As autoridades de defesa da concorrência do Brasil suspeitam do envolvimento da administração da Cimpor em manobras de concertação para impedir a entrada de concorrentes no mercado brasileiro, disse à Lusa a Secretária de Direito Económico brasileira.
"Desconfiamos que pode haver uma investida conjunta por parte do Conselho de Administração da Cimpor e cimenteiras no Brasil - pelo menos Camargo Corrêa e Votorantim - para evitar a entrada de um agente não alinhado ao suposto cartel", disse à agência Lusa a responsável pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça brasileiro, Mariana Tavares de Araujo.
A alegada estratégia de concertação visa impedir a entrada do grupo brasileiro Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no mercado de cimentos do Brasil, disse Mariana Tavares de Araujo.
"É uma estratégia que já se mostrou verdadeira nesse mercado em outros momentos," acrescentou a Secretária de Direito Económico, órgão que na passada semana anunciou a abertura de uma investigação aos grupos Camargo Corrêa e Votorantim por suspeitas de cartelização na operação de aquisição da Cimpor.
A Votorantim anunciou no início de fevereiro a compra dos 17,3 por cento da cimenteira francesa Lafarge no capital da Cimpor, em troca de ativos no Brasil. Na quarta feira, a Camargo Corrêa anunciou a entrada na Cimpor, através da compra dos 22,17 por cento que a construtora Teixeira Duarte tinha no grupo português, tendo depois anunciado a compra de mais 6,46 por cento, pertencente ado grupo espanhol Bipadosa.
Em concorrência à Camargo e Votorantim, a CSN lançou uma Oferta Pública de Aquisição sobre a Cimpor, que decorre até 17 de fevereiro e que arrancou com uma proposta de 5,75 euros por ação, já rejeitada pela administração da cimenteira portuguesa.
A CSN aumentou na sexta feira a oferta inicial para 6,18 euros por título, proposta a que a administração da Cimnpor deverá dar resposta na segunda-feira.
A CSN apresentou na segunda feira uma ação cautelar no Conselho Administrativo de Defesa Económica (CADE) brasileiro, que visa impedir os efeitos no Brasil da entrada da Votorantim e da Camargo na Cimpor.
No Brasil, a Votorantim controla cerca de 40 por cento do mercado brasileiro, enquanto a Cimpor e a Camargo Corrêa detém uma cota de nove por cento cada uma.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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