24/05/2012 atualizado às 18:29

Como se fez "A Guerra dos Tronos" (vídeo)

David Benioff e D.B. Weiss, os criadores de "A Guerra dos Tronos", série que hoje estreia no canal Syfy do Meo, falam em discurso direto sobre o desafio que foi adaptar a saga épica de George RR Martin à televisão.

Alexandra Carita (www.expresso.pt)
18:57 Segunda feira, 17 de outubro de 2011
A saga televisiva narra a vida "em sete reinos, onde reis, rainhas, cavaleiros, vassalos, nobres e tiranos dançam numa batalha de traições, intriga, amor e luxúria"
A saga televisiva narra a vida "em sete reinos, onde reis, rainhas, cavaleiros, vassalos, nobres e tiranos dançam numa batalha de traições, intriga, amor e luxúria"
David Benioff e D.B. Weiss começaram por ser romancistas
David Benioff e D.B. Weiss começaram por ser romancistas

Começaram por ser romancistas e acabaram por vir a fazer parte da multimilionária indústria cinematográfica. Benioff já tinha estado na génese de  "Troia", escrevera a "Última Hora", de Spike Lee, "X-Men" e um guião sobre Kurt Cobain. Weiss trabalhara em guiões para "Halo", "Ender's Game" e "Eles Vivem", de John Carpenter. Mas é mesmo de "A Guerra dos Tronos" que nos querem falar.

Qual foi a parte mais difícil na produção da série?


David Benioff: Chegar a este momento, ter a série pronta e a ir para o ar. Demorou 5 anos. Os livros de George RR Martin foram-nos enviados há cinco anos e entrámos na HBO em março de 2006. Quando lhes apresentámos este projeto, foi antes de "Sangue Fresco", e eles nunca tinham feito nada com dragões e clãs do norte. Por mais que a fantasia faça parte da história não deixa de ser fantasia e não queríamos fugir a isso. Convencer as pessoas que era uma série que valia a pena ter na HBO foi um desafio.

É um género fora do vulgar para a produtora HBO...


D.B. Weiss: Quando lemos os livros a primeira coisa que pensámos foi que eram histórias absolutamente fantásticas. A segunda coisa em que pensámos foi que era demasiado complicada, desenvolvida, sexy e violenta para um filme. O único sítio onde fazia sentido existir era na HBO.

E os tentadores orçamentos do cinema?


David: Bem, a HBO é definitivamente mais generoso que os típicos canais de televisão. Para televisão tem um excelente valor de produção. E tem que ter porque temos castelos e guarda-roupa criado de raiz, um enorme elemento de efeitos visuais, cavalos e lutas, todas essas coisas são morosas e dispendiosas e não se veem muito em TV. Penso que as obras de George RR Martin são excelentes e em livros desta dimensão há lições a assimilar sobre poder, busca do poder e o que o poder faz aos indivíduos. Se pudesse escolher um elemento dos livros para explorar, seria o poder. É como "The Wire" ou "Os Sopranos" mas na Idade Média. Há uma perceção geral em Hollywood de que a fantasia é para rapazes de 12 a 15 anos e esse é o público-alvo. É o que as pessoas pensam em termos de TV e filmes quando se fala de fantasia. Convencer as pessoas de que não era esse o caso constituiu parte do desafio. Mas as pessoas da HBO perceberam a ideia. Viram que eram histórias humanas, histórias adultas e maduras e entenderam que ia ser excelente em televisão.

"Guerra dos Tronos", segundas-feiras, às 22h15
"Guerra dos Tronos", segundas-feiras, às 22h15

Qual o motivo de um elenco predominantemente britânico?


David: As obras de George passam-se num mundo fantástico, mas são bastantes inspiradas na história britânica e em particular na Guerra das Rosas. Ele dizia, e nós pensamos o mesmo, que quando escrevia imaginava o sotaque britânico. Porque é que a fantasia deve ser com sotaque inglês? Não achamos que todas as adaptações devem ser, mas para nós, nesta versão, sempre pareceu o melhor e desde o início sempre pensamos em Sean Bean e tudo o resto foi feito à sua volta.

D.B. Weiss: Logicamente a fantasia não deve ser necessariamente com sotaque britânico. Só por ser inspirada numa história antiga, não faz sentido não falarem da mesma forma que nós. Mas se Ned Stark aparecesse no ecrã e dissesse 'Tudo na boa?' não seria o mesmo.

Como escolheram Emilia Clarke? Ela é praticamente desconhecida.


David: Ela foi incrível na audição. Nunca tínhamos ouvido falar nela. Houve tanta gente a vir às audições, que a primeira etapa do processo foi vê-las em vídeos. A primeira vez que vimos Emilia era apenas uma pequena imagem no ecrã, mas havia algo incrivelmente persuasivo nela. É um papel muito difícil, porque é uma das minhas personagens preferidas do livro. Começa por ser uma rapariga muito tímida e magoada. Foi maltratada toda a vida e parece que está a ponto de se ir a baixo a qualquer momento. De repente, torna-se rainha. Por isso, tínhamos que encontrar uma atriz bastante jovem e que conseguisse desempenhar estas duas facetas: rapariga dócil e rainha poderosa, e poucas jovens atrizes conseguem fazê-lo. 

É uma série dura em alguns sentidos; não sabemos por quem torcer e morrem tantas personagens...


David: É um dos pontos de que gostamos bastante nos livros. Temos sempre medo de voltar a página porque não sabemos o que vai acontecer. Chegamos ao livro 3 e parece que a cada página morre uma personagem. É algo que é doloroso, mas também nos mantém interessados porque adoramos as personagens e temos receio por elas.

D.B. Weiss: Penso que seja uma vantagem da televisão vs. filme. Por exemplo, quando penso na morte de Christopher em "Os Sopranos", e após passar oito temporadas com aquele tipo, sinto que cresci com a personagem e vê-lo ser assassinado depois de tanto tempo afetou-me muito mais emocionalmente do que qualquer filme de que me lembre. Passa-se o mesmo com o livro de George. Uma das coisas que mais nos atraiu foi o facto de ele estar disposto a sacrificar quase qualquer personagem.

Estavam nervosos com a reação dos fãs?


David: Tendo uma forte legião de fãs era definitivamente um dos elementos chave para a série ser aprovada. Por isso, estamos muito agradecidos aos fãs dedicados. Nem todos vão ficar satisfeitos com a nossa versão, é um facto. Acreditamos que se agradarmos a George então estamos no caminho certo. O que não quer dizer que todos os fãs concordem, mas espero que a maior parte concorde.

Leem os fóruns online dos fãs?


David: Já chegamos a espreitar os fóruns. Mas impus a mim mesmo uma proibição porque 95% das coisas são positivas mas eu foco-me no restante. Vai correr tudo bem. O que poderia correr mal? (risos)


Um mundo fantástico

Com a inspiração indireta da própria história e uma inventiva digna desse nome, eis a fórmula mágica

O canal Syfy estreia na segunda-feira, dia 17, uma série de luxo que tem sido destacada pela crítica internacional. "A Guerra dos Tronos" merece encómios: o mundo fantástico em que decorre a ação está alicerçado num minucioso trabalho de construção - enredo, interpretação, guarda-roupa, gestualidade e coerente vivência de época - e o seu conjunto torna-se tão consistente que o espectador quase pode imaginar estar observando a evocação de factos históricos descritos nos compêndios da especialidade.

Todavia, trata-se de um mundo inventado, quase mágico, "onde os verões duram décadas e os invernos se arrastam por gerações". Um poderoso mundo fantástico em que se ambienta uma tradicional história de poder. De resto, a narrativa e a estrutura das pedras de um intricado xadrez político devem muito à realidade medieval e cavaleiresca, sem menosprezar o trabalho idóneo e criativo dos argumentistas, muito menos a base em que escora a saga, a série de escrita por George R. R. Martin, ficcionista e guionista norte-americano de literatura fantástica e de ficção científica, conhecido pela criação dos livros da série "Uma Canção de Gelo e Fogo".

A saga televisiva narra a vida "em sete reinos, onde reis, rainhas, cavaleiros, vassalos, nobres e tiranos dançam numa batalha de traições, intriga, amor e luxúria". O percurso real da Humanidade tresanda a tudo isto... eis porque apelidar este trabalho de realismo mágico é apropriado.

Na primeira temporada vamos acompanhar as aventuras de várias famílias. A Casa Stark, que tem como divisa "O Inverno Está a Chegar". A Casa Baratheon, com divisa "Nossa É a Fúria". A Casa Lannister, com a divisa "Ouvi-me Rugir", e a Casa Tagaryen, que acoberta a sigla "Fogo e Sangue". Sem esquecer os Dothraki, guerreiros nómadas. Todos têm ensejos, aspirações, tropas, aliados e inimigos, mulheres sumptuosas e muitas armas.

Primorosa até ao mínimo detalhe, a série é um regalo para os olhos, com cenários esmagadores e movimentações como há muito não se viam.

Texto de António Loja Neves


A Guerra dos Tronos - Syfy HD, segundas-feiras, 22h15

Artigo publicado no Atual da edição do Expresso de 15 de outubro


Veja aqui o trailer da série:



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Bakunov (seguir utilizador), 1 ponto , 21:26 | Terça feira, 18 de outubro de 2011
Esta foi na minha opinião a melhor série do ano passado.
Quanto à validade de pagar 40 euros pelo serviço meo?
Não vale a pena. Cancelem o MEO e vão a piratebay..
 
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