A União Europeia "está neste momento mais desapontada que há uma semana atrás, porque esperávamos que um acordo aqui em Copenhaga fosse conseguido durante o dia de hoje, mas infelizmente isso não foi possível", afirmou José Sócrates aos jornalistas, depois de uma reunião entre os chefes de Estado e de governo da UE.
A UE "apresenta-se nesta conferência liderante pelo exemplo, não apenas pelas metas vinculativas que já assumiu, mas também pela disponibilidade que mostrou para ir mais além dessas metas, até aos 30% de redução das emissões até 2020", explicou o primeiro-ministro, recordando que "a UE foi o bloco político que mais reduziu as emissões de CO2 nos últimos anos".
Negociações pela noite dentro
As negociações vão arrastar-se pela noite dentro, mas Sócrates defende que um acordo em Copenhaga "deve prever metas vinculativas na redução dos gases com efeito de estufa, estabelecer metas para o financiamento aos países em desenvolvimento e conter os mecanismos de verificação para que todos os países que assinem o acordo as cumpram". Estes são os três pontos "absolutamente essenciais".
Estes mecanismo "não tem a ver com intromissão nos assuntos internos dos países nem com quebra de soberania", mas têm apenas a ver com o facto de cada país que assina o acordo ter o direito de saber se os outros cumprem a sua parte.
O governante português elogiou também "o esforço que os EUA fizeram no que diz respeito à redução de emissões, porque ainda há dois anos não consideravam o aquecimento global como um problema mundial e hoje consideram-no, e comprometem-se também com metas quantitativas".
E sublinhou a posição do Brasil, que se comprometeu a reduzir o aumento das emissões relativamente ao cenário se nada fosse feito em mais de 30%, "o que é superior àquilo que a UE espera das economias emergentes, e fá-lo sem exigir nenhuma contrapartida no financiamento".
Portanto, os EUA, a Europa e o Brasil têm contribuído para que haja um acordo. "Mas é importante que os outros blocos políticos acompanhem este esforço, em particular a China".
Sites oficiais da Cimeira de Copenhaga: