Christine Lagarde, num discurso no Conselho Alemão de Relações Externas em Berlim, criticou esta segunda-feira "uma tendência preocupante em diversos meios - de verem a política orçamental como um jogo de moralismo entre liberalidade e responsabilidade".
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) referiu que "o comentário político e de mercado" frequentemente é prisioneiro dessa dicotomia moralista. E critica alguns agentes dos mercados financeiros por "esquizofrenia" neste âmbito: "Os próprios mercados têm sido esquizofrénicos sobre a austeridade - umas vezes premiando-a com juros mais baixos, e noutras alturas ressaltando a desaceleração do crescimento que isso implica e aumentando os juros".
Como conclusão, a diretora-geral do FMI repete o seu conselho: "medidas credíveis que impliquem e ancorem poupanças no médio prazo ajudarão a criar espaço para acomodação de crescimento hoje (sublinhado de Lagarde) - permitindo um ritmo mais lento da consolidação".
Lagarde, num discurso que abordou extensivamente a situação na zona euro, considerada o "epicentro" dos problemas, bem como o "resto do mundo", salientou que estava nas mãos dos políticos evitar "um momento do tipo dos anos 1930". "O que temos todos de compreender é que este é um momento de definição. Não se trata de salvar este país ou região. Trata-se de salvar o mundo de uma espiral económica descendente", referiu. "Podemos evitar um tal cenário. Digo-o por uma razão simples: sabemos o que tem de ser feito", sublinhou ainda. Terminou citando o poeta alemão Goethe: "Não basta saber, tem de se aplicar. Não basta querer, tem de se fazer".