Formar os jovens para o trabalho. É esta a chave, na opinião de Ferraz da Costa, para tornar o país mais competitivo internacionalmente. "Podemos ter um papel determinante no comércio internacional" e convém estar preparado para dar resposta a uma (expectável) maior procura no mercado europeu de serviços e bens por parte de brasileiros e angolanos.
Há duas vias para trilhar esse caminho que têm em comum o facto de ambas envolverem as empresas, o Estado e as universidades. Em primeiro lugar, a estratégia devia passar por dar um novo fôlego ao programa INOV Jovem, que apoia a realização de estágios profissionais, em pequenas e médias empresas, de jovens com uma qualificação superior em áreas que sejam relevantes para a inovação e a gestão dessas sociedades (é gerido pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional).
Para o presidente do Fórum para a Competitividade, tem que se potenciar esta bolsa de jovens talentos que "estão contentes" pela oportunidade que lhes foi dada e que têm uma filosofia diferente em relação ao trabalho. "Não querem sequer saber o que é isso de estar a prazo", comenta com base no conhecimento dos 11 estagiários que tem a trabalhar nas suas empresas.
A sugestão de Ferraz da Costa é "pegar nestes INOV todos e dar-lhes um contrato de trabalho de três ou quatro anos através de uma associação empresarial ou de um conjunto de empresas, com subsidiação do Estado e intervenção de uma escola de Gestão ou de uma universidade para definirem objectivos e critérios de avaliação". O desempenho seria fulcral já que "os que não forem bons deviam poder ser despedidos livremente".
Ferraz da Costa aponta que vários dos jovens que tem a trabalhar para ele "têm mestrados e vieram de caixas de hipermercado" e reforça que são colaboradores empenhados e muito gratos pela experiência. "Em média são muito melhores do que alguns mais velhos que estão lá a trabalhar". E lança o desafio: "há muitas empresas com dimensão para ter alguns destes jovens, mas para que isso fosse elegível teria que haver avaliação".
Requalificar é a segunda via. O empresário, de 62 anos, sugere a criação de um programa de reconversão dos licenciados em áreas que não dão emprego, através de protocolos de colaboração entre empresas e politécnicos. "Não podemos aceitar que pessoas com vinte e poucos anos, que custaram dinheiro a formar, estejam inoperacionais. Estamos a falar de algumas dezenas de milhar...", salienta.
Rigor e exigência são essenciais em projectos desta natureza, frisa Ferraz da Costa, porque "para se ter apoio há que se sujeitar à avaliação". E lembra que "há experiências extraordinárias na Alemanha de sistemas de alternância, em que as pessoas trabalham enquanto estudam".
Texto publicado na edição do Expresso de 15 de Agosto de 2009