O ex-presidente norte-americano Bill Clinton fez um primeiro relatório a um alto responsável da administração norte-americana da sua viagem à Coreia do Norte, antes de apresentar uma acta mais formal e detalhada, anunciou quinta-feira a Casa Branca.
Clinton reuniu-se quarta-feira à noite com um membro do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, algumas horas depois de ter regressado aos Estados Unidos com as duas jornalistas norte-americanas, cuja liberação negociou durante uma visita surpresa a Pyongyang, indicou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
"Vamos ter uma acta mais completa", acrescentou Gibbs, precisando que o presidente Barack Obama também deseja falar com Bill Clinton, para tentar saber mais sobre a forma como funciona do interior do sistema político do líder norte-coreano Kim Jong-il.
A Casa Branca não revelou até ao momento nenhum detalhe sobre a natureza das conversas de Clinton, contentando-se em sublinhar o carácter humanitário da sua missão e o facto de não ser portador de qualquer mensagem de Barack Obama.
No entanto, responsáveis da administração deixaram entender que o encontro de três horas entre Clinton e o líder norte-coreano Kim Jong-il levou a temas bem mais vastos do que o destino das duas jornalistas encarceradas, nomeadamente a questão crucial do desarmamento nuclear.
O Wall Street Journal revelou quinta-feira que o antigo presidente norte-americano terá dito a Kim Jong-il que Pyongyang poderá beneficiar da liberação de sul-coreanos e de japoneses sequestrados pela Coreia do Norte.
O jornal cita um responsável sul-coreano, segundo o qual Kim Jong-il espera a realização de uma cimeira com Obama.
Gibbs sublinhou quinta-feira que cabe a Pyongyang dar o primeiro passo, após as declarações de Obama apelando à Coreia do Norte para pôr fim aos seus actos de provocação e ao seu programa nuclear.
"Se desejarem realizar mais uma grande conquista internacional, basta-lhes cumprir as suas promessas e aceitar as responsabilidades que aceitaram", indicou, acrescentando que os Estados Unidos vão continuar a fazer aplicar as sanções votadas pelo Conselho de segurança da ONU.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, contestou a ideia de que estes acontecimentos possam constituir um precedente para outros estados inimigos dos Estados Unidos procurarem protagonismo na cena internacional.