"Mau serviço ao país". É nestes termos que o ex-líder do PSD e conselheiro de Estado, Luís Marques Mendes, classifica as críticas feitas por "pessoas alegadamente próximas do Presidente da República" ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças. Para Marques Mendes são "injustas para o Governo" e "prejudiciais para a imagem de Cavaco Silva".
"Voltar ao tempo dos conflitos institucionais é das piores coisas que nos podem acontecer. A ideia de que Presidente e Governo estão em conflito agrava o clima de desconfiança, reforça o ambiente de insegurança, torna mais difícil construir uma ideia de esperança", argumenta em artigo de opinião hoje publicado no "Correio da Manhã".
O antigo presidente do PSD defende ainda que o Executivo "herdou uma situação excecional, a mais grave desde o 25 de abril, e tem governado com grande coragem. Seguramente que tem cometido erros e eu próprio o tenho referido. Mas não haja uma dúvida - a linha política que tem seguido está correta, o primeiro-ministro tem liderado com autoridade e o ministro das Finanças é um referencial de credibilidade".
Ontem na TVI, o também conselheiro de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu a estes "cavaquistas anónimos" para "desampararem a loja". "Quem são estes cavaquistas e que direito têm de fazer isto ao país? Desapareçam", acrescentou.
Sábado, o Expresso noticiou um desentendimento profundo entre Belém e São Bento no que diz respeito ao papel e dimensão do Estado. Cavaco já terá manifestado o seu desacordo com os cortes e reduções na Função Pública, mas é na economia que mais se realça a divergência, com o chefe de Estado a não se rever nas soluções avançadas pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar.