Portugal voltou ao 5º lugar no "clube" dos 10 países com maior risco de default (incumprimento da dívida soberana) à escala mundial, segundo o monitor da CMA DataVision, agora ao final da manhã. Ultrapassou a Argentina.
Depois de ter saído desta posição na sexta-feira passada (dia 21 de janeiro), o país voltou a um nível de risco superior a 32% durante o final da manhã de hoje. O que "converge" com o aumento acentuado das yields (juros implícitos) no mercado secundário das obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a cinco e a dez anos.
O movimento de deterioração do risco de default é, no entanto, extensível aos restantes membros do grupo de seis países da zona euro (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália e Bélgica) sob observação pelos mercados da dívida. Ao final da manhã, o risco da Grécia, Espanha, Itália e Bélgica, tal como para o caso português, é superior ao de fecho de ontem. Apenas a Irlanda mantém o valor idêntico ao de fecho de ontem.
O "clube" dos 10 mais é, agora, formado por: Grécia (que lidera com um risco de mais de 51%), Venezuela, Paquistão, Irlanda, Portugal, Argentina, Ucrânia, Dubai, Vietname e Estado americano de Illinois.
Disparo nos juros a cinco anos
As yields das OT com maturidades a cinco anos subiram para 6,33% ao final da manhã, o maior aumento diário no conjunto dos seis países da zona euro referidos, segundo dados da Bloomberg. A longitude da variação nestes juros varia entre 6,16% e 6,37%. O valor atual é um novo máximo desde a adesão ao euro, se fechar nesse valor (o anterior máximo de fecho foi em 6,22% dia 18 de janeiro).
Também nas yields das OT a dez anos se está a assistir a um claro aumento, ainda que menos acelerado. Ao final da manhã situavam-se em 7,06%, com uma amplitude de variação ao longo da manhã entre 6,87% e 7,35% - este último um nível acima do máximo de fecho a 7 de janeiro). Ontem haviam fechado abaixo da linha vermelha dos 7%.
O movimento de alta nas yields é acompanhado pelos restantes membros do grupo de seis da zona euro.
Como as yields relativas aos títulos alemães (Bunds) baixaram de 3,15% ontem para 3,12% agora, o spread (diferença entre as yields) dos títulos dos seis países referidos em relação aos títulos alemães aumentou, o que agrava ainda mais as condições de crédito.