A Cimpor é objecto de disputa por parte dos grupos brasileiros CNS e Camargo Corrêa
João Carlos Santos
A CSN equaciona avançar com a OPA sobre a Cimpor antes dos pareceres da Comissão Europeia e das autoridades da concorrência sobre o negócio, apesar dos direitos de voto ficarem limitados.
Num aditamento à oferta hoje divulgada pela Comissão de Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), a brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) refere que pondera recorrer à cláusula do regulamento europeu sobre o controlo das concentrações de empresas que permite a realização de uma OPA antes da Comissão Europeia se pronunciar.
Prazo da Comissão até 18 de Fevereiro
Para usar esta prerrogativa a CSN não poderá, no entanto, exercer "os direitos de voto inerentes às participações em causa até que uma decisão favorável seja tomada", podendo exercê-los para "proteger o pleno valor do seu investimento com base numa derrogação concedida pela Comissão".
Esta faculdade permite também prescindir das decisões das outras autoridades de concorrência (turca, chinesa e sul-africana, segundo o esclarecimento da CSN).
O prazo para decisão da Comissão Europeia termina no dia 18 de Fevereiro.
Disputa entre grupos brasileiros
A Cimpor é objecto de cobiça por parte dos grupos brasileiros Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), e Camargo Corrêa, que apresentou uma proposta de fusão.
A CSN lançou uma OPA sobre a totalidade do capital da Cimpor, enquanto a Camargo Corrêa apresentou à cimenteira portuguesa uma proposta de fusão.
A CMVM exigiu, entretanto, à Camargo Corrêa o lançamento de uma OPA concorrente à da CSN ou a retirada da proposta de fusão com a Cimpor.