16 de abril de 2014 às 8:01
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Colégios privados GPS: uma história exemplar

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

A história que aqui vos conto, e que muitos dos leitores terão tido a oportunidade de ver na TVI , é a de um grupo privado que nasceu à sombra da influência do poder político. E que, na área da educação, cresceu à custa de contratos de associação que desviam alunos das escolas públicas para colégios privados. Sem que tal seja necessário ou corresponda a qualquer benefício para os cidadãos.

Nas escolas públicas Raul Proença e Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, há lugares vagos. Mas construíram-se dois colégios privados, do influente grupo GPS: Frei Cristóvão e Rainha Dona Leonor. Concorrência? Nem por isso. Os colégios recebem alunos que são integralmente pagos pelo Estado. Porque as escolas públicas do concelho estão sobrelotadas? Não. Porque não têm condições? Pelo contrário. As públicas pedem mais turmas e isso é-lhes recusado. As privadas crescem e recebem, por decisão da DREL, muito mais turmas do que as escolas do Estado. Os alunos são desviados do público para o privado. E o Estado paga.

No últimos cinco anos a escola pública, nas Caldas da Rainha, perdeu 519 alunos. Os colégios com contratos de associação (financiados pelos dinheiros públicos) ganharam 514. Não por escolha dos pais, mas por escolha do Ministério da Educação. A Bordalo Pinheiro, que tem condições invejáveis, resultado de um investimento de 10 milhões de euros, poderia ter 45 turmas. Tem 39. Os alunos em falta vão para escolas privadas, pagos por nós, com piores condições.

Enquanto nas escolas públicas vizinhas há professores com horário zero, os professores dos colégios do grupo GPS são intimidados para assinar declarações que os obrigam a cargas horárias ilegais. Dão aulas a 300 ou 400 alunos. Há professores com todos os alunos do segundo ciclo na sua disciplina. Tudo com o devido conhecimento da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

Para além das aulas, há, casos de professores a servirem almoços e cafés, a pintarem as instalações, a fazerem limpezas, arrumações e trabalho de secretaria e contabilidade. Isto nas várias escolas do grupo GPS, espalhadas pelo País. As inspeções do ministério a estas escolas, testemunha um professor, têm aviso prévio. Isto, enquanto, só no concelho das Caldas da Rainha, 140 professores das escolas do Estado chegaram a estar sem horário por falta de alunos.

As condições das escolas do grupo privado pago quase integralmente com dinheiros do Estado deixam muito a desejar. Portas de emergência fechadas a cadeado, falta permanente de material indispensável, cursos financiadas PRODEP sem as instalações para o efeito e aulas a temperaturas negativas.

Falta de dinheiro? Não parece. Manuel António Madama, diretor da Escola de São Mamede, também do grupo, é proprietário de uma invejável frota de 80 carros. Só este ano, o grupo GPS recebeu do Estado 25 milhões de euros. Cada turma das várias escolas do grupo recebe do Estado 85 mil euros. Dos 3 milhões de euros vindos dos cofres públicos para, por exemplo, a escola de Santo André, só 1,3 milhão é que foram para pagar professores. A quando das manifestações contra a redução dos contratos de associação, decidida por José Sócrates e que Nuno Crato anulou (enquanto fazia cortes brutais na escola pública), a presidente da Associação de Pais quis saber para onde ia o dinheiro que sobrava. Ficou na ignorância.

A pressão para dar negativa a alunos que poderiam ter positiva mas, não sendo excelentes, poderiam baixar a média nos exames que contam para o ranking, são enormes. Até ao despedimento de professores e à alteração administrativa das notas. Os maus alunos, mesmo em escolas privadas pagas com dinheiros públicos, são para ir para as escolas do Estado. No agrupamento de Escolas Raul Proença há cem alunos com necessidades educativas especiais. No colégio vizinho da GPS, o Dona Leonor, com contrato de associação, quantos alunos destes, pagos pelo Estado, existem? Nenhum. Dão demasiado trabalho, exigem investimento e baixam a escola no ranking.

Como se explica o absurdo duplicar custos quando as escolas do Estado chegam e sobram para os alunos disponíveis? De ter escolas do Estado em excelentes condições, onde foi feito um enorme investimento, semivazias e com professores com horário zero, enquanto nestas escolas privadas se amontoam alunos pagos pelos contribuintes, sem condições e com os professores a serem explorados? A TVI contou, numa inatacável reportagem de Ana Leal, documentada até ao último pormenor e com inúmeros testemunhos, a razão deste mistério.

A GPS é um poderoso grupo. 26 escolas de norte a sul do País, invariavelmente ao lado de escolas públicas e com contratos de associação com o Estado. Em 10 anos criou mais de 50 empresas em várias áreas, do turismo às telecomunicações, do ensino ao imobiliário. António Calvete, presidente do grupo GPS, foi deputado do PS no tempo de Guterres e membro da Comissão parlamentar de Educação. Para o acompanhar nesta aventura empresarial chamou antigos ministros, deputados, diretores regionais de educação. Do PS e do PSD: Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, José Junqueiro, deputado do PS. Todos foram consultores do grupo GPS.

Mas entre os políticos recrutados pela GPS estão as duas principais figuras desta história: José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, e José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo. Foram eles que, em 2005, assinaram o despacho que licenciava a construção de quatro escolas do grupo GPS com contratos de associação para receberem alunos do Estado com financiamento público. Ainda não tinham instalações e já tinham garantido o financiamento público dos contratos de associação. Ou seja, havia contratos de associação com escolas que ainda não tinham existência legal. Um despacho assinado por um governo de gestão, a cinco dias das eleições que ditariam o fim político de Santana Lopes. Depois de saírem dos cargos públicos foram trabalhar, como consultores, para a GPS. E nem um despacho do novo secretário de Estado, Waler Lemos, a propor a não celebração de contratos de associação com aquelas escolas conseguiu travar o processo.

Alguns estudos recentes falam dos custos por aluno para o Estado das escolas públicas e privadas. Esta reportagem explica muitas coisas que os números escondem. Como se subaproveita as capacidades da rede escolar do Estado e se selecionam estudantes, aumentando assim os custos por aluno, para desviar dinheiro do Estado para negócios privados. E como esses negócios se fazem. Quem ganha com eles e quem os ajuda a fazer. Como se desperdiça dinheiro público e se mexem influências.

A reportagem da TVI não poderia ter sido mais oportuna. Quando vier de novo a lenga-lenga da "liberdade de escolha", das vantagens das parcerias com os privados, dos co-pagamentos, da insustentabilidade de continuar a garantir a Escola Pública, do parque escolar público ser de luxo... vale a pena rever este trabalho jornalístico. Está lá tudo. O resumo de um poder político que serve os interesses privados e depois nos vende a indispensável "refundação do Estado".

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A discussão sem método.O "meu" modelo (1/2)
Transcrevo aqui um post que ontem escrevi sobre este assunto.
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Tipicamente nas discussões/análises sobre o sistema de ensino (idem para o sistema de saúde…) misturam-se duas questões fundamentais que deviam ser analisadas separadamente porque são basicamente independentes, embora no final se interliguem: a questão de quem deve financiar e a questão de quem deve fornecer/prestar os servidos de educação.

Sobre quem deve financiar vejo três cenários que são independentes do modelo de fornecimento/prestação: 1) o Estado suporta 100% dos custos a todos, independentemente da sua condição económica, (*) 2) suporta os custos apenas de quem tem um rendimento familiar abaixo de determinado valor, 3) há co-pagamento feito por todos variando a percentagem de co-pagamento consoante os rendimento do agregado familiar. No limite podendo o co-pagamento ser zero para famílias carenciadas.

Sobre esta matéria a minha opinião pessoal é a favor do modelo 1) em que o Estado suporta 100% dos custos. Dado que a progressividade dos impostos de algum modo já garante que quem ganha mais paga mais. De outro modo, por um questão de coerência, noutros serviços públicos como p.e. no uso de Auto-estradas devia também ser feita descriminação positiva para quem ganha menos.

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Recomendações
Vi o programa da TVI, verdadeiro serviço público, diga~se de passagem, e atrevo-me a fazer algumas recomendações :

Que seja visionado por Henrique Monteiro. Irá certamente abalar.lhe um pouco as convicções da contratualização com privados.

Que o ministro da educação tome as atitudes necessárias para liquidar esse grupo de oportunistas, pondo-lhes a inspecção em cima e não concedendo a mais mínima falha.

Que a Dona Cândida faça um esforço e arranje uma grande lupa, para tentar ver se há por ali algo por onde se possa pegar.

Estas grandes reportagens que estão a aparecer nas TV's estão a animar a informação, são úteis e são de saudar de pé.
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Ó para mim tão chic...


"Para além das aulas, há, casos de professores a servirem almoços e cafés, a pintarem as instalações, a fazerem limpezas, arrumações e trabalho de secretaria e contabilidade."

Sim, e????

Na escola básica do meu filho mais novo (na Holanda) os professores fazem isso, juntamente com os alunos têm um plano seminal de faxina.

No gymnasium do meu filho mais velho, são os professores, juntamente com os alunos, que arrumam , e apanham os restos do chão, das salas de aula e de convívio de maneira a facilitar as limpezas mais tarde.

São eles que fazem jardinagem, pinturas etc...desde que não sejam grandes trabalhos de manutenção, claro.

Metam na cabeça que a escola pode ser uma segunda casa, e que, professores e alunos, podem ser uma família…se a família tiver um espírito unido, tanto faz haver 10 filhos em casa como 40.

Uma vez comentei com uma das professoras do meu filho, quando ela varria a sala " Em Portugal não vês um professor fazer isso". Ao qual ela, muito admirada perguntou "Porquê??".. Resposta "Isso é trabalho de pretos…nós portugueses somos gente fina. "

Ela riu-se...pensou que eu estava a brincar.

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Ficas a falar sozinho...frustrado. Ver comentário
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Curiosidades Ver comentário
"número máximo de alunos no primeiro ciclo" Ver comentário
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Não és lá muito coerente... Ver comentário
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Mais um "sensível". Ver comentário
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As negociatas do costume
Esta filosofia do governo enquadra-se na lógica de que o privado faz sempre melhor do que o público. O que até é verdade em alguns casos, mas na maioria das vezes o que se verifica é que o privado se apropria indevidamente de recursos do público, faz a selecção do que lhe interessa (normalmente as partes que podem dar lucro e descartam as outras) e depois vem acenar com os resultados que obviamente são melhores, mas obtidos em condições desiguais.
Esta questão dos contratos com colégios privados faz sentido de facto quando a oferta do público é escassa (e sei que existem colégios do grupo GPS que se localizam em locais onde de facto não existe oferta pública num raio de muitos KM). O problema é que se generalizou e chegou-se ao ridículo de ter contratos com colégios situados a menos de 1 Km de escolas públicas às moscas.
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Vigaristas na Educação: cadeia com eles!
Infelizmente num país de corrupção elevada, a Educação não ecapa:

Do ensino superior ao secundário, os escândalos tem vindo a público e mostram a vigarice que tem existido num sector tão importante para o país,como é o da EDucação.
Espera-se e deseja-se do Governo e das entidades públicas mão pesada nos vigaristas que sem excrúpulos tem defraudado o dinheiro público e prejudicado quem ensina e estuda nesses estabelecimentos!
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Não será melhor chamar a polícia?

Não vi o programa da TVI, mas o elenco que se apresenta nesta farsa, a fazer fé em DO, é arrepiante.
Desenganem-se aqueles que acreditam que o problema está na fundamentalista estatização de tudo.

O problema está na impossibilidade de liberalizar um pouco que seja, em transferir competências para privados, sem que a "tralha" política esteja incluída nas transferências.

   
Economia de escala
É compreensível a razão da sua inquietude neste assunto da comparação escola pública-escola privada. É que o Tribunal de Contas revelou que um aluno no ensino público custa mais que um aluno no ensino privado. E, segundo se sabe, as notas e a preparação dos alunos do privado são, regra geral, melhores que os alunos do público. Isto para não falar na disciplina e segurança que as escolas privadas oferecem.
Estes factos são uma afronta à sua ideologia e deixam-no confuso. Mas o senhor, como nunca dá o braço a torcer, vem com esta notícia para tentar evitar que a prestação do serviço de ensino público passe para entidades privadas.
Não vi a tal reportagem, mas acredito que tudo o que diz seja verdade. Este processo está no início e é normal existirem sempre casos reprováveis.
Mas eu dou-lhe a solução para que a transferência dos alunos do público para o privado resulte: os pais escolherem livremente a escola dos filhos. O Estado dá o dinheiro, conforme os rendimentos, e os pais escolhem.
Basta isto para que as escolas privadas dêem as melhores condições de ensino aos alunos: caso não o façam ficam sem alunos e fecham.
Mas o senhor Daniel não acredita em nada disto, certo?
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Ai o último parágrafo...
Até ao último parágrafo, tudo bem. Depois é que borra a história toda misturando conceitos.
Está a confundir a promiscuidade do poder público com os privados (e consequentes prejuízos para o Estado) com a capacidade dos privados fazerem melhor e mais barato.
Para tirar uma conclusão não demagógica, teria de pôr na conversa as centenas de colégios privados que não têm contrato de associação; quanto cobram aos alunos, quanto custam ao Estado (benefícios fiscais e outros) e os seus resultados. Depois, comparar esse custo com os colégios com contrato de associação e com o público.
Eu não vi a dita reportagem, por isso não me posso pronunciar se estão a fazer bem as contas, mas a questão é: quanto custa vs quanto custaria uma escola pública (construção e tudo). Se os ditos colégios existiam antes e se depois se decidiu construir escola (quem, porquê e qual o custo) e outros parâmetros para melhorar a análise.
A liberdade de escolha é uma questão incontornável nos dias de hoje. Eu posso preferir andar de taxi (e pagar por isso) a andar de metro. Isso é um problema meu e um Estado democrático não tem rigorosamente nada a ver com isso. O Estado até pode contribuir para esse serviço pago, desde que saia mais barato do que providenciar o serviço público (comparticipação do custo).
O problema é que para além da corrupção, o Estado não cumpre um dos seus principais papeis: fiscalizar.
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Resumo da história mal contada por DO.
1 - O estado esbanjador investiu em demasia em estabelecimentos escolares, quando havia empresários privados interessados em fazê-lo.
2 – As escolas privadas conseguem funcionar a custos mais baixos porque entre outras coisas rentabilizam muito melhor a sua mão-obra dada a sua maior eficácia no aproveitamento dos recursos humanos por via da ampliação das funções atribuídas a cada colaborador.
3 – Os professores destas escolas por colaborarem em actividades não lectivas dão um bom exemplo de cidadania aos seus alunos, contribuindo para uma boa formação destes.
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Re: Resumo da história mal contada por DO. Ver comentário
A promiscuidade é um bom negócio
Sou um defensor da Escola Pública, apesar de ter estudado uma parte da minha vida em colégios privados, católicos. Sou capaz de estar de acordo com muitas das preocupações que coloca o DO.
Aqui no Porto, o famoso RIBADOURO, também é pertença de gente do PSD que passou pela DREN. Uma fábrica que prepara meninos para as faculdades de medicina, cerca de 150 por ano. E segundo rezam as crónicas prepara-os bem. Como não sei!? Se há manigâncias, também não sei!?
O Ensino Privado foi sempre muito bem controlado no tempo da outra senhora. A promiscuidade era quase impossível porque Salazar e Caetano não davam grandes hipóteses de falcatruas. Mas as Escolas privadas que que havia eram normalmente boas escolas.
A Escola Pública tem vindo a melhorar muito de ano para ano. Mas convém não esquecer que ela já andou pelas ruas da amargura, uma balda generalizada até à bem pouco tempo.
Mas no que toca a negócios deste género se o PSD os faz o PS também.
O PS foi governo durante seis anos. Teve muito tempo para mudar tudo o que estava mal nessa área. O que levou este a não eliminar essas excrescências?
Conivência de facto!
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Para onde vão os nossos impostos!!!
Vi a peportagem, é lamentável, país de chico espertos, quase todos a passar muito mal, isto é uma vergonha...
Até o tribunal de contas vai na onda...
colegios-privados-gps-uma-historia-exemplar
Tudo o que está a acontecer para mim não é surpresa, pois fui um dos que tudo fiz para impedir o óbvio. Este é o resultado de terem colocado a raposa a guardar o galinheiro. Que mais se poderia esperar. Aliás quem assistiu ao debate antes das eleições entre Passos e Sócrates, este bem avisou do que se ia passar. Depois da promessa de que era um disparate cortar o subsídio de Natal, veio o de férias, o aumento de impostos, o ataque às Segurança Social,à saúde e ao ensino e ainda as privatizações de todas as jóias da Coroa.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/12/jose-gomes-ferreira-condicoes-e-juros.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/debate-passos-coelho-socrates.html

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A mania tuga das generalizações!
Deste caso relatado por DO que passou na TVI (não tive oportunidade de ver..) não se pode inferir que todas as escolas privadas são más. Ou pior ainda que um modelo que envolva escolas privadas é para descartar!

Este é a pior forma (à boa moda tuga da generalização...) de discutir um assunto.

É por estas e por outras (a forma como nós tugas funcionamos...) que estamos na m... em que estamos.

Assim não vamos longe!
Re: A mania tuga das generalizações! Ver comentário
Re: A mania tuga das generalizações! Ver comentário
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Uma crónica exemplar... e um tiro no pé.
Interessante ping pong entre DO e HM, quando este escreve logo vem a seguir DO complementar, corrigir ou contraditar o seu parceiro de jornal.

Enquanto HM escreve sobre questões e principios gerais, defensaveis ou não, deixando de lado a forma de conseguir levar à pratica e evitar abusos, DO entretêm-se na maior parte dos casos a extravasar supostos princípios gerais baseando-se em casos particulares, de evidente abuso baseado na realidade de que somos o país mais corrupto da europa, tirando a Grécia.
Estes sistemas mistos existem na Holanda, Suécia, Finlandia etc... mas convem a uma certa "esquerda" que se diz social-democrata "de esquerda" não falar destes exemplos e procurar usar os maus exemplos para manter o status quo.
 
São a esquerda conservadora. Estão no seu papel.

Por vezes DO nem percebe, como hoje, que o que diz é um tiro no pé na sua teoria, isto é, como deveria ser o sistema de financiamento do ensino básico para evitar estes casos, que surgem exactamente por existir o sistema fechado que temos hoje, os pais não poderem escolher a escola pública para os seus filhos

Acrescento que do que o DO fala é um evidente caso de polícia ou de tribunal e a pergunta que se deve e tem de fazer é porque não actuam um e outro... já lá vão 7 anos, de "excelente" governação...

Parece que toda a gente acordou só agora... pode ter sido o único mérito da troika, mas pelo menos conseguiu que nos olhássemos no espelho.
Re: Uma crónica exemplar... e um tiro no pé. Ver comentário
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Para DO liberdade é lenga-lenga!
Já estava com saudades do boneco mais estúpido que o Daniel Oliveira.

Depois de 12 parágrafos a descrever um caso de compadrio e tráfico de influências, era inevitável que o Daniel Oliveira aproveitasse para colocar a demagogia tipica da esquerda alternativa à democracia no lugar da investigação jornalistica séria.

É que em 12 parágrafos há de tudo menos liberdade de escolha, iniciativa privada ou direito à educação. Os pais não escolheram os colégios do grupo GPS. Os alunos foram para lá mandados como seriam mandados para uma qualquer escola pública, pagos com os nossos impostos.

Para a presente discussão os colégios GPS são uma escola pública como outra qualquer e o problema apresentado é um problema de gestão (ilícita) da coisa pública, não uma discussão ideológica sobre o modelo de ensino.

Este caso é uma das razões pelas quais sou contra os contratos de associação, tal como sou contra a escola pública como sistema universal de último recurso para quem não tem dinheiro para pagar uma escola privada.

A "lenga-lenga da "liberdade de escolha"" que o Daniel Oliveira refere no 13º parágrafo está de todo ausente do caso de polícia que descreve. Daniel Oliveira sabe disso. Mas tem de o ignorar, porque depois ficava sem nada para escrever.

Pela lógica do Daniel Oliveira, termos vários partidos em quem votar não é liberdade de escolha, é lenga-lenga!

Gosto quando a máscara cai!
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