O Met Office, o famoso instituto meteorológico britânico, anunciou que vai rever os dados das temperaturas globais dos últimos 150 anos recolhidos em cerca de mil estações em todo o Mundo.
Estas estações "foram escolhidas pela Organização Meteorológica Mundial para a monitorização do clima", explica a instituição, que tomou esta decisão depois de admitir que a confiança do público na Ciência ficou abalada com o caso Climategate.
Os dados recolhidos e tratados pelo Met Office são uma das três fontes usadas pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU (IPCC), nas negociações internacionais que começaram hoje em Copenhaga, para provar a gravidade do aquecimento global de origem humana.
Recorde-se que o Climategate é um caso de alegada manipulação de dados das temperaturas para exagerar o aquecimento global, e envolve cientistas britânicos e norte-americanos e a prestigiada Unidade de Investigação do Clima (CRU) da Universidade de East Anglia (Reino Unido.
A suposta manipulação foi descoberta há duas semanas por hackers que penetraram nas redes da CRU e vascularam milhares de mails trocados entre aqueles cientistas desde 1996, estando a causar grande polémica na comunidade científica mundial e nos bastidores das negociações climáticas.
O Met Offfice, que tem trabalhado de perto com o CRU, precisa de três anos para rever todos os dados, o que significa que só em 2012, quando terminar o Protocolo de Quioto, será possível saber com confiança absoluta qual o nível efectivo da tendência para o aquecimento global.
Segundo o diário britânico The Times, o governo de Gordon Brown está a pressionar o Met Office para não avançar com esta iniciativa, com o argumento de que seria aproveitada pelos cépticos do aquecimento global.
O presidente da instituição escreveu também aos institutos meteorológicos de 188 países a pedir os dados de base que estes recolheram em cerca de cinco mil estações meteorológicas.
Sites oficiais da Cimeira de Copenhaga: