Clube da bancarrota: Portugal desce para 5.º e Itália sai
Com os juros dos títulos soberanos dos "periféricos" da zona euro a descer significativamente no mercado secundário e o preço dos seguros contra o risco de incumprimento em baixa, as probabilidades de bancarrota abriram em queda.
Portugal desceu para quinto lugar no "clube" dos 10 candidatos a uma bancarrota num horizonte de cinco anos e Itália saiu do 10.º lugar, para onde tinha entrado dia 27 de junho, segundo dados da CMA DataVision, sediada em Londres, para a abertura do mercado financeiro de credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) relacionados com a dívida soberana. São os primeiros efeitos do primeiro round da cimeira europeia.
O movimento de descida do risco de incumprimento da dívida soberana é extensível aos outros "periféricos" da zona euro que são membros do "clube" dos candidatos a uma bancarrota: Grécia, Chipre, Irlanda e Espanha. No caso português, a descida, logo na abertura, foi de 51,55%, no fecho de ontem, para 49,80%. Esta redução do risco levou à "ultrapassagem" por parte do Paquistão, que subiu para o 4º lugar.
No mercado secundário da dívida, as yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português estão com descidas significativas - os juros das OT a 2 e a 3 anos voltaram para níveis abaixo de 8% e os juros das OT a 5 anos para um nível abaixo de 10%, segundo dados da Bloomberg.
As quebras mais significativas nos juros estão a ocorrer com as obrigações espanholas a 2, a 3 e a 5 anos e com os títulos do Tesouro italiano nas mesmas maturidades. Mariano Rajoy e Mário Monti estão a ser recompensados em primeira linha, pela "sua destreza indubitável", como referiu o espanhol Joaquín Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia e comissário para a Concorrência. No entanto, Almunia acrescentou que a chanceler Merkel foi o "Messi" da cimeira. Resta, portanto, ver como fechará o dia.



