O conselho de administração da Cimpor
reúne-se hoje para analisar a novas condições propostas pela CSN, devendo pronunciar-se sobre a oferta.
A CSN reviu na sexta feira as condições da OPA, aumentando o preço de 5,75 euros para 6,18 euros por cada ação, e baixou a condição mínima de sucesso da oferta de, pelo menos, 50% do capital da Cimpor para, pelo menos, um terço do capital social da cimenteira mais uma ação.
A reunião de hoje surge numa altura em que as autoridades de defesa da concorrência do Brasil suspeitam do envolvimento da administração da Cimpor em manobras de concertação para impedir a entrada de concorrentes no mercado brasileiro.
"Desconfiamos que pode haver uma investida conjunta por parte do Conselho de Administração da Cimpor e cimenteiras no Brasil - pelo menos Camargo Corrêa e Votorantim - para evitar a entrada de um agente não alinhado ao suposto cartel", disse à agência Lusa a responsável pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça brasileiro, Mariana Tavares de Araujo.
Cimpor sob suspeita de cartelização no Brasil
A alegada estratégia de concertação visa impedir a entrada do grupo brasileiro Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no mercado de cimentos do Brasil, disse Mariana Tavares de Araujo.
A Secretaria de Direito Económico do Ministério da Justiça brasileiro já anunciou a abertura de uma investigação aos grupos Camargo Corrêa e Votorantim por suspeitas de cartelização na operação de aquisição da Cimpor.
A Votorantim controla cerca de 40% do mercado brasileiro, enquanto a Cimpor e a Camargo Corrêa detém uma cota de nove por cento, cada uma. A CSN tem uma fatia inexpressiva porque iniciou recentemente a sua produção.
A Votorantim comprou os 17,3% da cimenteira francesa Lafarge no capital da Cimpor, em troca de activos no Brasil.
A Camargo Corrêa anunciou a entrada na Cimpor, através da compra dos 22,17% que a construtora Teixeira Duarte tinha no grupo português, tendo depois anunciado a compra de mais 6,46%, pertencentes ao grupo espanhol Bipadosa.
O conselho de administração da Cimpor recusou a oferta inicial da CSN, lançada a 18 de dezembro, tendo recomendado aos acionistas da cimenteira que não vendessem as ações a "preço de saldo".
As ações da Cimpor fecharam na sexta feira a subir 6,2% para 5,84 euros na Euronext Lisboa.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar, a partir de amanhã, o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
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