24 de maio de 2013 às 19:36
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Comandante deve ser o último a abandonar o navio?

Porta-voz da Marinha portuguesa diz que o comandante deve ser o último a abandonar o navio, mas o diretor-executivo da Agência Marítima e Costeira britânica afirma que isso não passa de um "mito".
Carlos Abreu (www.expresso.pt)com Lusa
Comandante deve ser o último a abandonar o navio?

O porta-voz da Marinha portuguesa garantiu ao Expresso que o comandante deverá ser sempre o último homem a abandonar o navio em caso de naufrágio, mas o diretor executivo da Agência Marítima e Costeira britânica , o vice-almirante Alan Massey , defendeu que isso não passa de um mito. 

"Não há fundamento na lei internacional para a ideia de que o comandante deve ir ao fundo com o navio ou mesmo que deve ser o último a abandona-lo", garantiu o vice-almirante numa conferência de imprensa, em Londres, organizada por representantes do setor dos cruzeiros, na sequência da fuga do comandante do "Costa Concordia" naufragado em Itália.

O comandante  Alexandre Santos Fernandes lembra, no entanto, que a convenção STCW (International Convention of Standards of Trainning, certification and Watchkeeping for Seafarers, 1978 ), da Organização Marítima Internacional, uma agência das Nações Unidas, "estabelece que é proibido ao comandante abandonar o navio por maior perigo que a situação ofereça, só sendo possível em caso de naufrágio e após certificar-se de que é o último a fazê-lo".

Mas, para Alan Massey, "em muitos casos", a permanência do comandante no navio, "poderá não ser a decisão mais acertada", já que cada companhia poderá adotar políticas de segurança específicas.

"Isso é mais um mito que uma realidade", concluiu o responsável máximo, desde julho de 2010, pela implantação no Reino Unido da política de segurança marítima.

Responsabilidade e honra


Santos Fernandes diz ainda que esta norma "deverá estar associada ao sentido de responsabilidade e de honra que sempre acompanhou os homens que andam no mar e principalmente os comandantes, que sempre souberam assumir a total responsabilidade pelo seu navio e pela sua guarnição".

"O ditado 'estamos todos no mesmo barco' é sintomático desta forma de viver de quem tem no mar a sua forma de vida", remata o porta-voz da Marinha Portuguesa.

O comandante do "Costa Concordia", que naufragou junto à ilha de Giglio, Itália, na sexta-feira passada, dia 13, abandonou a embarcação sem que a operação de evacuação estivesse concluída.

Numa chamada telefónica com o comandante dos portos de Livorno, Gregorio di Falco, tornada pública na terça-feira, resulta ainda claro que Francesco Schettino recusou-se retornar ao navio.

Tropeçou e caiu


Interrogado na segunda-feira, durante cerca de três horas, pela juíza Valeria Montesarchio, Schettino disse que tropeçou e acabou por cair dentro de um bote salva-vidas quando o navio já se encontrava com uma inclinação de 60 ou 70 graus.

Uma versão que não convenceu a magistrada que decretou a prisão domiciliária de Francesco Schettino, acusado de múltiplo homicídio por negligência, naufrágio e abandono do navio.

A presença no navio de "outros membros do pessoal e oficiais que desenvolviam esforços para retirar os passageiros desmente objetivamente as declarações do comandante sobre a impossibilidade de dirigir os procedimentos de emergência e socorro", escreveu a juíza na fundamentação da sua decisão.

Valeria Montesarchio considerou também que o comandante Schettino não fez "nenhuma tentativa séria" para regressar "pelo menos para perto do navio", tendo permanecido nas rochas durante seis horas a assistir às operações de salvamento.

As autoridades envolvidas nas operações de resgate do paquete "Costa Concórdia" - Marinha de Guerra, guarda costeira, bombeiros, Carabiniers, polícia - reuniram-se hoje de urgência para decidir o seguimento a dar aos trabalhos, novamente suspensos esta manhã.

Segundo as autoridades italianas, citadas pela Associated Press, morreram 11 pessoas (três das quais permanecem por identificar) e 21 continuam desaparecidas.

Comentários 13 Comentar
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Aqui fala um passageiro do "Portugal na Merda"!
Cá o antigo Comandante do navio não queria abandonar o barco. Tivemos que ser nós passageiros do "Portugal na Merda", a empurrá-lo borda fora.
Zangado, foi estudar para Paris!
A tripulação está a ser substituída aos poucos, pelos amigos do novo Comandante!

 
Re: Aqui fala um passageiro do Ver comentário
Re: Aqui fala um passageiro do Ver comentário
Os ingleses dizem que é um mito...
E se os ingleses dizem que é um mito, como observar um procedimento que parecia tão sólido? Rio Grande
Re: Os ingleses dizem que é um mito... Ver comentário
Re: Os ingleses dizem que é um mito... Ver comentário
A questão não está no abandono:
Ele nunca lá devia ter entrado...
O Durão Barroso foi o primeiro a fugir...
... de primeiro-ministro de Portugal.
Re: O Durão Barroso foi o primeiro a fugir... Ver comentário
Mudanças
Muito antes de ser construído o navio já era "comandado" pelo programa Barco do Amor.
O "comandante" Schettino sabia que era apenas um figurante que nada mandava, e quando o "amor" e a "concórdia" se transformassem em "empréstimo" e "discórdia" o seu papel iria mudar e passaria de bestial a besta. Assim foi.
A tradição já não é o que era!
Normalmente são os ratos os primeiros a sair! Ficamos a saber que os britânicos saem ao mesmo tempo dos ratos. E o italiano copiou! Quem ficar que se amanhe! Estas as tradições e responsabilidades dos comandantes modernos.
Incompetente e sem honra
A este comandante mais lhe valera ter morrido no Navio. Ficaria para a história como um comandante de navio incompetente e desastrado, como homicida por negligência, mas teria salvo a sua honra. Assim, não só perderá a liberdade por muitos e muitos anos, nunca conseguirá pagar um milésimo das indemnizações que será também condenado a pagar, será fatalmente expulso da marinha mercante, como será havido para sempre como um homem sem dignidade nem honra.
Está engraçada a caricatura
A anedota também me fez rir, mais ainda do que aquela do capitão que tropeçou e caiu num bote salva-vidas ...
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