15 de abril de 2014 às 21:37
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Chirac critica Durão Barroso nas suas memórias

No 2.º volume das suas memórias, Jacques Chirac critica Durão Barroso pela sua posição sobre a guerra do Iraque e por ser "prisioneiro de uma visão ideológica" liberal da União Europeia.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)
Apesar dos sorrisos patentes na imagem, Jacques Chirac diz nas suas memórias que teve «conversas pouco simpáticas» com Durão Barroso
Apesar dos sorrisos patentes na imagem, Jacques Chirac diz nas suas memórias que teve «conversas pouco simpáticas» com Durão Barroso
Em «Le temps présidentiel» Jacques Chirac dá grande relevo às questões internacionais durante os seus dois mandatos presidenciais no Eliseu Em «Le temps présidentiel» Jacques Chirac dá grande relevo às questões internacionais durante os seus dois mandatos presidenciais no Eliseu

A inclusão, em "Le temps présidentiel" (segundo volume das suas memórias), de uma foto a cores de Jacques Chirac e Durão Barroso, cumprimentando-se, muito sorridentes, é a única nota simpática, no livro de mais de 600 páginas, do antigo Presidente francês em relação ao atual presidente da Comissão Europeia.

Jacques Chirac critica Durão Barroso pela sua posição pró-americana na guerra no Iraque - assunto a que se refere longamente, revelando os bastidores da dura querela política e diplomática que então opôs a França aos Estados Unidos da América, na altura dirigidos por George W. Bush.

Chirac garante que avisou diversas vezes, pessoalmente, tanto Bush como os seus aliados, das consequências negativas da guerra e da posição, que então prevaleceu, da coligação militar liderada pelos norte-americanos atacar o Iraque sem mandato das Nações Unidas.

"Discussões tempestuosas" com Aznar


Neste capítulo, o ex-Presidente francês é particularmente duro, sobretudo com o primeiro-ministro espanhol da época, José Maria Aznar, com quem afiança ter tido "discussões tempestuosas".

"A 17 de março (2003), depois de terem decidido na véspera, nos Açores, sob a presidência do primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, potência que convidava (sic), os defensores da guerra registam o impasse em que se encontram e decidem retirar o seu projeto de resolução (na ONU), acusando diretamente a França de ser responsável (...) Na madrugada de 20 março, a coligação desencadeia as hostilidades contra o Iraque", escreve Jacques Chirac.

O antigo Presidente da França acusa designadamente a Grã-Bretanha, Espanha, Portugal, Itália e alguns países do leste europeu de terem dividido a Europa e o consenso que chegou a estar definido para a União Europeia tomar uma posição conjunta sobre a "questão iraquiana".  

Durão Barroso "nunca compreenderá..."


O ex-chefe de Estado francês responsabiliza igualmente Durão Barroso por ter contribuído para a vitória do "não" no referendo francês sobre a Constituição europeia, em 2005.

Evocando o "projeto de diretiva Bolkenstein" que, segundo escreve, "visava liberalizar os serviços na Europa", Jacques Chirac diz que teve "conversas pouco simpáticas" com Durão Barroso: "Tive, a este respeito, conversas pouco simpáticas com o presidente Barroso, tentando fazer-lhe compreender que cada uma das suas intervenções a favor desta diretiva indispõe um pouco mais os franceses". "Mas, prisioneiro de uma visão ideológica da Europa, ele nunca compreenderá que o projeto que ele incarna nos é estranho (aos franceses)", conclui o ex-inquilino do Eliseu.

Largos elogios a Lula e críticas a Sarkozy


Em "Le temps présidentiel" (que se segue ao primeiro volume, "Chaque pas doit être un but", ambos nas edições "Nil"), Jacques Chirac dá grande relevo às questões internacionais durante os seus dois mandatos no Eliseu (de 1995 a 2007).

Revela designadamente uma sentida admiração pelo ex-Presidente brasileiro, Lula da Silva, que considera ter sido um "chefe de Estado foram do comum que soube manter-se igual a ele próprio no exercício do poder, caloroso, simples, fraterno e com uma profunda humanidade".

Já sobre a política interna francesa, Jacques Chirac arrasa o seu sucessor no Palácio do Eliseu, chamando Nicolas Sarkozy de "impetuoso e nervoso" (ler edição impressa do Expresso, da semana passada).

 

Comentários 20 Comentar
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Sr Chirac
O Sr da tanga, olhe a tanga que ele deu ao seu país, e veja como ele vive, olhe se ele continuava no MRPP.
Que importa, se o PSD adora !!!!

Gosta e apoia tanto as visões das famigeradas armas de Saddam, que até o Paulinho, outro visionário e apoiante da guerra, vai ser ministro dos Negócios Estrangeiros.

Não faltará por essa Europa fora quem se lembre de o apontar. Será uma honra para Portugal termos como MEE um farsola que mentiu, empurrando meio mundo para uma guerra ilegal.
Chirac devia estar calado
porque ele não é propriamente muito virtuoso
Mas o Bush adora-o!
Este ex-MRPP,social democrata de pacotilha,neo liberal... estará sempre disponível para tudo...é um verdadeiro Cherne,como a Madamme Uva o caracterizou,aquando da eleições em que concorreu a 1ºMinistro...para depois dar de "fróis" para Bruxelas,entregando o posto ao inefável Lopes. Com os resultados conhecidos.Óptimos para ele.
importa pouco ser muito virtuoso
mas sobretudo ter a virtude de ter razão e no caso a história veio dar razão a Chirac porque:
Bush dividiu a Europa com a guerra do Iraque e ninguém ganhou com ela a não ser a Índia e a China com as perdas que o ocidente teve nela!
DURÃO e as suas MENTIRAS

Chirac tem toda a razão.

As mentiras crassas de Durão Barroso e seus amigos, que contribuíram para a morte de milhares e milhares de pessoas na guerra do Iraque, vendendo a ideia da existência de armas de destruição massiva.

Mentira essa, que ainda continua a matar dia após dia no Iraque.

Essa desgraça a nível da humanidade, passou ao lado dos media nacionais, que se vendem aos poderosos sem escrúpulos, a troco de migalhas que estes deixa cair.

É importante lembrar que foi a posição de anfitrião de Durão Barroso na Cimeira dos Açores, que o bando dos 4 usou como o cartão de visita, para lhe entregarem de mão beijada o lugar na EU.
Não está à altura de qualquer cargo.
Optar por invadir um País sem primeiro tentar alcançar uma solução, sem sangue. Só mesmo de alguém como ele. Peneirento de merd...
Re: Chirac critica Durão Barroso nas suas memórias
Não digam que o Durão e outros laranjinhas deste PSD são liberais , porque eles ficam afectados.
Re: Chirac critica Durão Barroso nas suas memórias Ver comentário
Então sr Chirac…
... não sabe que o Zézinho é apenas um simples submisso dos bilderberg’s, ainda por cima descartável, se decidir tomar alguma decisão pessoal!
Foi assim que ele chegou onde chegou!!!
Chirac critica Durão Barroso nas suas memórias
Criticar só? Isso não chega. O sujeito é do tipo mais cola que conheço, só escolhe sítio bom que pobre é chatice.
E o orgão ligado ao grupo Bidelberg nada diz do
que se padssa no Chile. Estudantes de todos os graus de ensino estão em greve geral na luta pelo ensino público. Tem havido constantes confrontos com as forças de ordem. A tentativa do neo liberalismo no Chile poderá ter os dias contados. É preciso não esuqecer que o criminoso inochet morreu sem ter sido levado á Justiça pelos seus crimes...
"Jacques Chirac critica Durão Barroso...
...pela sua posição sobre a guerra do Iraque e por ser "prisioneiro de uma visão ideológica" liberal da União Europeia. "
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o que só confirma as suspeitas que já tinha sobre a classe política lusa: que não tem vontade própria.

ó minha gente...
Dividiu a Europa? mas quando é que a Europa esteve unida? o Cherne e os restantes peixes de aquário só mostraram o que era evidente, a Europa é uma treta, sempre foi. Foi criada para alimentar certos egos, alemão, francês e britânico, mas minha gente, os países da Europa não são boas colónias, e isto correu mal. Europa é o que sempre foi, países, povos, e poderes muito diversos, não há, nunca houve e só uma tragédia pode criar uma verdadeira unidade politica de nome Europa.
Este apoio de Durão Barroso ao
criminoso Bush, foi um momento muito pequeno da história portuguesa, que se lhe valeu o lugar, não eleito de presidente da Comissão Europeia ( era o candidato dos EUA de Bush) , demonstrou mais uma vez o caracter oportunista, mediocre e golpista do PSD e da direita em Portugal.
Que , tendo em conta Portugal, saiba Pedro Passos Coelho romper com a tradição do partido de que é presidente e saiba desde já conduzir, para fora da zona de turbulência que atravessa alguns países europeus que conosco têm importantes afinidades.
O Paulinho das feiras, desculpe
o Sr ministro dos negócios estranjeiros, bem como todos os principais figurantes da base de apoio do novo governo em formação, estiveram de acordo com a monstruosa mentira de Bush e o que é mais grave, com a politica de agressão gratuita ao Iraque, com as consequências de todos conhecido.
Nesses tempos a Europa, a velha europa como foi apelidade e o euro, sofriam os primeiros ataques vindos do outro lado do atlantico e Durão Barroso, como súbito cordato do criminoso Bush, recebe o seu prémio.
A presidência da comissão europeia.
O liberalismo murcha e seca tudo em que toca tal como os eucaliptos.
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