Saudosos os tempos em que o CR-X fazia as delícias da malta. O seu espírito impetuoso devia-o ao motor enérgico e ao baixo peso, que lhe concediam prestações que entusiasmavam o mais pardacento dos condutores. Volvidas duas décadas, o Honda CR-Z não deixa qualquer dúvida quanto ao facto de ser o sucessor espiritual do CR-X. Mais pela forma do que pelo conteúdo. O contrassenso de criar um desportivo híbrido é ditado pelos ventos de mudança, onde ser desportivo é apetecível, mas ser híbrido é uma necessidade. Por isso, o CR-Z conjuga um motor de combustão (gasolina) de 114 cv com um motor elétrico. Na verdade, é um híbrido soft. Não permite andar em modo plenamente elétrico, desligando o motor térmico quando se rola a baixa velocidade, por exemplo. O suplemento 'a eletrão' serve só para auxiliar nas acelerações. Será útil? Já lá vamos.
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| O anel do painel de instrumentos muda de cor com o tipo de condução: gastadora ou económica |
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Anéis coloridos. O habitáculo do CR-Z é o ponto mais encorajador na pretensão de querer um desportivo. A posição de condução baixa - como de resto é a compostura do carro face à estrada - permite que encaixemos na perfeição, com o volante ligeiramente elevado, o que nos completa a sensação de entrosamento físico. No layout tipicamente Honda, a distribuição dos manómetros e comandos é dispersa, mas apesar da complexidade, o aspeto hi-tech e vanguardista agrada. Ora, as nossas atenções são cativadas pelo conta-rotações que, no seu centro, alberga o velocímetro. Em redor deste existe um anel luminoso que nos vai informando do nosso comportamento com o acelerador. Azul é normal, verde é melhor, pois estamos a ser condutores mais conscienciosos. O modo Eco ajuda-nos a reforçar esse espírito, atenuando a resposta do motor. O indicador da carga da bateria vai-nos colocando o desafio de aliviar mais o pé nas descidas para que a bateria carregue mais depressa e dispõe de start/stop para maior poupança urbana.
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No modo Sport o anel vira vermelho e o contributo elétrico é incrementado. No entanto, não só a aceleração não é assim tão gratificante, como a bateria rapidamente esgota forças. E os consumos ficam-se pelos 6,9 litros/100 km. Nada de especial.
O carro lida bem com estrada sinuosa e acaba por ser boa companhia na cidade e em autoestrada. Mas, tal como o seu antecessor, é um carro para dois, pois os lugares traseiros são baixos para quem mede mais de 1,40m... Então, para que serve o novo CR-Z? Em última instância, serve para quem quer parecê-lo, mas nem por isso sê-lo.
Honda CR-Z GT Top
Motores 4 cilindros, i-VTEC, 1497 cm3 + unidade elétrica de íman permanente
Potência conjunta 124 cv/6100 rpm
Binário conjunto 174 N.m/1000-1500 rpm
Transmissão Dianteira, caixa manual de 6 velocidades
Velocidade máxima 200 km/h
Consumo médio anunciado 5,0 l/100 km
Emissões de CO2 117g/km
Preço €26.200
Texto publicado na revista Única de 20 de novembro de 2010