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Cinema: O crítico entalado
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Cinema: IndieLisboa premeia filme americano

"Ballast" triunfa na 6ª edição do festival de cinema independente. E a curta portuguesa vencedora, "Arena", vai a Cannes. (Veja o trailer de "Ballast" no fim do texto)
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"Ballast", o vencedor do IndieLisboa
"Ballast", o vencedor do IndieLisboa

O primeiro filme de Lance Hammer, "Ballast", pode não ser uma obra-prima mas tem um mérito extraordinário: dá voz àqueles que praticamente nunca a têm, sobretudo no cinema americano. Mas este cinema americano também não é um cinema qualquer. Nada tem que ver com o mainstream. "Ballast" é um filme de desolados e deserdados e foi rodado exclusivamente com actores não profissionais daquele delta do Missisipi onde tudo se passa.

E o que se passa é uma uma história de filiação, com uma linha narrativa mínima que gira em torno de James, um rapaz problemático de 12 anos, pobre, negro. Após a morte do pai, James mete-se com traficantes de droga, arranja problemas e a mãe, Marlee, leva-o para junto do tio, Lawrence, procurando refúgio. No entanto, Marlee e Lawrence alimentam uma relação difícil.

"Ballast" desenvolve o conflito das três personagens com o mundo com um raro testemunho de sinceridade e partilha. Venceu no "Indie" o Grande Prémio "Cidade de Lisboa", no valor de 15 mil euros. Resta agora saber se o reconhecimento é suficiente para que o filme possa chegar às salas nacionais.

O "Prémio de Distribuição" foi para uma produção chinesa, "Jalainur", de Zhao Ye. "Ruínas", documentário de Manuel Mozos que antes trouxemos a estas páginas, distinguiu-se na competição nacional e levou o Prémio Tobis para Melhor Longa Metragem Portuguesa.

Na semana em que se soube que "Arena" vai representar Portugal em Cannes, integrando, coisa rara para um filme português, a Secção Oficial das Curtas Metragens do maior festival de cinema do mundo, João Salaviza, jovem realizador com apenas 25 anos (é filho de Edgar Feldman, também cineasta), viu o seu trabalho reconhecido no "Indie" com o "Prémio para Melhor Curta Portuguesa."

Produzido pela Filmes do Tejo, este filme de 17 minutos é surpreendente. A personagem principal, Mauro (Carlotto Cotta), é um rapaz que vive em produção domiciliária (só o sabemos porque se vê a "pulseira electrónica" que ele tem no tornozelo) mas Salaviza não segue o caminho mais fácil e não sublinha o caso social. Pelo contrário, o "cerco" da personagem nasce de um ambiente de tensão próprio de um bairro suburbano (Mauro é roubado na sua própria casa por um pequeno "gang" e depois procura a vingança). E a estrutura, que deixa o drama em suspenso, favorece o aparecimento do "gag", lembrando os primeiros filmes de Takeshi Kitano.

Salaviza junta-se assim a Pedro Costa ("Ne Change Rien"), João Pedro Rodrigues ("Morrer Como um Homem"), João Nicolau ("Canção de Amor e Saúde", outra curta escolhida pela "Quinzena dos Realizadores") e ainda a Mónica Baptista ("Territórios" foi seleccionado pela "Semana da Crítica") na comitiva portuguesa de Cannes.

Palmarés principal do "Indie":

GRANDE PRÉMIO DA LONGA METRAGEM:
"Ballast" (EUA), de Lance Hammer

MELHOR LONGA-METRAGEM PORTUGUESA:
"Ruínas" (Portugal), de Manuel Mozos

PRÉMIO DE DISTRIBUIÇÃO:
"Jalainur" (China), de Zhao Ye

GRANDE PRÉMIO DA CURTA-METRAGEM:
"Kempinski" (França), de Neil Beloufa

MELHOR CURTA-METRAGEM PORTUGUESA:
"Arena" (Portugal), de João Salaviza

PRÉMIO FIPRESCI:
"The Happiest Girl in the World" (Roménia), de Radu Jude

PRÉMIO DO PÚBLICO PARA MELHOR LONGA-METRAGEM:
"L'Encerclement" (Canadá), de Richard Brouillette

PRÉMIO DO PÚBLICO PARA MELHOR CURTA-METRAGEM:
"Visita Guiada", (Portugal) de Tiago Hespanha



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