21 de abril de 2014 às 0:34
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Com uma pulseira na pata o cão cantou Sinatra

Decidi experimentar a pulseira Power Balance. Ao terceiro dia corria como um galgo e trepava a sequóias de 30 metros em apenas dois minutos. No cão, o resultado foi ainda mais surpreendente.
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

A maioria que escreve sobre a pulseira fenómeno fá-lo de má-fé. Sem qualquer experiencia real e comprovada com o produto e sugestionada pela imagem infundada de charlatanice com a qual quem comercializa a pulseira se habituou a conviver. Um rótulo difícil de descolar.

São pessoas que destituídas deste pedaço mágico de plástico no pulso, não estão devidamente "equilibradas- balanceadas" e por isso incapazes de poderem fazer uma apreciação critica e isenta das capacidades deste belo e revigorante artigo.

Comecei a experiência na minha pessoa e não no animal como normalmente se faz em laboratório, não fosse o bicho ganhar resistência e expulsar-me de casa. Ao segundo dia de utilização consegui perceber a totalidade de um monólogo de Pacheco Pereira. Ao terceiro dia dispensei a mulher-a-dias porque em 15 minutos fazia a limpeza da casa ao mesmo tempo que lia Nietzsche.

Aprendi mandarim enquanto o senhor Lee me cortava o cabelo, coisa que dura escassos 5 minutos porque o homem com a tesoura na mão não é nenhuma menina. O Eduardo do Tim Burton ao lado deste senhor ia fazer o Johnny Depp chorar muito mais. Até já lhe perguntei se era da família do outro Lee, o Bruce. Respondeu-me educadamente: "Outla vez essa polcalia do Bluce?"

Esta pulseira mágica é uma mistura de Dona São com Bimby, personal trainer e professora de fitness, contorcionista e nutricionista e ainda impulsionador de QI (especialmente de quem não compra o produto), testada em diversos sudokus de vários níveis e nos passatempos da revista Maria.

Enrolei finalmente a pulseira na pata do cão e cinco minutos depois ele levantou as patitas da frente, agarrou numa vela de cheiro e cantou My Way do Sinatra. Parecia que o estava a ver ali a ver à minha frente a abanar-se, inclinando a cabeça no final da melodia. Um Sinatra com mais pêlo e cheiro (mistura de magnólia com cão). Até me vieram as lágrimas aos olhos.

Esta pulseira é por tudo isto e por mais que não tive coragem de experimentar, provavelmente a melhor invenção que tive o prazer de testar desde a criação do GLH, uma espuma milagrosa que aplicada na cútis substituía o cabelo desaparecido. Dando aos carecas a possibilidade de voltarem a ter relações sexuais com a mesma frequência. Eu como não tenho problemas capilares na altura experimentei nos braços e peito. Parecia o Tony Ramos.

Confio totalmente no produto, tenho para mim que o Dom Sebastião com uma destas pulseiras no pulso há muito que teria reaparecido na Lux para mais uma noite branca.

"Pulseiras Power Balance multadas em 15 mil euros por publicidade enganosa" in Público Bem me parecia. Sempre me cheirou a aldrabice. Bastards. 
Comentários 6 Comentar
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A FORÇA DA PUBLICIDADE e A CRENDICE
Esta pulseira foi vendida aos milhões porque as pessoas estão sedentas de acreditar em algo e agarram-se às coisas mais estúpidas que possamos imaginar.

De facto o elemento racional só por si não chega porque o ser humano move-se na trilogia do Pensamento - Sentimento - Acção.

Este é um dos motivos pelos quais devemos dar sempre primazia à RAZÃO mas não podemos esquecer que a EMOÇÃO é uma das linhas de força que determinam a acção humana.

A crendice e a superstição devem ser combatidas com todas as forças que pudermos juntar.

Re: A FORÇA DA PUBLICIDADE e A CRENDICE Ver comentário
TM
Esta pulseira faz-me lembrar a propaganda xuxalista, mas com uma diferença, estes ainda não foram multados, mas vão multando e que alguns já não ganham para pagarem as multas a que estão sujeitos e vão passando fome.
É democracia?
GLH
Excepcional! Muito bem lembrado. Era verdadeiramente milagroso.
Não a comprei pq já a tinha
na minha carteira, já que a empresa que faz os hologramas desta pulseira é a mesma que faz o holograma do cartão visa. Desde que arranjei o cartão de débito, senti as minhas nádegas muito mais equilibradas. A única desvantagem é que não dá jeito jogar à bola com a carteira no bolso, portanto ainda pondero arranjar uma destas para alinhar os meus chacras e rematar de trivela.
Questão de princípios
O meu vizinho Tone Porco, desde que comprou a pulseira, não tem parado de supreender o povo cá da terra. Ele diz que com a pulseira consegue saltar muros, abrir portões, entrar em minha casa, fechar-se no quarto com a minha mulher e andar de bicicleta.
      Eu como acho que essas pulseiras é tudo treta, enfio-me no tasco "Até cair" a apanhar a bebedeira e os meus amigos em tom de gallhofa, atiram-me sempre com esta:
- Ó Falsete, se nunca viste um porco em cima duma bicicleta, tens de aparecer mais vezes em casa.
        Nunca entro em pánico, por uma questão de princípios. E também, porque sei que há sempre mais tascos abertos.
   
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