Ver comentário
Re: Corremos nus pela Europa fora
Comentário Genial!!
"HOJE VOU AJUDAR PARA OS 20"
Gostei do seu artigo pelo gozo que dá ler.
Gostei do seu artigo pelo estilo em que nele me revejo (será) apenas uma critica à foto que podia ser mais explicita no que concerne ao stripper...pelo menos um varão no horizonte mas enfim.....
De qualquer modo somos tão desajeitadinhos que acho que mesmo nus ninguêm nos liga nenhuma a não ser para oferecer uma manta.
Kácus
Primoroso!
Elegante sarcasmo.
Acutilante e objectivo.
Alegoria de mestre.
Acertou no centro do alvo.
Uma lição a considerar.
Parabéns, Tiago Mesquita!
De cabedal e chicote na mão, Angela Merkel ...
Não sei o que é pior, se o chicote da Ângela para meter estes biltres na ordem, se o bisturi da plutocracia internacional, para nos sacar os nossos orgãos vitais. Que nos poderão virã a amputar para o negócio do transplante.
E poderá ocorrer, quando, inanimados, já não tivermos forças para impedir.
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