Em declarações à agência Lusa, Albano Nunes, do secretariado da Comissão Central do PCP destacou a "grande perda", recordando o forte apego de Dias Lourenço "à condição de trabalhador e de operário".
"Apesar dos problemas e dificuldades que atravessou em diversos momentos, demonstrou sempre uma força indestrutível, mas também uma grande alegria e grande confiança na luta", disse.
"Camarada combativo"
"Era um camarada muito vivo, muito combativo, muito determinado, muito fraternal que com grande facilidade ganhava simpatia e confiança daqueles com quem trabalhava, fossem membros do partido, fossem aliados na nossa luta e no movimento democrático e anti-fascista", acrescentou.
Nascido em Vila Franca de Xira em 1915, torneiro mecânico de profissão, Dias Lourenço, que começou ainda criança a vida de operário, aderiu ao Partido Comunista Português em 1932, com 17 anos de idade.
"Ninguém contestará que a vida e a luta de António Dias Lourenço é inseparável e está estreitamente ligada a mais de 70 anos de vida dos trabalhadores e do povo português", disse.
"Violentamente torturado"
António Dias Lourenço integrou o Secretariado do Partido entre 1957 e 1962, e foi membro da Comissão Política em 1956 e entre 1974 e 1988.
Foi responsável pelo jornal Avante! entre 1957 e 1962 e seu diretor desde a publicação do primeiro número legal em 1974 até 1991.
Preso duas vezes, em 1949 e 1962, Dias Lourenço passou 17 anos nas prisões fascistas, tendo protagonizado uma das mais audaciosas fugas ao evadir-se do Forte de Peniche em 1954.
"Foi violentamente torturado, mas guardou sempre os segredos do partido e do seu povo", recordou Albano Nunes.
Foi também deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte.