24 de abril de 2014 às 11:52
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Cientista descobre como prever o futuro

Um sistema que localiza uma pessoa com precisão a anos de distância e numa data determinada, com base no seu padrão de comportamento, é já uma realidade.

Virgílio Azevedo (www.expresso.pt)
Adam Sadilek (Universidade de Rochester): "conseguimos prever a mobilidade humana a longo prazo" DR Adam Sadilek (Universidade de Rochester): "conseguimos prever a mobilidade humana a longo prazo"

Um sistema baseado na inteligência artificial que prevê, mediante certas condições, a localização de uma pessoa com a antecedência de vários anos, foi criado por Adam Sadilek, investigador do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Rochester (Nova Iorque).

O funcionamento deste sistema - chamado "Far Out" - deve-se, em parte, à crescente utilização de sistemas GPS nos telemóveis (smartphones). Com efeito, quase 50% da população americana, por exemplo, transporta um equipamento portátil com um sistema de GPS durante as suas deslocações, segundo um estudo do Pew Research Center (EUA).

O "Far Out" poderá ser usado para mapear fenómenos do futuro tão diversos como o congestionamento do trânsito numa cidade, a progressão de uma epidemia ou a procura de electricidade.

Localizar com elevada precisão


Sadilek e a sua equipa analisaram os dados de 703 pessoas (que transportavam sistemas de GPS) relativos a uma grande variedade de períodos de tempo. E recolheram 32 mil amostras diárias da localização dessas pessoas.

A partir daqui conseguiram demonstrar que o modelo de previsão utilizado "prevê a localização de uma grande variedade de pessoas com elevada precisão, mesmo a anos de distância no futuro".

"Vemos a previsão a longo prazo como um processo que identifica motivos e regularidades fortes nos dados históricos das pessoas, que modela a sua evolução através do tempo e que estima as localizações futuras através da projeção dos padrões de comportamento dessas pessoas no futuro", afirmou o cientista checo à publicação online "Futurist Update", da World Future Society (EUA), uma organização com 25 mil membros em mais de 80 países.

Num artigo assinado por Adam Sadilek e John Krumm, da Microsoft Research, que vai ser apresentado na 26ª Conferência sobre Inteligência Artificial organizada pela Associação para o Avanço da Inteligência Artificial, que decorrerá de 22 a 26 de julho em Toronto (Canadá), os dois cientistas recordam que "já foi feito muito trabalho de investigação para prever onde poderá estar cada um de nós no futuro imediato, isto é, na próxima hora".

Há de facto muitos modelos de mobilidade a curto prazo, tanto descritivos como preditivos, seja a nível de uma pessoa ou de grupos de pessoas. "Mas há uma lacuna na modelação e previsão da mobilidade a longo prazo, e mesmo os modelos focados no longo prazo consideram apenas previsões para as próximas horas".   

Identificar padrões de comportamento


Por isso, o que estes investigadores querem fazer é inédito e muito ambicioso. "Pretendemos prever a mobilidade humana no futuro a longo prazo, numa escala de meses e anos", afirmam Sadilek e Krumm.

Assim, propõem "um método eficiente que identifica padrões robustos e significativos a partir dos dados históricos de localização de uma pessoa,  assinala as suas associações com características de contexto (como por exemplo um determinado dia da semana), e depois usa esta informação para prever a localização mais provável numa certa data no futuro".

Por outro lado, o modelo geral definido pelos dois cientistas faz previsões tanto a curto prazo (horas ou dias) como a longo prazo (meses ou anos), ou seja, "é capaz de trabalhar com os dois tipos de representação de dados". O mais surpreendente é que Sadilek e Krumm demonstraram que "o desempenho do "Far Out" não é significativamente afectado pelas distâncias temporais".

Publicitar serviços, reunir amigos, planear cidades


"Precisa de cortar o cabelo? Dentro de quatro dias você vai estar a 100 metros do cabeleireiro Hair Dream que faz descontos de 20%". Esta mensagem recebida no telemóvel poderá ser uma das muitas aplicações, a nível individual, do "Far Out", tal como todo o tipo de spots publicitários, lembretes ou resultados de uma pesquisa pessoal. No fundo, são mensagens que consideram todas as localizações prováveis de uma pessoa em datas específicas no futuro.

Para além da escala individual, o "Far Out" poderá ser aplicado a uma escala social, envolvendo as pessoas que nós conhecemos, como sugerir um local, dia e hora conveniente para nos encontrarmos com um grupo de amigos, mesmo quando eles estão espalhados pelo mundo; ou sustentar um sistema de entrega de encomendas em qualquer local onde o cliente se encontre.

À escala de uma população, o "Far Out" poderá ser uma ferramenta decisiva para o planeamento urbano, para modelar a evolução de uma área metropolitana ou de uma região, em realidades tão diversificadas como o trânsito automóvel, o consumo de energia e de água, a qualidade do ar, a procura de habitação, ou a construção de infraestruturas de telecomunicações. Tudo porque identifica os padrões da actividade das pessoas e pode também detetar comportamentos pouco habituais. 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários 76 Comentar
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Para mim, que vivo no anonimato e o prezo,
essas engenhocas dão o que pensar. Cada vez mais, ainda que viva escondido, posso ser encontrado com boa margem de sucesso. Não sou adepto, por mais que possa ser estranho, do uso do telemóvel (que, no Brasil, é o celular). Ganhei um, de poucos recursos, que apenas ponho no carro, para alguma emergência. Não o uso rente ao corpo. Não gosto de ser importunado por chamadas sem utilidade prática, de vendedores, de anunciantes, de bisbilhoteiros etc. Não preciso de telefone móvel. Mas, espanta-me ver que, na rua, todos conversam através do telemóvel, como se precisassem espantar a solidão. E, nas rodas de café, encontro apenas pessoas da minha geração, para o bate-papo costumeiro. Os mais jovens, vivem de falar nesses aparelhos. Portanto, certas tecnologias só serviram para agravar o distanciamento entre as pessoas, como se elas estivessem sempre no último momento de vida. O rastreamento do futuro imediato de uma pessoa, para mim, vai piorar nosso dia a dia, que está infestado de controles (aqui no Brasil, por meio do CPF) e, certamente, isso vai gerar novos subprodutos. A rede estará completa quando nada mais fugir do olhar deste novo deus, momento em que seremos reduzidos a um código de barras e até nosso silêncio será esquadrinhado, em qualquer local no qual estivermos, mesmo nos confins do mundo. Para mim, que detesto a publicidade, certamente não será um tempo para estar vivo. Rio Grande
Re: Para mim, que vivo no anonimato e o prezo, Ver comentário
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Simplesmente .....perigoso!!
É difícil compreender com total exactidão o âmbito destas "descobertas", e o que de mau pode trazer a cada um.

De bom é fácil de prever, mas de mau...é impossível.

Não sendo pessimista nem vendo bruxas e demónios no horizonte, como outros o fazem, parece-me muito complicado aceitar de ânimo leve este tipo de "descobertas2 e trabalhos.

Simplesmente porque invade a privacidade de cada um de nós. Só por isso, direi melhor, por isso mesmo!

Não gosto, e não entendo como se pode gostar saber que alguém pode, num futuro de curto ou médio prazo, prever quando eu .... vou cagar!

Até para cagar, terei alguém que saberá essa informação, e me quererá vender papel higiénico na hora!? E dirão, batendo "de leve, levemente" na porta do WC, quer experimentar este? "é barato e tão macio"!

Num destes dias, nem cagar em privado poderemos, por este andar !

Quanto temos que pensar, e alterar, corrigindo, aquilo que outros podem aceder e ter de informação sobre outros!

Um tema importante para todos pensarem, quando estiverem a .... isso mesmo! Com o dito cujo a sair do mesmo local que "sopra brisa, sobre a fralda de uma camisa".

Dados pessoais, tema difícil e perigoso, logo ...mal cheiroso!

Cpts
Re: Simplesmente .....perigoso!! Ver comentário
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Que título mais estúpido e descabido,
para dizer o mínimo...
é o jornalismo que há... Ver comentário
Medo...
Cada vez mais reprimidos
Cada vez mais controlados

As próximas invenções será de medicamentos capazes de controlar as nossas emoções (a larga escala) para criar uma empatia global.

Tudo isto para que um punhado de gente possa jogar golf tranquilamente sem que ninguém os questione do porquê das coisas!!
Re: Medo... Ver comentário
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pronto...
Já está.

Esta notícia podia ter sido escrita pelo Relvas, acabado de se licenciar em jornalismo pela lusófona, isto após ter demonstrado ter lido muitos jornais, o que lhe deu inúmeras equivalências.
Re: pronto... Ver comentário
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Foundation
mmm....

Acho que já tinha lido isto no Foundation do Isaac Asimov. Chama-se Psico-História e é um livro maravilhoso de... ficção científica.

Agora vou voltar às notícias cujo título reflita o conteúdo.

oreivaivestido.blogspot.pt
Re: Foundation Ver comentário
Se o cientista é checo então...
Se o cientista é checo então certamente previu que os jogadores da sua selecção que participaram no Euro 2012 iam para casa logo após o golo de Cristiano Ronaldo a Peter Che.
Re: Se o cientista é checo então... Ver comentário
parece que no futebol... Ver comentário
cientista-descobre-como-prever-o-futuro
Sendo assim fica sem emprego e na miséria o professor Chibanga, o Caramba e a Maia. Mais um subsídio de desemprego que a Segurança Social vai ter de pagar. Tudo está a correr mal a este governo. Já não é só devido à mentira e incompetência.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/demita-se-senhor-primeiro-ministro.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/helena-roseta-denuncia-miguel-relvas.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/relvas-agradece-socrates-novas.html

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/licenciatura-de-relvas.html
Tanto comentário "bota-abaixo"
e ninguém viu positivo no assunto!

O desenvolvimento de uma área urbana. Pode-se investir num hospital com capacidade de expansão, escolas, etc.

A desertificação de uma cidade : pode começar a travar-se tomando medidas e evitando gastos desnecessários no futuro.

A migração das populações e dos centros de trabalho: pode tentar minimizar-se as deslocações diárias, definindo antecipadamente as zonas urbanas, empresariais e industrias, em vez de deixar tudp crescer ao acso.

Porque raio só se vê o espiolhar da nossa vida? É pelo título idiota da notícia?
Não se lê um livro pela encadernação.
Se você tiver razão, isso significa Ver comentário
Ora aqui está uma discussão interessante Ver comentário
e mesmo assim... Ver comentário
Mais um artigo sem pés nem cabeça
Gostam de brincar à futurologia...
Tudo bem, brinquem! Não venham é impingir "rigor" científico... Não nos esqueçamos que os serviços de metereologia raramente acertam no tempo que vai fazer daqui a uma semana... E que os "especialistas" não conseguem nunca prever acertadamente o défice para determinado ano, que passa a vida a ter de ser "corrigido"... And so on, and so on...
Jornalismo amador
Titulo 100% disparatado e falso. Modelos há muitos e este é mais um. Sosseguem os que temem pela sua privacidade, isto (ainda) é ficção cientifica.
Mas isto é o Expresso ou o Jornal do Incrível?!?!
Confundir previsões do futuro, com um mero estudo estatístico de deslocações habituais?!?!
Se o sujeito em estudo, levar com um tijolo e esticar o pernil, como é que fica a previsão?
Eu "prevejo" que quem escreveu isto, também tirou um curso "jornalístico", cheiinho de equivalências.
Previsões para agosto. Ver comentário
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Não vale Rupp....V. martelou o programa. Ver comentário
Convicções? Ver comentário
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Instituto de Metorologia Português prevê o futuro!
Calma, não se excitem! Não estejam já aí a prepararem-se para um "rally" em direcção ao INMG para uma consuta urgente com vista a saberem qual é a percentagem de corte que vão levar nos subsídios de Férias e de Natal nos próximos anos

O INMG prevê o futuro sim , mas do tempo meteorológico em Porugal Continental, Açores e Madeira, nos próximos cinco dias, ok?

Ah Expresso Expresso. Estamos na silly season não é?!
Balelas...
Assustador ver o tempo que se perde com investigação inútil e surreal!
Re: Balelas... Ver comentário
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