A autoridade brasileira da concorrência avisou hoje o mercado que "não será simples" aprovar a venda da Cimpor
aos grupos brasileiros Votorantim ou Camargo Corrêa, depois de ter lançado suspeitas de cartel sobre as duas empresas brasileiras.
"Os investidores portugueses ainda não perceberam o risco de regulação dessa operação, porque a operação pode não ser tão simples de ser aprovada, caso a Cimpor seja vendida à Votorantim ou à Camargo Corrêa", disse à agência Lusa Mariana Tavares, responsável pela defesa da concorrência no Brasil.
Mariana Tavares alertou também que a Secretaria de Direito Económico (SDE) do Ministério da Justiça brasileiro suspeita do envolvimento da Votorantim e da Camargo Corrêa em práticas de cartel para colocar fora da disputa pela Cimpor a também brasileira CSN, evitando assim a entrada desta no mercado de cimento do Brasil.
Suspeitas de cartel
"O mercado de cimento está sob nosso radar há muito tempo, com inúmeras investigações sobre a formação de um suposto cartel no Brasil", afirmou Mariana Tavares, secretária de Direito Económico.
A secretária disse suspeitar que a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) esteja a ser barrada no processo de aquisição da Cimpor por ser considerada "uma empresa não-alinhada" com os tradicionais fabricantes de cimentos no Brasil, como Votorantim, Camargo Corrêa e a própria Cimpor.
"Temos a preocupação de que o suposto cartel de cimento no Brasil esteja a afastar uma empresa não-alinhada (a CSN) e queremos garantir condições iguais a todos e promover uma concorrência no setor", acrescentou.
Diminuição dos preços no mercado brasileiro
A entrada da CSN no mercado poderia levar à uma diminuição dos preços no mercado brasileiro, uma vez que a escória, um dos subprodutos da siderúrgica, é matéria-prima no fabrico de cimento.
"A CSN, como um novo e agressivo produtor, poderia causar um impacto em todo o mercado", salientou Mariana Tavares.
As suspeitas da SDE ganharam mais força, disse a responsável , quando a Camargo e a Votorantim iniciaram negociações com a Cimpor, depois dos acionistas da cimenteira portuguesa terem recusado a Oferta Pública de Aquisição que a CSN lançou em Dezembro.
Na semana passada, a SDE instaurou um procedimento administrativo para "monitorar as razões da aquisição" da Cimpor por parte dos grupos Camargo Corrêa e Votorantim.
As quatro empresas envolvidas (Votorantim, Camargo Corrêa, CSN e Cimpor) receberam ofícios da SDE para que cada uma informe sua participação na operação.
Mariana Tavares enviou também ofícios ao presidente da Autoridade da Concorrência portuguesa, Manuel Sebastião, e à comissária europeia da Concorrência , Neelie Kroes, para "chamar a atenção para as preocupações" da SDE.
A Votorantim controla cerca de 40% do mercado brasileiro, enquanto a Cimpor e a Camargo Corrêa detém uma cota de nove por cento, cada uma. A CSN tem uma fatia inexpressiva porque iniciou recentemente a sua produção.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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